domingo, 19 de dezembro de 2010

Isto é que é jornalismo?

Gostava de saber que leis se aplicam ao site WikiLeaks, que estatuto profissional tem o fundador do site, que código deontológico é que ele segue e que leis de imprensa se aplicam às práticas dele e dos seus.

Não basta meter documentos secretos na Internet e na mão de jornais de referência, porque isso é  apenas ser fonte.

Qual o estatuto editorial do WikiLeaks? Que objectivos tem? Que posicionamento ideológico defende? Estas perguntas andam na cabeça de muita gente. E enquanto não forem esclarecidas minam a credibilidade do WikiLeaks.

Surgem agora por todo o mundo sites idênticos, incluindo o Brussels Leaks, alegadamente fundado por um grupo de dissidentes do WikiLeaks. O Guardian cita-os: "Journalists, activists and communications professionals have now come together to form Brussels Leaks." Activistas num site que se diz jornalístico?

Um alegado "representante anónimo" do Brussels Leaks disse há dias numa entrevista ao European Journalism Centre: "As we are staying anonymous we need to build credibility and a reputation. We will always be truthful, accurate, and fair." Divulgam documentos sem darem a cara? Não é assim que funcionam as denúncias em regimes totalitários?

Uma coisa é o jornalismo evoluir nas plataformas de distribuição ou na linguagem. Outra coisa é quando deixa de ser jornalismo (ou nunca chegou a sê-lo).

foto: Leon Neal/AFP/Getty Images

sábado, 18 de dezembro de 2010

Usar o lenço islâmico ou não já não é uma questão


 
Reportagem publicada no jornal i, em 10 de Dezembro de 2010.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"Uma conversa com qualquer pessoa"

"A Estátua da Liberdade tem escrito: "Venham a mim os vossos pobres, as vossas massas apinhadas...". Larry King também é um pouco assim. "Dai-nos as vossas estrelas pop, os vossos líderes políticos. Eu sentar-me-ei e terei uma conversa com qualquer pessoa." Essa é uma das razões porque ele durou tanto tempo", diz Robert Thompson [professor e director do Centro de Televisão e Cultura Popular da Universidade de Syracuse].

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

1 - Genet nasceu há cem anos (19 Dez 1910)


"Genet n'etait pas un homme juste. Il se moquait pas mal d'être ou de ne pas être juste. Il portait des jugements acerbes et sans appel sur les gens et ne laissait pas à son interlocuteur la moindre chance de constester ses a priori." (p.47)

"Il n'aimait pas la France, je  dirais même qu'il la haïssait. C'etait une obsession. Il aimait pour s'en moquer appeler la France la fille aînée de L'Église." (p. 50)

"Je me suis longtemps demandé quel sens donner à la relation de Genet avec Mohamed Al Katrani, son dernier ami, peut-être son dernier amant. [...] Genet avait cherché du travail pour Mohamed, pas pour l'argent, mais pour sa carte de séjour. [...] À son retour à Paris, Mohamed annonça à Genet que ses parents lui avaient trouvé une épouse, une cousine évidemment. Genet m'apelle et m'annonce la nouvelle en ces termes: «Mohamed se marie avec sa cousine; je vais avoir petit-fils»." (p. 71-76)

"D'après la biographie d'Edmund White, Genet a eu deux hommes dans sa vie: Jean Decarnin, un jeune résistant tué lors des combats pour la libération de Paris le 19 août 1944, et Abdallah. Genet ne m'a jamais parlé du premier. En revanche, el m'a souvent raconté par bribes son histoire avec Abdallah. Avec pudeur, avec poésie." (p.145)

Jean Genet, Menteur Sublime
Tahar Ben Jelloun 
ed. Gallimard, 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sabe de onde vem o seu cabelo?

"É sabido que há cada vez mais mulheres que recorrem às próteses de cabelo humano para alcançarem um aspecto glamoroso. Mas o ponto de partida do negócio é ainda um enigma: por que há mulheres de países pobres que vendem ou doam o seu próprio cabelo - e em que condições o fazem?"

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A nossa desgraça

Não é a WikiLeaks que vai matar o jornalismo. Nem o iPad. Nem as redes sociais na Internet. Nem as agências de comunicação. Nem os bloqueios das "assessorias".

O que deixa o jornalismo ferido de morte são os jornalistas que nas suas publicações consentem a presença de toda a sorte de curiosos e interesseiros, arrivistas e amiguistas, que exercem as funções de jornalista à margem de todas as leis e códigos éticos. Uma gente que infesta os jornais com a sua própria agenda, que não sabe o que sejam conflitos de interesses, que hoje ganha dinheiro com o negócio "x" e amanhã assina notícias benévolas sobre esse negócio. Mão-de-obra barata, solícita e criminosa.

A morte do artista está nisto e em mais coisa nenhuma.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Gaga


"Michele Monina, jornalista italiano, 41 anos, autor de Lady Gaga: A Vida, as Canções e os Sonhos de uma Bad Girl (originalmente publicado este ano em Itália) tinha pano para mangas ao lançar-se neste ensaio biográfico. Dificilmente poderia contornar a extracção queer de Lady Gaga. E é um facto que não contorna. Mas releva-o pouco mais que nada, preferindo dedicar-se à descodificação da sua imagem cyberpunk."