quarta-feira, 25 de abril de 2012

Moral vigente

Em "O Nosso Paraíso", filme de Gaël Morel que se estreia hoje nas salas portuguesas, há uma fuga que não é apenas a de um assassino em série mais o seu cúmplice, amantes carnais desvalidos. É uma fuga muito antiga aquela que vemos: a do amor que não ousa dizer o seu nome. Eles não fogem da polícia, fogem da moral vigente.

[entrevistei o realizador e o resultado está na Time Out Lisboa sob o título «Não faço filmes a dizer que os gays são bons, porque isso não é cinema»]

domingo, 22 de abril de 2012

Reportagem "A riqueza oculta do Opus Dei"

Reprodução (de fraca qualidade, é certo) da reportagem "A riqueza oculta do Opus Dei", de António José Vilela e Pedro Jorge Castro, publicada na revista Sábado de 23 de Fevereiro de 2012.
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

"O Nosso Paraíso"

"O Nosso Paraíso" (Notre Paradis, 2012), de Gaël Morel, estreia-se em Portugal na quarta-feira, 25 de Abril, anunciou a distribuidora Leopardo Filmes. Sério candidato a um bom lugar no meu top pessoal de filmes do ano.

sábado, 14 de abril de 2012

"A minha caixa de madeira estava sempre aberta e nunca me faltou nada"

"Junto de mim estavam dois carteiristas. A um deles chamavam-lhe O Americano, porque de cada vez que vinha uma esquadra americana ao Tejo ele fugia da colónia disciplinar e vinha para o Cais do Sodré gamar carteiras aos americanos. E depois voltava, era penalizado, etc. Ao lado, estava outro que também era carteirista. E a minha caixa de madeira, debaixo da cama, com tudo aquilo que eu tinha, inclusive dinheiro, estava sempre aberta e nunca me faltou nada. [...] Havia um código de conduta entre nós [...] que era respeitado. Vejo muita gente que é considerada séria e que deve ter um estatuto menor do que o daqueles vigaristas com quem eu estive a lidar. [...] As pessoas não podem ser classificadas a preto e branco. Há toda uma avaliação da personalidade e do comportamento das pessoas que tem de ser feita independentemente dos seus sinais exteriores ou mesmo de alguns actos condenatórios que fizeram."
Historiador e político José Manuel Tengarrinha sobre a sua passagem pela Colónia Penal de Penamacor, em entrevista à Antena 1 emitida a 12 de Abril de 2012 (a partir do minuto 10).

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Bric-à-Bar

Ilustração da autoria do cenógrafo e figurinista português, de origem alemã, Jorge Herold (1907-1990). Foi feita em 1978 e imita o estilo gráfico do famoso ilustrador Tom of Finland. Representa o bar Bric-à-Bar que funcionou entre 1968 e 2012 na Rua Cecílio de Sousa (Príncipe Real, Lisboa).

domingo, 25 de março de 2012

Tem visto OVNIs por Lisboa?



Dezenas juntam-se num hotel para ouvir falar de ETs. Será uma tendência na cidade? Nos últimos meses houve três reuniões do género. Bruno Horta faz a crónica da mais recente. Ilustração de Luis Levy Lima.

Acreditar é a palavra de ordem. “Esta sexta-feira, na estrada Porto-Guimarães, apareceu um OVNI com quinas”, relata o homem que promove o encontro, Luís Aparício, da Associação de Pesquisa OVNI. “Estava a uns 700 metros de altura e foi visto por uma rapariga de 14 anos. Pelo que ela me contou, há ali princípios de abdução [rapto], porque ficou sem o período.” Isto começa bem.

São seis da tarde de sábado, dia 3 de Março. Há 30 almas reunidas numa sala alcatifada do Hotel Príncipe Lisboa, na Avenida Duque d’Ávila. Luís Aparício só quis deixar aquele breve apontamento, como que para criar ambiente. Retira-se depressa para a plateia e dá protagonismo ao convidado desta semana: Francisco Mourão Corrêa, do Instituto Português de Exopolítica. Tem uns 40 anos e sotaque do Norte. Usa fato, gravata e suspensórios. Liga o portátil Toshiba a um projector de vídeo, instala-se com grande à-vontade e começa a sua apresentação em Powerpoint.
Francisco estuda a forma como os terráqueos devem estabelecer relações diplomáticas com extraterrestres. Quem nos representa perante eles, com que legitimidade, em que termos? Sim, porque os extraterrestres existem de certeza, já estão entre nós e já comunicam com os militares americanos.

“O que venho dizer não é a verdade”, começa por dizer. “É uma versão de acontecimentos, baseia-se em relatos. Ainda não existem as provas que todos procuramos.”

A declaração de transparência parece sensata, mas a plateia, claramente, não precisa dela para nada. Há homens e mulheres de todas as idades. Ao canto, uma mulher com o filho de sete ou oito anos. Eles acreditam. E as crenças costumam dispensar a lógica.

Por vezes, o convidado é interrompido pela assistência. “Claro que eles aparecem mais a partir de Setembro, e depois em Março. Porquê? Por causa do equinócio, como toda a gente sabe”, apregoa um homem desgrenhado, com sotaque brasileiro e óculos esverdeados. Assíduo destes encontros, não restam dúvidas. “Mas esse autor já comunicou com seres de Andrómeda”, nota uma outra voz enérgica. E depressa se percebe que para estas pessoas discos voadores e extraterrestres são uma e a mesma coisa.

Querem mostrar que sabem muito, que dominam o assunto, que têm a lição na ponta da língua. É definitivamente um encontro para consumo interno. De entusiastas para entusiastas.

De repente, é como se tivéssemos regressado àquele Verão de 1995 em que a autópsia do extraterrestre de Roswell foi apresentada por José Rodrigues dos Santos no Canal 1. As fantasias cósmicas voltam a ser reais. “Isto deve-se ao encontro de 1954 entre a Administração americana e uma comitiva extraterrestre”, assegura Francisco. “Billy Meier costumava ter encontros com mulheres ET e chegou a contactar com a neta de uma ET que o tinha raptado muitos anos antes”, acrescenta. E depois dá-nos a cereja no topo do bolo: “Há raças extraterrestres benévolas, como os reptilianos e os annunaki. E raças malévolas, que cooperam com os militares: são os telosianos e pleiadianos, entre outros.” Levanta-se voo e não se quer voltar à aborrecida realidade.

[publicado na revista Time Out Lisboa de 21 de Março de 2012, pág. 11]

sábado, 24 de março de 2012

Três entrevistas que ensinam a fazer jornalismo

A jornalista Clara Ferreira Alves entrevistada por Manuel Luís Goucha:



O jornalista brasileiro Alberto Dines em entrevista colectiva no programa "Roda Viva":


O jornalista Baptista-Bastos entrevistado por Aurélio Gomes: