segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Memória e experiência

Sente que o exercício do jornalismo é hoje mais complicado em Portugal?
É cada vez mais complicado de facto, não propriamente pelo aumento de tentativas de condicionar a boa prática jornalística, mas pelas novas formas como são feitas. Nós hoje temos uma profissionalização das fontes de informação, ou seja, muita da informação que nos chega às mãos passa por agências de comunicação que trabalham com todos os sectores: do empresarial, ao cultural, político, ambiental, enfim, há uma informação que nos chega filtrada, embrulhada num lindo pacote, sem mácula, e com um cartão que diz, ora aqui tens uma informação que é importante passar para o público porque é do interesse do público saber que existe. E não é assim, porque as agências ou os gabinetes de comunicação trabalham com profissionais de marketing, antigos jornalistas e outros que sabem exactamente como funciona a lógica das redacções. E tudo isto faz parte do xadrez em que vivemos. Por isso é que é tão importante haver nas redacções profissionais bem preparados, perspicazes, que tenham memória, e isto é de facto muito importante: memória e experiência, para que se perceba desde logo o que é do interesse de grupos particulares e o que é de interesse público. É só isso que está em causa no papel do jornalista e é para isso que o jornalista trabalha, para o público. Para uma sociedade mais informada e, portanto, com menos margem para ser manipulada.

[Clara de Sousa, no jornal i, hoje; aqui] foto não creditada no site do jornal

Spot

Aí está o filme de promoção do festival Queer Lisboa, que começa esta sexta-feira, 18. Imagens da cena de abertura do filme Morrer Como um Homem, de João Pedro Rodrigues. Voz off de Ana Zanatti.

sábado, 12 de setembro de 2009

Willy Ronis, 1910-2009

Morreu aos 99 anos o fotógrafo francês Willy Ronis, um dos expoentes da chamada "fotografia humanista" (neo-realista), muito popular em França depois da II Guerra Mundial. Segundo o Le Monde, o trabalho de Ronis está a par do de Robert Doisneau (autor da famosa fotografia "Kiss by the Hotel de Ville").
Uma notícia da Lusa sobre a morte do fotógrafo tem estado a espalhar um erro na imprensa portuguesa online: o nome aparece grafado como Willy Ronnie (Expresso, JN, RTP, i). O nome correcto é Willy Ronis, como se comprova aqui e aqui.



Larry Clark produzido por Paulo Branco

"The Savage Innocence, o novo filme do cineasta norte-americano Larry Clark, será produzido por Paulo Branco" e começará a ser rodado já em Novembro, diz o DN de hoje.
[actualização: The Savage Innocence é o novo título de um projecto a que Larry Clark inicialmente chamou Wild Child.]


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Cheque para a ILGA

O presidente da associação ILGA Portugal, Paulo Côrte-Real, recebeu ontem à noite um cheque da produtora de espectáculos UAU, numa cerimónia pública improvisada, no fim da estreia do musical gay Rapazes Nus a Cantar, no Casino Estoril. O cheque, de mais de mil euros, resulta dos lucros de bilheteira do ensaio-geral aberto que a UAU realizou no sábado passado, dia 5. Um ensaio-geral de beneficência cujos bilhetes custavam simbolicamente cinco euros.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uniões entre humanos e extraterrestres

"Quem aconselha Cavaco Silva a promulgar ou não uma lei?( ...) [A] principal figura (...) é Carlos Blanco de Morais, conhecido do PR desde os tempos em que era adjunto de Paulo Teixeira Pinto, então secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros do Governo cavaquista. É professor na Universidade Clássica e revela-se, descomplexadamente, como um «conservador musculado». Blanco de Morais, que esteve ligado ao grupo da «Nova Direita» ― formado em torno da revista Futuro Presente ― é, porventura, o melhor consultor constitucional que Cavaco poderia ter arranjado para travar a agenda fracturante do Governo: já escreveu ser contra «o relativismo que hoje defende casamentos gay, amanhã as adopções de crianças por casais homossexuais e um dia, quem sabe, uniões entre humanos e extraterrestres»."
[na Visão de 3 de Setembro]

domingo, 6 de setembro de 2009

Louçã e Ferreira Leite debatem casamento gay

O tema do casamento gay entrou pela primeira vez nos debates entre os candidatos às legislativas. Foi esta noite no frente-a-frente entre Louçã e Ferreira Leite, na TVI.

Ele:
"Nunca vou fechar os olhos aos nossos vizinhos que o Estado persegue e magoa com leis injustas. Quero que o meu país respeite a liberdade. O Estado não dita o amor de uma pessoa, aceita as regras que as pessoas escolhem para si. A quem não concorda com os casamentos homossexuais, digo: isso não é connosco, é com quem quer viver."

Ela:
"A nossa sociedade está organizada na base de uma determinada noção de família baseada no casamento e toda a estrutura jurídica está moldada com esse objectivo. Houve uma evolução desse conceito. Respeito as diferenças das pessoas. Aquilo que não aceito é que não se considere que isto são uniões diferentes. Num casamento há a perspectiva da existência de filhos, noutras situações não há. Tolerância é, perante situações diferentes, ter tratamentos diferentes."