terça-feira, 20 de novembro de 2012

"Ocupações Temporárias"







O fotógrafo moçambicano Filipe Branquinho é um dos quatro nomeados para o Prémio BES Photo 2013, anunciaram hoje o Banco Espírito Santo e o Museu Colecção Berardo, responsáveis pelo prémio. O português Albano da Silva Pereira e os brasileiros Pedro Motta e Sofia Borges são os restante nomeados.

Filipe Branquinho (n. 1977) foi nomeado pela série "Ocupações Temporárias".

Lê-se na biografia distribuída pelo BES Photo:
"A sua paixão pelas artes nasce no ambiente em que cresceu na cidade de Maputo, pela convivência com o meio artísticos e muitos dos mestres e referências nacionais. No Brasil, o desenho e a ilustração surgem de forma sistemática e consciente, através do contacto com as disciplinas artísticas na Universidade Estadual de Londrina a par da formação em arquitectura. É também neste contexto que decide experimentar a fotografia como arte. Participou em diversas exposições colectivas e individuais no Brasil, em Moçambique, na África do Sul e Portugal. Tem diversas obras em colecções particulares. Em 2012 foi vencedor do prémio Internacional Estação Imagem/Mora na categoria de retratos e foi convidado a participar na PARIS-PHOTO 2012, representado pela Galeria Magnin-A."

sábado, 27 de outubro de 2012

15 de Novembro


«Os média dão do surf uma imagem de riqueza, sexo e vaidade. Mas eu passei dez anos no guincho com a comunidade surfista, e vi que os verdadeiros surfistas são pessoas que romperam com a sociedade. Não têm dinheiro. Quase não comem. Levantam-se todos os dias de madrugada para ir surfar. Ficam horas no mar, à espera das ondas, em contemplação, sozinhos no frio. Mas ao mesmo tempo, quando a onda vem, há uma violência única de entrega a uma força incontrolável da natureza. Só saem da água quando estão totalmente esgotados, destruídos. No dia seguinte fazem o mesmo. O mar do Guincho é o mais inclemente, rejeita aqueles que não têm a humildade de aceitar esta violência. Quando conheci o Pedro Sousa, campeão júnior de surf, conheci este outro lado. E um dia apercebi-me que tinham um segredo. Havia um lugar no topo da serra onde às vezes iam passar a noite. Eram as ruínas do Convento dos Capuchos. O Pedro Sousa não me sabia explicar porque se sentiam atraídos por aquele sítio. Um dia, também eu subi a serra, saltei  o muro do convento, e sentei-me no claustro, preparando-me para passar ali a noite. Veio uma coluna de nevoeiro, das que vão passando no topo da montanha, que num segundo fez desaparecer o claustro, e depois o próprio convento. Na confusão das portas e das janelas escondidas, vi os monges nas suas tarefas quotidianas, abstraídos da minha presença, mas totalmente absorvidos numa oração interior. Tão rapidamente como veio, o nevoeiro levantou-se e desapareceu, levando os monges consigo. Eu sabia que o Pedro Sousa era um desses monges. Foi assim que começou o Deste Lado da RessurreiçãoJoaquim Sapinho

sábado, 20 de outubro de 2012

A arte de viver segundo Cindy Scrash



Era apenas uma transformista da noite de Lisboa até ter sido descoberta por João Pedro Rodrigues. É transexual. Tem 47 anos.

Dez da noite no Terreiro do Paço. O barco do Barreiro atraca e lá do fundo vem Cindy esguia, mini-saia e blusão de cabedal, phones nos ouvidos e carteira a tiracolo. “Olá, amor”, diz, muito loura, e logo se afasta para a casa de banho, talvez para retocar a maquilhagem. Daí a nada está a posar para a câmara fotográfica sem se queixar do frio que vem do Tejo. A seguir, um táxi, até à porta de um café no Chiado.



[excerto de texto publicado no Público de 18 de Outubro de 2012, p. 27]

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Do caos nasceu uma obra-prima



Há seis anos, Alison Bechdel estava prestes a desistir da vida de desenhadora e cartoonista. “Era cada vez mais difícil ganhar a vida e pensei que teria de arranjar um emprego a sério”, conta. Foi quando conseguiu publicar Fun Home, história autobiográfica em banda desenhada que se tornou um êxito de vendas e chegou a “Livro do Ano” do New York Times. “Este livro salvou-me a carreira”, constata a autora, nascida há 52 anos no estado da Pensilvânia, EUA.

 


[excerto de texto publicado na revista Time Out Lisboa de 17 de Outubro de 2012, p. 64]

sábado, 13 de outubro de 2012

Jornalismo à portuguesa

Notícias em primeira mão são cada vez mais raras nos jornais e nas revistas (em papel ou na internet). Tão raras que aquilo que às vezes parece uma notícia em primeira mão resulta apenas de um acordo entre um jornalista e uma agência de comunicação, um assessor do Governo ou uma editora de livros ou discos. Nestes casos, o jornal ou a revista tornam-se cúmplices de estratégias comerciais ou políticas. Se isso significar que o público tem acesso a factos novos importantes então não há outro remédio.

Acontece que maior parte das vezes tais exclusivos são sobre o jovem empreendedor com três apelidos que decidiu abrir uma loja no Chiado depois de longa reflexão espiritual no Camboja. Ou sobre o empresário que ao fim-de-semana anda de BMX e precisa de tratar da imagem pública, pelo que exige subtilmente uma entrevista sobre hobbies e uma fotografia limpinha. São os exclusivos do jornalismo à portuguesa (e à moda de muitos outros países).

As entrevistas destinam-se a revelar o pensamento de um entrevistado. É suposto, portanto, que ele pense. E que tenha alguma coisa válida para dizer. Quando é patrão de uma empresa monopolista, cacique num partido ou mero par de mamas, aí os géneros jornalísticos adaptam-se. E uma entrevista passa a ser o que deus quiser.

Investigar assuntos importantes e explicar aos leitores o que realmente interessa tem os dias contados porque não há dinheiro para pagar a jornalistas que passem semanas atrás de um só assunto. E as empresas que detêm os órgãos de comunicação social não querem arriscar perder anunciantes ou sofrer boicotes noutros negócios que têm à margem da imprensa, por via das notícias incómodas que sempre resultam da investigação jornalística. O país é pequeno e quando uma porta se fecha não se abre logo outra ao lado.

Quer isto dizer que quando um jornal decide mandar dezenas de jornalistas borda fora, como aconteceu esta semana, a mensagem que está a passar aos leitores e às fontes organizadas (assessores, relações públicas e outros incompetentes) é só uma: os jornalistas são uns bocados de merda. É comprá-los.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Matthias Schoenaerts

Papel de uma vida em Bullhead (2011), de Michaël R. Roskam. E aparece nas salas portuguesas a 7 de Fevereiro de 2013 em De Rouille et d'Os, de Jacques Audiard.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"My life as a bear"

Um artigo sobre envelhecimento da autoria de James Collard, recentemente publicado pela Out, mostra, se preciso fosse, que os jornalistas americanos e britânicos conseguem sempre falar de coisas sérias com humor, o que os portugueses não sabem nem têm de saber, mas às vezes tentam. E o resultado é o que se sabe.