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terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Comissão de censura

Durante anos, a SIC e a TVI (e, já agora, a Optimus, a TMN e a Vodafone) não se importaram nada que os senhores telespectadores usassem as páginas do teletexto para trocar mensagens de conteúdo pornográfico e fazer engates hetero e, sobretudo, homossexuais. De repente, reuniram-se com a Entidade Reguladora da Comunicação Social e já se importam.

Calculo que esta notícia não vá merecer os comentários e as reacções indignadas que mereceu a deliberação da ERC sobre o artigo de Eduardo Cintra Torres.

De qualquer modo, esta notícia, publicada hoje no "Meios & Publicidade", é mais uma prova de que a actuação da ERC está a minar a liberdade de expressão e que a entidade é, claramente, uma comissão de censura.

A notícia, brevíssima, é esta:

A SIC e a TVI desactivaram as salas de ‘chat’ nas respectivas páginas de teletexto, por terem sido detectados “conteúdos impróprios” nesta salas de conversação.

De acordo com informações divulgadas pela Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC) em comunicado enviado às redacções, a decisão de encerrar estes serviços surge na sequência de reuniões mantidas entre o presidente do Conselho Regulador da ERC, Azeredo Lopes, e o presidente do Conselho de Administração da SIC, Francisco Pinto Balsemão, e o administrador da TVI, Miguel Gil.
Adriano Nobre, "Meios & Publicidade", 19/12/06

terça-feira, 21 de novembro de 2006

E agora?

Que dirão desta notícia os demagogos do costume, que acham que o mundo é um gráfico de barras e que tudo é permitido em nome das audiências?

Dr. Preciso de Ajuda com estreia modesta
A TVI estreou no late-night da passada sexta-feira o reality-show Dr. Preciso de Ajuda, tendo o primeiro episódio do novo formato da estação de Queluz obtido uma audiência média de 6,1% e um share de 31,4%, representativos de um universo médio de 506.700 telespectadores.

Com estes valores, Dr. Preciso de Ajuda ocupou, no dia de estreia, a 21.ª posição do ranking de programas mais vistos pelos portugueses, ultrapassando o nível de audiência alcançado no mesmo período horário pelo filme Tirar Vidas, emitido pela RTP1 (4,1%), mas ficando aquém dos valores obtidos pela novela Jura, emitida pela SIC (6,6%).

De acordo com os dados da Mediamonitor trabalhados pela mediaedge:cia, a análise ao perfil socio-demográfico do público que acompanhou esta estreia revela que a maioria do público foi composto por mulheres (64,5%), pela classe C2 (30,1%) e pela faixa etária situada entre os 25 e os 54 anos (43,3%).
Adriano Nobre, Meios & Publicidade, 21/11/06

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Excerto da entrevista de Vítor Serpa ao "Meios e Publicidade"

Foi neste ponto da entrevista (publicada no jornal "M&P" de 3 de Novembro; conduzida por Hugo Real) que a coisa descarrilou:

M&P: A Bola é dos poucos títulos de âmbito nacional que não consta do relatório da APCT. Porquê?
Vítor Serpa: O motivo é claramente decidido pela administração do jornal. Se me perguntar se concordo, digo que sim... Pelo nosso conhecimento, e será também o das entidades reguladoras do mercado, é cada vez mais fácil manipular as informações oficiais sobre as vendas e sobre o controle das vendas dos jornais em Portugal.

M&P: Não confia nos dados da APCT?
VS: Não! Claramente que não e digo-o com toda a franqueza, porque tenho conhecimento que não são fiáveis. Não digo que a APCT não seja fiável e não tenha uma visão honesta e credível...

M&P: Está a dizer que são os meios que manipulam as informações...
VS: Claramente! E conheço 500 maneiras de se poder alterar esses dados e nalguns casos conheço até a maneira como está a ser feito.

M&P: Sem dados da APCT, a única indicação que o mercado tem surge dos dados do Bareme, onde a liderança tem sido repartida com o Record. Não seria benéfico, mesmo para os anunciantes, conhecerem os números de vendas do jornal?
VS: A administração decidiu cumprir escrupulosamente aquilo que é determinado pela Lei da Imprensa. E isso é que sejam publicadas as tiragens correctas dos jornais, as médias de cada mês... As médias que a Bola publica garanto que são correctas até à unidade, não garanto as de outros, mas garanto que as da Bola o são.

M&P: Quanto vende a Bola?
VS: Não é fácil dizer quanto vende em média mas, neste momento, falando dos números que reportam a Agosto, aproxima-se dos 100 mil exemplares diários.

Controlos

A APCT anunciou hoje que vai processar o director de "A Bola", Vítor Serpa, porque este terá feito afirmações "susceptíveis de atingir o bom-nome da associação e a consideração que é devida aos seus associados”.

O Blogouve-se é que nos chamou a atenção para o assunto, na segunda-feira, 13.

Vítor Serpa disse numa entrevista ao Meios e Publicidade (o site pede registo) que conhece "500 maneiras de alterar os dados da APCT”. O jornal "A Bola" não faz parte da APCT.