quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Arrumar 2010

"Ele tira más fotos em maus sítios", lê-se na introdução. Before Color, de William Eggleston (n. 1939), editado há poucas semanas pela Steidl, fica como um dos bons livros de fotografia de 2010. Não excelente, mas bom.
São fotos tiradas entre os meados dos anos 60 e os inícios dos 70. Fotos sem grande composição de imagem, capturas súbitas da vida quotidiana no Sul dos EUA, diz o livro.

Egglestone, explica a Wikipedia, fica como o fotógrafo que levou a cor para as galerias de arte, que até aos anos 70 valorizavam mais os trabalhos fotográficos a preto-e-branco.
Este livro mostra-o antes disso.
 
 

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Arrumar 2010

O Rei da Evasão, de Alain Guiraudie [na foto], que se estreou no Cinema King, em Lisboa,  no dia 11 de Novembro, não é um filme brilhante: fantasista, lento, inverosímil, previsível. Mas o realizador, que entrevistei por e-mail (uma entrevista breve, para recolha de depoimento) em vésperas da estreia, parece ser uma pessoa muito interessante. Excertos da entrevista saíram na revista Time Out Lisboa a 10 de Novembro. Fica aqui a totalidade, em inglês, como no original.

1 - Why did you chose an obese and middle-age actor (Ludovic Berthillot) to play the main character of Le roi de l'évasion?
I was looking for a middle-age actor (because it is a middle-age crisis movie) but not specially for an obese one. Ludovic Berthillot was simply the best of all the actors we met in this casting. 

2 - The story of Le roi de l'évasion is very surrealistic. Why is that?
In my movies, I use to mix elements of reality and what I would like the reality to be... I try to reinvent the reality... But for me, that is not surrealism.

3 - Where was the film shoot?
It was shot around the city where I live: Albi in the Tarn, close to Toulouse.
4 - Why is there a frequent presence of the rural world in your work? Is just because of your origins? What do you want to tell us about the rural world?
I was born in a small village. So, this rural world is my world. At least the world I know the best. All French films use to happen in big cities, that means in Paris, in the middle class, I want to talk from another part of the world... I don't like the idea that everything that happens in the world, happens in main cities.

5 - What do you think about the way mainstream cinema portraits gays and lesbians today? You seem to go counter-current. Do you agree?
As you can imagine, I don't like it so much. I specially don't like the fact that homosexuality and sexuality (and even sensuality) would only concern young, urban, beautiful and wealthy people... As movies, television or magazines try to make us believe since the 80's. And personally, I think that fat and old people can be very sexy.

6 - Do you consider yourself heir of directors like Pasolini?
Yes, but I prefer Fassbinder.

7 - What's your opinion on categories like "LGBT cinema" or "queer cinema"?
First, I want to make films for cinema... I don't want to be considered as a gay director... I don't even like the words "gay" or "queer"... Which are just American politically correct words. And I am French, so I use French words to say who or what I am. And I don't feel gay, I feel homosexual... I live as a homosexual. And I make cinema as a homosexual person, which is very important for me... In my movies, the marginality becomes the norm. So my movies are not queer or LGBT, they are movies.

8 - Are you 46 years old? Where do you live nowadays?
Yes, I'm 46 years old and I live in Albi near Toulouse.

Arrumar 2010

Uma das entrevistas que mais gostei de fazer este ano: com o coreógrafo Rui Horta, sobre como é ser homem na meia-idade (para o jornal Público).
Conhecia-o à distância, mas nunca tínhamos falado. A conversa decorreu num café do Parque das Nações. A fotografia foi feita mais tarde, no mesmo dia, mas em Montemor-o-Velho, por António Carrapato. O texto completo está aqui.
"Veja-se as capas das revistas, o endeusamento do corpo jovem, do corpo olímpico e inatingível. Ou isso, ou esconde-se. O problema é que as pessoas não são assim. Não são extremamente belas, nem muito altas nem muito baixas, nem muito gordas nem muito magras. Somos o que somos, somos normais. Esse endeusamento, esse corpo dos media, cria uma obsessão com o corpo. Não estou a fazer um juízo de valor, estou a constatar. Por tudo isto, é muito interessante ser coreógrafo nesta fase da vida." Rui Horta

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Arrumar 2010

Sobreviventes das cheias no Sul do Paquistão, em Agosto, à espera da comida distribuída por um helicóptero. Foto de Arif Ali, considerada uma das fotos do ano pela revista do International Herald Tribune (3 de Dezembro).

Arrumar 2010

Um dos livros que me foram enviados por editoras no fim deste ano: Break it Down: Demolição, de Lydia Davis. 
Contos escritos no início dos anos 80.
Tradução de José Mário Silva (boa, claro). 
Prefácio imaginativo, mas pouco sumarento, de José Luís Peixoto.

A contra-capa diz que a autora é "feminista convicta" e que "arrasa o género masculino", mas começa por a apresentar como "ex-mulher de Paul Auster", o que, sendo bom para vender livros, é a melhor forma de a desconsiderar.

Li os primeiros quatro ou cinco contos. São chatos. Parecem textos de quem passa o dia em casa a pensar na morte da bezerra e depois lá se obriga a escrever qualquer coisa ao fim da tarde.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Convicções

«Como católico, como tem visto a actuação de Bento XVI?
A única coisa que lhe posso dizer é que não gostaria de estar na sua pele.

O casamento homossexual. Continua a opor-se?
À medida que a gente vai envelhecendo ganha-se uma tolerância crescente em relação a todas as coisas que por vezes na nossa juventude tínhamos mais dificuldade em compreender.
[«Guterres sobre homossexualidade: ‘Não é aspecto que me agrade particularmente’», Público, 17 de Setembro de 1995]

E a adopção de crianças por homossexuais?
É uma matéria sobre a qual não tenho convicções muito firmes.»

António Guterres em entrevista à revista Única, do Expresso, de 23 de Dezembro de 2010:

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A última entrevista de Jean Genet


Foi dada à BBC no Verão de 1985. A transcrição aparece na edição portuguesa de O Sorriso do Anjo, em 1992 (tradução de Alberto Nunes Sampaio).
O site da Gulbenkian tem uma ficha de leitura deste livro. 
Genet nasceu há cem anos, a 19 de Dezembro de 1910.