segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"É o fim do tabu"

«Ao fim de 37 anos, depois de um milhão de soldados recrutados, 10 mil mortos e 30 mil feridos, o país continua sem saber ao certo quantos antigos combatentes ainda vivem com doenças psicológicas. E descobre agora que muito menos sabe quantos ainda vivem limitados com ferimentos físicos.
Uma equipa envolvendo o Ministério da Defesa, o Instituto Superior de Tecnologias Avançadas (ISTEC), a Academia Militar, a Escola do Serviço de Saúde Militar, o Centro de Psicologia Aplicada do Exército e o Arquivo Geral do Exército e com elementos das áreas da psicologia, sociologia, direito, engenharia e economia, dedicou-se durante dois anos a este tema e encontrou uma realidade diferente da imaginada. O grupo partiu para cerca de dois anos de trabalho com a ideia de que a guerra colonial provocou níveis significativamente elevados de doença de stress pós-traumático crónico […]. O grupo encontrou, num conjunto de 3020 queixas de ex-combatentes do exército, todas com  decisão superior, casos de doença de stress pós-traumático crónico que não passam os nove por cento do total, enquanto mais de metade, 52 por cento, reportaram ferimentos simples não tratados (36 por cento) ou múltiplos (16 por cento).
[…] “É o fim de um tabu. Os ferimentos físicos são a grande queixa, não o stress crónico”, diz João Andrade da Silva, coronel na reserva e coordenador do trabalho.»
Reportagem "A guerra deixou mais estilhaços e menos stress do que se pensava", de Lurdes Ferreira, revista Pública, hoje.

domingo, 30 de janeiro de 2011

A maioria do futuro

"Há uma fractura entre as esquerdas que em Portugal decorre, creio eu, do confronto que se travou no PREC [...]. Mas a geração de Abril não viveu esta fractura e não tem dela nenhuma cicatriz. Para esta nova geração é incompreensível que as esquerdas não dialoguem, que não se entendam e que com isso dêem sistematicamente uma vantagem à direita, que não hesita em unir-se sempre que os seus interesses estão em causa. [...] Falta uma alternativa à esquerda, com novas propostas e que junte partidos, movimentos e cidadãos de boa vontade. Falta construir a maioria do futuro."
Helena Roseta, Público, 28 de Janeiro

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Recrudescimento

«O responsável pela associação Opus Gay, António Serzedelo, sublinha que “não subscreve” o tipo de jornalismo que o cronista [Carlos Castro] praticava, mas “respeitava-o como pessoa”. E entende que, em parte, foi a recente discussão e aprovação do casamento gay em Portugal que potenciou um recrudescimento dos sentimentos de ódio em relação às pessoas homossexuais. “Havia a ideia, vendida por algum associativismo e contra a qual sempre estive, de que as ligações gay eram imunes à violência. Foi uma forma de convencer a opinião pública de que o casamento tinha de ser aprovado, porque os casais homossexuais seriam quase perfeitos”, explica.»
Time Out Lisboa, hoje 

Foto: Luís Coelho.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Visado pela jornalista

Há dias entrevistei por telefone uma jornalista, com mais de 20 anos de profissão. No fim pediu-me que lhe enviasse por 'mail' as frases dela que tencionava publicar.

Respondi-lhe que "como jornalista que é, deveria ser a primeira pessoa a proibir-se de pedir tal coisa".

Ela  insistiu: "Não nos conhecemos de lado nenhum, por isso não sei se as minhas palavras vão ser citadas como deve de ser. Se eu não puder rever as frases,  está proibido de as citar." (tratou-me sempre por "você", o que é esclarecedor.)

Depois de uns minutos de discussão, concordei em enviar-lhe as frases por mail: porque estava em causa um depoimento, não uma entrevista formal; porque ela é uma jornalista, não uma detentora de um cargo público; porque falou na qualidade de fonte pericial.

Fazer de conta que a censura prévia não é um atentado à liberdade de imprensa fica sempre bem a uma jornalista.

Dei por mim a ler o "Manual do Repórter" da Reuters:
“Can I see your story?” – Resist demands from sources to see your story before publication. If you must, make clear this is for accuracy – you will not change the meaning of quotes. And impose a deadline to prevent a source from sitting on news. [Reuters Foundation Reporters handbook].

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"A Fire in My Belly"



Este vídeo, com mais de 20 anos, foi censurado em Dezembro de 2010 por um museu americano (National Portrait Gallery, em Washington). Mas esta semana foi comprado pelo MoMa (Nova Iorque) e está em exibição até Maio.

"A Fire in My Belly" foi realizado em 1987 por David Wojnarowicz (1954-1992). É uma dissertação sobre a era da sida. Com música de Diamanda Galás.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Philosophical mistake"

«In Facebook, as it is with other online social networks, life is turned into a database, and this is a degradation, Lanier argues, which is "based on [a] philosophical mistake…the belief that computers can presently represent human thought or human relationships. These are things computers cannot currently do."»
The New York Review of Books, aqui

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Arrumar 2010

"Ele tira más fotos em maus sítios", lê-se na introdução. Before Color, de William Eggleston (n. 1939), editado há poucas semanas pela Steidl, fica como um dos bons livros de fotografia de 2010. Não excelente, mas bom.
São fotos tiradas entre os meados dos anos 60 e os inícios dos 70. Fotos sem grande composição de imagem, capturas súbitas da vida quotidiana no Sul dos EUA, diz o livro.

Egglestone, explica a Wikipedia, fica como o fotógrafo que levou a cor para as galerias de arte, que até aos anos 70 valorizavam mais os trabalhos fotográficos a preto-e-branco.
Este livro mostra-o antes disso.