quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Lincoln, Washington, Hoover

"[The book] obviously deals with Abraham Lincoln being gay, which is pretty accepted by now, but it deals with a lot of other people being gay, like George Washington. It deals with a huge number of people. [...] We now know that Hoover was gay, and he was just a monster, certainly to gay people. You find a lot of that over the years: the biggest enemies to gay people were, in fact, gay people. There’s no question in my mind, for instance, that AIDS has been allowed to happen, and there are many culpable people."
Larry Kramer, autor de The American People, a sair em 2012. Aqui.

domingo, 26 de setembro de 2010

A pergunta

"¿Cuál es el secreto de una buena pregunta? 
Que sea inesperada. Se trata de sacar a los personajes de sus casillas, de lo que se espera de ellos. Una entrevista nunca se puede convertir en un peloteo de pimpón. Hay que mandar una bola de vez en cuando a la esquina, adonde le cueste trabajo a tu oponente devolverla. En eso, la maestra era Orianna Fallacci."
David Remnick, director da New Yorker; aqui.

sábado, 25 de setembro de 2010

"Simbolismo estetizante"

Já saiu a nova Colóquio/Letras (n.º 175), com data de Setembro-Dezembro de 2010. 
Um artigo sobre Manuel Teixeira-Gomes, da autoria de Ana Alexandra Seabra de Carvalho, diz do escritor e antigo presidente da República que tinha uma escrita com "sabor barroco ao nível lexical e metafórico, caro também ao simbolismo estetizante." 
Vide aqui.

O sumário desta edição está aqui.

sábado, 18 de setembro de 2010

"Plein Sud"

O filme perfeito passou hoje no festival de cinema Queer Lisboa. Sam (Yannick Renier, que também entrou em As Canções de Amor, de Christophe Honoré) vai ao encontro da mãe, que o abandonou.

Nota biográfica do realizador incluída no "dossier de imprensa" do Queer Lisboa: "Sébastien Lifshitz nasceu em 1968 em Paris. Entre 1987 e 1993 estuda História da Arte na École du Louvre e na Universidade de Paris I. Em 1990 foi Assistente de Bernard Blistène, conservador de Arte Contemporânea do Centre Pompidou para exposições de Richard Artschwager, Edward Ruscha e Andy Warhol. Em 1992 foi assistente da fotógrafa Suzanne Lafont. Em 1994 realizou a sua primeira curta-metragem, Il Faut que Je l’aime. Em 2000 realiza a longa-metragem Presque Rien, que foi seleccionada para mais de 50 Festivais Internacionais. Wild Side (2004), venceu o Teddy Award para Melhor Longa-Metragem de Ficção."
Foto: Queer Lisboa

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sem roupa

"Desenhei este senhor e quando saí da carruagem, ele saiu também. Quando estávamos já quase a sair da estação, ele meteu conversa comigo, muito simpático, muito amável, muito delicado, o que até contrastava um bocadinho, porque ele estava todo vestido de preto, de cabedal ou napa, com um lenço vermelho com cornucópias brancas. Perguntou-me se eu não queria ir a casa dele. Eu fiquei um bocado encavacado. E ele disse: 'Não, não, para me desenhar, para me desenhar'. E eu disse: 'Mas eu já te desenhei.' 'Não, para me desenhar, mas sem roupa!' 'Desculpe, eu só desenho pessoas com roupa no metro ou sem roupa se estiverem no metro.'"

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Um certo jeito

"A urgência do desejo e a infâmia da felicidade pertencem há muito a um outro tempo, se bem que a cada passo o meu cérebro se deixe levar pela sedução. Umas vezes é um certo gingar na rua, outras vezes, na loja, duas mãos. No carro eléctrico, é um certo jeito de procurar lugar. No compartimento do comboio, à pergunta: Está ocupado, aquela hesitação arrastada e, logo a seguir, confirma-se a minha intuição naquele certo jeito de arrumar a bagagem. No restaurante, independentemente da voz, é aquele certo jeito de o empregado dizer: O cavalheiro deseja."
"Tudo o que eu Tenho Trago Comigo", de Herta Müller (p. 282; D. Quixote, 2010)

domingo, 5 de setembro de 2010

Sabão

«Para grandes males, grandes remédios. Assim pensou Hugo Marçal, um dos sete arguidos da Casa Pia, condenado anteontem a seis anos e dois meses de prisão, quando, a 15 de Outubro de 2003, decidiu comer o sabão que se encontrava na casa de banho do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa, onde estava a ser sujeito ao terceiro interrogatório judicial, liderado pelo juiz Rui Teixeira. "Estava desesperado. Naquele momento faria qualquer coisa para interromper o interrogatório", revela no livro que intitulou Sabão Azul e Branco, que estará nas bancas a partir de amanhã. [...]

"Tive uma ideia. Pedi para ir à casa de banho, o que foi autorizado, e resolvi comer um sabão azul e branco que lá se encontrava", confessa. E continua: "Esfreguei bem o sabão, para lhe tirar a parte superficial e proteger-me de eventuais contágios e comi-o aos bocados".

"Sabia que a seguir ficaria maldisposto, que vomitaria e que Rui Teixeira teria de interromper a diligência", conta. O sabão não o desiludiu. Passado uns minutos, segundo escreve, começou a sentir-se bastante enjoado. Teve que voltar à casa de banho para vomitar. E Rui Teixeira determinaria a interrupção do interrogatório. "Naquela altura de desespero e sofrimento, esse sabão azul e branco representaria para mim o juiz das minhas garantias. Seria ele que limparia o manto impregnado de nódoas, de sujidade, de falsidade e calúnia, para deixar transparecer a minha inocência", afirma Hugo Marçal.»
Público, hoje