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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Os rapazes lá do bairro

Um novo livro recupera fotografias captadas em Nova Iorque nos anos 60. Hoje dizemos que são imagens gay, à época dizia-se que eram imagens de atletas, escreve Bruno Horta.

Danny Fitzgerald (1921-2000) gostava de teatro e cinema e coleccionava revistas de homens nus. Tinha estatura baixa, era um pouco efeminado e musculado. Cresceu em Brooklyn, Nova Iorque, e viveu praticamente a vida inteira em casa dos pais: mãe italiana, pai irlandês, ambos comerciantes. Era um homossexual no armário, como então se usava, mas o interesse pelas artes levou-o a aproximar-se da fotografia no fim da década de 50 e a tornar-se fotógrafo de rapazes de rua. Fez centenas de retratos numa estética que imitava ora o retrato clássico,  ora a pornografia homossexual típica daquele tempo nos EUA.

Brooklyn Boys, agora publicado pela editora alemã Bruno Gmünder, recupera essas imagens vintage. Com edição e textos de Robert Loncar e James Kempster, o volume reproduz 152 fotos, quase todas a preto e branco, tiradas entre 1959 e 1966.

Talvez surpreenda o facto de os modelos cultivarem um aspecto atlético e cuidado, nada distante do padrão actual. De resto, o trabalho de Danny Fitzgerald não foi totalmente inovador.

Depois da II Guerra Mundial tinha surgido nos EUA a moda das revistas fotográficas com homens nus, incluindo na capa. Physique Pictorial, de Bob Mizer, foi a pioneira. Depois veio a Adonis, a Body Beautiful, a Young Physique, entre muitas outras. Não eram apresentadas como revistas para homossexuais, embora toda a gente soubesse que  era esse o público principal. À superfície, revistas que fomentavam a prática de exercício físico. Na verdade, as primeiras revistas pornográficas gay. “Beefcake magazines” é o termo utilizado em inglês. (Um parêntesis para dizer que em 2000 o artista plástico lisboeta João Pedro Vale criou uma peça intitulada “Beefcake”, consistindo num haltere de musculação, em baton e esferovite, que remetia para o imaginário erótico daquelas revistas.)

Os rapazes das classes baixas, muitos de origem italiana, foram os primeiros e os principais modelos de Danny Fitzgerald. Viviam na zona de Carroll Gardens, em Brooklyn, e pertenciam ao famoso gangue dos anos 50 “South Brooklyn Boys” , nome que passaria a designar mais tarde todos os jovens italo-americanos que faziam da rua  um modo de vida. Alguns eram prostitutos, Danny Fitzgerald pagava-lhes para posarem.  

O fotógrafo conhecia-os no ginásio que frequentava. “Impressionava-os ao exibir conhecimentos de literatura e cultura geral e através de elogios à beleza física dos jovens. Era então que uma nota de dez, 20 ou 50 dólares escorregava para os bolsos dos rapazes”, lê-se.

Ao longo da década de 60, Danny Fitzgerald apurou o estilo e passou a publicar nas revistas Era, The Young Physique e Muscles à Go-Go, entre outras. Assinava como Les Demi Dieux. Praticamente até ao ano da sua morte, poucos sabiam quem era  a pessoa por detrás do pseudónimo. Brooklyn Boys é o primeiro livro que junta as peças. Richard Bennett, um dos modelos e mais tarde companheiro de vida, trabalhou sempre com ele e ajudou na elaboração do livro.

Os editores destacam a influência, no trabalho de Danny Fitzgerald, de fotógrafos como Alfred Eisenstaedt (famoso pela foto do casal que se beija em Times Square no fim da  II Guerra) e de realizadores  como Leni Riefenstahl e Sergei Eisenstein.

Será exagero acrescentar que muitos anos depois seria Danny Fitzgerald a exercer influência sobre fotógrafos como Bruce Weber, aquele que criou a imagem homoerótica das marcas Calvin Klein e Abercrombie & Fitch?

[texto publicado na Time Out Lisboa de 6 de Novembro de 2013, pp. 64 e 65]

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Elvis

Elvis - Kneeling at the Mosque - Richmond - Virginia -  June 30 1956
Fotografia hoje divulgada pela editora Taschen para promover o livro Alfred Wertheimer. Elvis and the Birth of Rock and Roll, de Chris Murray e Robert Santelli, que vai ser publicado em Fevereiro.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sergey Melnitchenko


Sergey Melnitchenko nasceu na Ucrânia em 1991 e é fotógrafo desde 2009. “Shwarzenegger Is My Idol” é uma série sobre jovens da cidade de Mykolaiv que se dedicam ao culto do corpo. Site oficial aqui.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Voy a cazar el instante

«Yo no he utilizado jamás ni flash ni trípode porque no quiero falsear las cosas, destruyes la realidad. La realidad es bastante más oscura, no se ve casi nada en algunos sitios y  si sueltas un buen golpe de luz la gente cree que estás en el baile de la ópera de Berlín. Otra cosa que no hago jamás es pedirle a una persona que pose. Lo odio, no soy retratista de estudio, soy un cazador en ese sentido. Voy a cazar el instante y no voy a cambiarlo por comodidad.» Enrique Meneses, aqui. (Foto: Guadalupe de la Vallina)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Arte contemporânea árabe

"Machine 22", Sami Al-Turki
"Love", Ayman Yossri


«As recently as 25 years ago, the majority [arab artists] worked in relative isolation. The Arab world had a less developed pictorial tradition than many of its [neighbours]; its visual culture was lauded through architecture, tapestry and design rather than painting. Consequently its art was categorized by international cultural commentators as “backward”. The past decade, however, has witnessed a considerable shift in the practice and approach of artists from the region. [...]  It was in the 1990s that Arab artists, invigorated by the immediacy of global communications, began to deviate from painting and sculpture and venture into photography, video and installation art.

[...] As many of the region’s conflicts are ongoing, there is an expectation, most especially from audiences in the West, that contemporary Arab art must be political; that it must be reactive, gender-focused and highlight obsession and neglect. Although these are all concerns that surface with regularity and are treated sensitively, they are by no means its raison d’être.

[...]  Unlike  other emerging art markets where auction houses have led the way, disseminating information, creating transparency and setting benchmark prices, contemporary Arab art is nurtured by a growing network of regionally-based galleries, such as The Third Line in Dubai and Doha, Sfeir-Semler in Beirut and Hamburg, Athr in Jeddah, and Townhouse in Cairo. But those with an international profile such as Continua, whose spaces are in San Gimignano, Le Moulin and Beijing, and Vienna’s Galerie Krinzinger, are also signing up Arab artists.

[...] Perhaps it is contemporary politics that have rendered the art of the region more relevant and more accessible; continuous live coverage of events unfolding in Cairo, for example, infiltrated every living room in the world, while social networking, tmblrs, twitters and blogs have allowed hitherto unknown voices to be heard.»

Artigo "Creative foment", de Savita Apte, revista Think, Agosto de 2012 (aqui, em PDF)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

"Ocupações Temporárias"







O fotógrafo moçambicano Filipe Branquinho é um dos quatro nomeados para o Prémio BES Photo 2013, anunciaram hoje o Banco Espírito Santo e o Museu Colecção Berardo, responsáveis pelo prémio. O português Albano da Silva Pereira e os brasileiros Pedro Motta e Sofia Borges são os restante nomeados.

Filipe Branquinho (n. 1977) foi nomeado pela série "Ocupações Temporárias".

Lê-se na biografia distribuída pelo BES Photo:
"A sua paixão pelas artes nasce no ambiente em que cresceu na cidade de Maputo, pela convivência com o meio artísticos e muitos dos mestres e referências nacionais. No Brasil, o desenho e a ilustração surgem de forma sistemática e consciente, através do contacto com as disciplinas artísticas na Universidade Estadual de Londrina a par da formação em arquitectura. É também neste contexto que decide experimentar a fotografia como arte. Participou em diversas exposições colectivas e individuais no Brasil, em Moçambique, na África do Sul e Portugal. Tem diversas obras em colecções particulares. Em 2012 foi vencedor do prémio Internacional Estação Imagem/Mora na categoria de retratos e foi convidado a participar na PARIS-PHOTO 2012, representado pela Galeria Magnin-A."

sábado, 5 de maio de 2012

O Irão visto por Sadegh Tirafkan


O autor destas imagens é Sadegh Tirafkan, fotógrafo iraniano nascido no Iraque em 1965, filho de iranianos. O seu trabalho fotográfico é de evidente filiação homoerótica, o que parece corajoso quando se sabe que o autor vive em Teerão desde os cinco anos de idade.

Está representado, entre outras, nas colecções do Brooklyn Museum of Art, do British Museum e da Maison Européenne de la Photographie, segundo uma nota biográfica incluída no site da Galeria 44, no Canadá (onde o trabalho de Sadegh Tirafkan está a ser exibido na colectiva "Gender and Exposure in Contemporary Iranian Photography").

As fotografias que aqui estão fazem parte da série "Zookrhaneh", de 2003/04. Zookrhaneh é o nome persa para ginásios populares, de origem pré-islâmica, onde os homens praticam uma espécie de luta livre chamada varzesh-e bastani.

Para se compreender o trabalho de Sadegh Tirafkan é útil ler este ensaio.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Irão, agora

Soheil, dancing to music. He is the guitar player in The Azhirock rock band.
Tehran, Iran. February 2010
"Mirzoyan"
Behzad Eliasazar, 24-year-old designer and his car.
Tehran, Iran. May 2008
Rena Effendi
Dance class in Tehran University.
Tehran, Iran. May 2008
Rena Effendi
Street scene.
Bandar Lengeh, Iran. December 2005
Sergey Maximishin
Street scene.
Bandar-e Abbas , Iran. December 2005
Sergey Maximishin
[The work isn't presented at the exhibition.]
Sergey Kaptilkin
Quem por estes dias visitasse Moscovo, poderia ver a exposição "Dialetics of Strangers' Vision: Iran". Há mais vida para além dos ayatollahs.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Annemarie Schwarzenbach

Annemarie Schwarzenbach fotografada por Margarete Fellerer, em St. Moritz, Suíça, por volta de 1937 (colecção Franziska Fellerer, Viena)

Annemarie Schwarzenbach, “Viena”, Áustria, 1938
Archives Littéraires Suisses, Berne, Fonds Annemarie Schwarzenbach

Annemarie Schwarzenbach, “Afeganistão, Shabash, Moinhos”, Afeganistão, 1939
Archives Littéraires Suisses, Berne, Fonds Annemarie Schwarzenbach


Annemarie Schwarzenbach, “Mulher nómada a fiar”, Afeganistão, Agosto
1939
Archives Littéraires Suisses, Berne, Fonds Annemarie Schwarzenbach
Annemarie Schwarzenbach, “Hindu Kusch, diante de Doab: O Ford na
estrada”, Afeganistão, 1939
Archives Littéraires Suisses, Berne, Fonds Annemarie Schwarzenbach

Annemarie Schwarzenbach, “O outro lado de Lisboa: Características um tanto orientais, dentro e fora do Mercado.(...)”, Lisboa, 1941
Archives Littéraires Suisses, Berne, Fonds Annemarie Schwarzenbach

Annemarie Schwarzenbach, “Pigmeus na extensão oriental da floresta equatorial entre Beni e Irumu! (com Mme Vivien)”, Congo, 1941-1942
Archives Littéraires Suisses, Berne, Fonds Annemarie Schwarzenbach

domingo, 18 de setembro de 2011

Encontros da Imagem, Braga

 
 Colectivo Tendance Floue


  
Jan Vaca


 André Príncipe



Pedro Stephan

Programa completo aqui.

domingo, 31 de julho de 2011

A razão

"Unless you need to make art to stay alive, you shouldn't be making art."
Nan Goldin, aqui

domingo, 10 de julho de 2011

Um mundo que desaparece

"I am showing a slice of life in New York City that in several years won't be there any longer. Many of the people that I photograph are people who have a certain individuality in the way they walk, the way they dress, the way they look. But the world is getting smaller and smaller, so people are tending to look more alike, dress more alike. All of these differences are disappearing, and it's making it tougher to find people to photograph. I believe I'm preserving that so maybe one day my pictures would be considered documentary photographs."
Bruce Gilden, aqui

terça-feira, 14 de junho de 2011

Isto é Teerão

 
 
 
 
 
 
Fotografias de Arash Fayez, retiradas do conjunto "This is Tehran; Voice of the Islamic Republic of Iran" (2006). Arash Fayez é iraniano, nasceu em 1984 e estuda arquitectura. 
Site oficial aqui.
Mais trabalhos aqui.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Arrumar 2010

"Ele tira más fotos em maus sítios", lê-se na introdução. Before Color, de William Eggleston (n. 1939), editado há poucas semanas pela Steidl, fica como um dos bons livros de fotografia de 2010. Não excelente, mas bom.
São fotos tiradas entre os meados dos anos 60 e os inícios dos 70. Fotos sem grande composição de imagem, capturas súbitas da vida quotidiana no Sul dos EUA, diz o livro.

Egglestone, explica a Wikipedia, fica como o fotógrafo que levou a cor para as galerias de arte, que até aos anos 70 valorizavam mais os trabalhos fotográficos a preto-e-branco.
Este livro mostra-o antes disso.