Mostrar mensagens com a etiqueta jornais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta jornais. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Biblioteca de jornais a caminho da Lapa

Caro leitor: tem exactamente oito dias para ir à Hemeroteca antes que se acabe. Depois, só em 2014. Bruno Horta explica o que se passa. As fotos são de Joana Freitas.

“Pelas notícias da Corte de Viena se sabe que o emperador dos turcos continua os seus aprestos militares contra a Europa.” É com novidades do Império Otomano que começa a notícia de abertura da primeira edição da Gazeta de Lisboa, publicada há quase três séculos, em Agosto de 1715. Foi precursor dos jornais portugueses e publicou-se até 1833. É uma das jóias da coroa da Hemeroteca Municipal.

A Time Out Lisboa visitou esta semana o Palácio dos Condes de Tomar, ali junto ao Miradouro de São Pedro de Alcântara, e viu pela última vez nos próximos meses a Gazeta e outras preciosidades. Entre elas, o jornal humorístico  Os Ridículos, que começou em 1895 com o objectivo de “ridicularizar, apepinar, troçar a humanidade em geral e os políticos em particular”. E ainda as edições do venerado República que deram a notícia do 25 de Abril de 1974. Daqui a oito dias, começa tudo a ser encaixotado e alguém apagará a luz do palácio. A Hemeroteca muda de instalações, precisamente 40 anos depois de ali ter chegado. 

A Câmara diz que o processo será rápido e que ao longo de 2014 vai reabrir a Hemeroteca na zona da Lapa. A data certa é desconhecida, mas é sabido que durante meses a cidade estará privada desta biblioteca com 23 mil títulos de jornais e revistas, de 1715 até hoje.

O transporte dos periódicos “vai ser feito inicialmente para o depósito central da rede de bibliotecas” de Lisboa, explica Susana Silvestre, chefe de divisão da Rede de Bibliotecas da Câmara Municipal. “Numa segunda fase uma parte do acervo transitará para novas instalações e outra parte permanecerá em depósito de retaguarda como é habitual em todas bibliotecas”, acrescenta, o que pode indicar que o novo edifício tem capacidade restrita.

O encerramento esteve previsto para 7 de Setembro, depois foi adiado para 12. E agora deve acontecer no próximo dia 5 de Outubro. A degradação das actuais instalações tem sido apresentada como argumento. Susana Silvestre não quer, no entanto, entrar em detalhes. Diz apenas que em termos de alternativas, durante o período de mudanças, “o melhor é sem dúvida a Biblioteca Nacional”, que “tem uma colecção idêntica”.

O coordenador da Hemeroteca, Álvaro Costa de Matos, acrescenta que a Hemeroteca Digital (hemerotecadigital.cm-lisboa.pt) pode ser uma alternativa e por isso passará a publicar novidades todas as semanas – mas apenas de periódicos relacionados com Lisboa. Em Dezembro de 2005, o risco de derrocada do edifício já tinha levado ao encerramento temporário dos serviços, a que se seguiram obras de restauro, em Fevereiro de 2006. Nessa altura, falava-se da transferência da Hemeroteca para o antigo edifício do jornal Record, na Rua da Atalaia. A ideia chegou a ser defendida pela direcção da Hemeroteca, mas nunca se concretizou.  As novas instalações situam-se no antigo complexo desportivo da Lapa, na Rua Almeida Brandão, perto do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

O edifício ocupa uma área de dez mil metros quadrados e estava abandonado desde 2007, ano em que a empresa imobiliária de capitais públicos Estamo o comprou ao Instituto do Desporto de Portugal por cerca de 8 milhões de euros, escreveram então os jornais.

Em Junho do ano passado, a Câmara de Lisboa tomou posse do complexo e fez algumas obras. Está agora prevista a instalação da Hemeroteca e a reabertura dos espaços desportivos.

Quanto ao Palácio dos Condes de Tomar, passa para as mãos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Fonte da instituição diz que o futuro uso do palácio ainda não está definido e que numa primeira fase serão feitas obras profundas de reabilitação.

O palácio fica na Rua de São Pedro de Alcântara, foi construído por particulares na segunda metade do século XIX e comprado pelo município em 1969 – por cinco mil contos. A Hemeroteca foi ali instalada em Outubro de 1973 com base na colecção de periódicos que existiam na Biblioteca Municipal Central, no Campo Pequeno.

Em termos arquitectónicos e artísticos, explica o site da Câmara, trata-se de um edifício de linguagem romântica com soluções decorativas que incluem o estuque, o couro, o vidro pintado e colorido, o azulejo e o ferro forjado.

Para se perceber a importância da Hemeroteca bastará dizer que é frequentada diariamente por dezenas de investigadores, jornalistas e estudantes. De acordo com Susana Silvestre, houve 48 mil leitores em 2012, o que dá uma média diária de 154 pessoas.

[texto publicado na Time Out Lisboa de 25 de Setembro de 2013 , pp. 10 e 11]

domingo, 10 de março de 2013

"Se7e", 1983







 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

sábado, 17 de março de 2012

Querença

Chegou-me esta semana a edição de Março do Le Monde Diplomatique português. Novo grafismo. Passou a ser impresso em papel-jornal. Abandonou o anterior papel branco com muita gramagem. Mais prático, não muito criativo.

Na última página, um artigo do escritor Mário de Carvalho, intitulado «A semântica das atitudes». Excerto:
«Os interesses reinantes têm beneficiado do colapso dos instrumentos críticos. Da miniaturização da linguagem. Da ablação da memória. Da unicidade de critérios. Da tirania das escolhas. Do condicionamento das atitudes. Do emparedamento do gosto. [...] As opiniões correntes nos jornais são cada vez mais as opiniões dos proprietários e administradores dos jornais. Instruções dadas por telefone? Encontros misteriosos? Nem tanto. Antes o instinto de captação do comprimento de onda. Afinação dos registos. Querença.»

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Menos jornais, mais corrupção

"The World Bank produces an annual index of political corruption around the world, based on surveys of people who do business in each country. In a study published in 2003 in The Journal of Law, Economics, and Organization, Alicia Adsera, Carles Boix, and Mark Payne examine the relationship between corruption and "free circulation of daily newspapers per person" (a measure of both news circulation and freedom of the press). Controlling for economic development, type of legal system, and other factors, they find a very strong association: the lower the free circulation of newspapers in a country, the higher it stands on the corruption index."
[Paul Starr, The New Republic de 4 de Março, aqui]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Balanços de 2008

Duas frases lapidares pertencentes ao dossier "balanço do ano" da Visão:
"Dá-me o telemóvel, já!" (da aluna do liceu do Porto);
"Se não tivesse ido à televisão, provavelmente não estaria envolvido neste processo" (procurador João Aibéu, sobre Carlos Cruz).
O Ípsilon, do Público, escolhe a "tralha de 2008" das chamadas artes e letras. Melhor livro: "A Faca Não Corta o Fogo", Herberto Helder.
A versão incompleta destas escolhas está aqui.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Arquive-se

O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa arquivou o processo movido contra o director de "A Bola" pela Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens. O tribunal terá considerado que “só por censura se podia proibir alguém de dizer o que o arguido disse”. O que Vítor Serpa disse está aqui.
O arquivamento é de 16 de Maio, mas a notícia apareceu hoje, no jornal "Meios & Publicidade".
A notícia está aqui.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Primeiro o ambiente, depois a desigualdade

Um amigo que esteve por estes dias em Havana a fazer turismo trouxe exemplares da mítica imprensa do regime. Um "Granma" e um "Juventud Rebelde", que se publicam há 44 e 43 anos, respectivamente, em Cuba.

Lê-los não pode deixar de ser emocionante. O "Granma" de 10 de Junho destaca, entre outras coisas, o 80º anivesário de Che Guevara. "Hoy está más vivo que en sus cuatro décadas de existencia real. Además, son raros los revolucionarios que como Mao y el proprio Fidel, envejecen". Espanto absoluto é a mensagem comunista vir conforme a nova moda de defesa do ambiente: "Cual es la mejor manera de conmemorar los ochenta años del Che? Construir un mundo sin degradación ambiental, hambre y desigualdad social!".

Além de notícias obviamente não neutras, vem no interior de um e de outro jornais a programação televisiva dos quatro canais oficiais (Cubavisión, Tele-Rebelde, Canal Educativo e Canal Educativo 2). As noites da Cubavisión têm "A Anatomia de Grey" e "Dr House", séries originais da ABC e da Fox. Quem diria...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Génio vivo

Osama Bin Laden é um dos 100 génios vivos, segundo uma lista elaborada por uma empresa de consultoria, divulgada hoje pelo Daily Telegraph. Bin Laden está em 43º lugar. A lista é liderada pelo pai do LSD, o químico suiço Albert Hoffman. Os outros eleitos são na sua maioria norte-americanos e britânicos. Os critérios usados, diz o jornal, foram: alteração de paradigmas, popularidade, poder intelectual, importância cultural e êxito.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Notas

1 - A ler, a entrevista de António Calvário à Ana Sofia Fonseca, na Sábado (2 de Agosto). Ele há muita maneira de se falar: "Não fui casado oficialmente, mas não imagina o número de casamentos que fui tendo... E continuo a casar de vez em quando, é mais interessante. Além disso, casei com o público".

2 - O último Jornal de Letras (1 de Agosto) é quase todo dedicado ao centenário do nascimento de Miguel Torga e inclui cartas inéditas que Eugénio de Andrade, Vitorino Nemésio e Eduardo Lourenço lhe enviaram. "Estou cada vez mais convencido de que a verdadeira sorte de um escritor é sofrer", diz Nemésio a Torga, a propósito da apreensão de "A Montanha", em 1941.

3 - Em Espanha, indo além do que Santos Silva queria fazer (30 dias para as empresas usarem e abusarem dos artigos dos jornalistas), o PSOE e o PP propõem que o direito de autor seja transferido dos jornalistas para os editores.

4 - "
Cândida faleceu no anonimato suburbano. O apartamento de Massamá onde finalmente atingiu a paz fica numa praceta, os rés-do-chão cobertos de grafittis, os edifícios de seis andares na monotonia do branco e castanho." Grande reportagem de Nuno Ferreira sobre a morte de Cândida Branca Flor. Recuperada aqui.

5 - O Sérgio B. Gomes, jornalista, teve a gentileza de falar no seu
blog, Arte Photographica, do artigo que escrevi para o Público sobre as fotógrafas Diane Arbus e Francesca Woodman.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

"Gosto de jornalistas que estão lá para arder"

Vítor Silva Tavares, editor da &Etc, em entrevista a Alexandra Lucas Coelho, do "Público", hoje:

"Ainda gosto de jornalismo e de jornalistas. Obviamente, já não gosto de jornais. Não gosto da tabloidização dos jornais. Do jornal espectáculo. Fui homem de camisolas. A minha camisola em termos de jornalismo chamou-se Intransigente, em Benguela, e depois Diário de Lisboa. Não me reconheço de modo nenhum nos jornais que hoje existem. Mas sei fazer o "distinguo" dos jornalistas. Não são todos, claro, mas são alguns e esses sei reconhecê-los e gosto de jornalistas. Pessoas que ainda se queimam, porque é uma profissão para queimar. Gosto de jornalistas que têm a consciência de que estão lá para arder, num mundo que está a arder."

domingo, 15 de julho de 2007

Coisas do fim-de-semana

Teatro
Capa do programa da peça "O Avarento ou a Última Festa", de José Maria Vieira Mendes (a partir de "O Avarento", de Molière), apresentada pelo Teatro Praga no Teatro Nacional de São João, no Porto, entre 27 de Junho e 8 de Julho.
O programa tem 24 páginas e não fala apenas da peça. Celebra, também, os 12 anos de vida do Teatro Praga. Textos de Jacinto Lucas Pires (escritor), Tiago Bartolomeu Costa (crítico de dança) e Peter Sloterdijk (filósofo).
Em Janeiro de 2008, a peça vai estar em Montemor-o-Novo e em Lisboa.

Jornais
O número de Julho da edição portuguesa do "Le Monde Diplomatique" tem um artigo muito interessante sobre o "individualismo de massas" na Califórnia. É assinado por um antropólogo, Christian Ghasarian. Excerto: "Em São Francisco e em Berkeley, duas cidades da Califórnia pouco representativas do resto do país mas bem americanas, certas «transgressões» relativas à aparência física ou à «identidade» suscitam uma crescente indiferença. O anticonformismo reinante deixa de corresponder a uma contracultura e, transformado num modelo de comportamento individual, modela o modo de vida local. Este tipo de subversão satisfaz os que a protagonizam, mas já não incomoda ninguém."

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Como se justifica uma primeira página destas?

Canto superior esquerdo: "Do Cool Jazz Fest em Oeiras ao Tejo, à paisagem alentejana"
Canto inferior esquerdo: "Catástrofes: Volta Al Gore, estás perdoado (...) Nos últimos três dias, a meteorologia foi notícia em vários cantos do planeta."
Coluna da direita: "Mundo: Terrorismo na Europa está mais perto do que julgamos, afirma um juiz francês que alerta para células adormecidas"
Coluna da direita: "Lisboa: Degradação de escolas preocupa professores, que fizeram um relatório do estado miserável para enviar aos candidatos"
etc.
(o mês, no cabeçalho, está escrito em caixa baixa; e não deve ser por opção gráfica, pois, logo ao lado, "número" aparece em caixa alta)

Quando o diário "Meia-Hora" foi lançado, os seus proprietários (Metro News, detida, em metade, pela Cofina) disseram que iria concorrer directamente com o "DN" e o "Público". Tratar-se-ia, até, do primeiro gratuito "de referência", disseram. Passou-se isto há cerca de duas semanas.

Não se põe em causa o mérito das pessoas que fazem o "Meia Hora" quem nunca errou que atire a primeira pedra. Põe-se em causa a pretensão dos donos do jornal. Como querem eles que este seja um jornal "de referência" se a redacção, lê-se na ficha técnica, tem apenas seis jornalistas (sem contar com director e editores) e uma revisora?

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Silenciamento de poetas

Há arranjos entre alguns poetas e alguns críticos. Estes promovem aqueles, esquecem os restantes e assim manipulam a percepção pública. Excerto do artigo "A Diversidade da Poesia" que Joaquim Manuel Magalhães assinou na última edição do "Expresso" (suplemento "Actual", p. 50):

"As hegemonias de gostos e de grupos literários são inimigas do desenvolvimento equilibrado das épocas poéticas, pelas distorções que provocam e pela impiedade dos juízos que forçam. Não posso considerar-me um crítico profissional propriamente dito, com uma coluna permanente e uma obrigatoriedade de exercício avaliativo que tem de estar atento e referir absolutamente tudo o que vem sendo publicado. Contudo, estou atento à vontade de silenciamento de muitos e a uma certa desatenção a publicações que não envolvam alguma «protecção» peculiar. Em poetas com poucos ou apenas um volume publicado há sempre uma aventura apreciativa que não deveria perder-se, ainda que em expectação. Tento contribuir para a abertura à multiplicidade das vozes poéticas actuais, ao referir hoje três livros que diversamente me tocaram."


Os três livros são:

"Vão Cães Acesos pela Noite", de Alexandre Nave (2006)
"Diques", de Rui Pedro Gonçalves (2007)
"O Fio da Voz", de Joel Henriques (2007)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

A praia e a casa de Amália

















Qualquer coisa não bate certo, nisto. O diário gratuito Oje publicou esta quinta-feira um artigo sobre turismo rural na Casa da Seiceira, na herdade do Brejão (São Teotónio, costa alentejana). Assinado por Paula Oliveira Silva, o artigo tem por título "Ecos de Amália" e dá a entender que essa Casa da Seiceira
é a mesma que serviu de casa de férias a Amália Rodrigues.

"No tempo dos avós do actual proprietário, eram 70 e poucos hectares, mas 40 foram para a tia Francisca e cerca de 11 para Amália", lê-se. Seguem-se várias linhas sobre as estadas de Amália naquela zona. "A passagem da cantora por este local valeu-lhe o nome de uma praia, vizinha da do Carvalhal e do Porto de Pesca da Azenha do Mar."

Se se comparar o conteúdo do artigo do "Oje" com a notícia "Dói ver o estado em que está a casa de Amália, no Brejão", que Carlos Dias assinou no "Público" a 30 de Julho do ano passado, descobrem-se duas contradições.

Primeira: a casa de férias que pertenceu a Amália está ao abandono e é propriedade da Fundação Amália Rodrigues. Logo, não pode estar a servir para fazer turismo rural. Segunda: é à praia do Carvalhal que se costuma chamar "praia da Amália", não existindo, portanto, uma outra praia ao lado dessa a que tenha sido dado o nome da fadista.


Aceitam-se outras explicações.

domingo, 22 de abril de 2007

Jornais antigos à venda na Hemeroteca

A Hemeroteca de Lisboa vai vender colecções de jornais e revistas antigos, a preços abaixo dos de mercado. A iniciativa, no âmbito do projecto "Lisboa, Cidade do Livro", começa esta segunda-feira e termina no próximo sábado. (Mundo Pessoa)

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Salazarista e conservador

A triste imagem de Portugal a propósito do referendo ao aborto:

"Le débat met ainsi en lumière le malaise de cette société portugaise qui aspire à coller au peloton de l'Europe, mais traîne des "pesanteurs" idéologiques héritées de la lointaine dictature salazariste." Marie-Claude Decamps, enviada especial do Le Monde

"[The] slogan, 'A responsible Yes', may lack edge but it has been endorsed by José Sócrates, the centre-left Prime Minister, who came to power with a promise to modernise the institutions of this traditionally conservative country." Thomas Catan, em Lisboa, do The Times
"The Portuguese were observing an official day of contemplation Saturday, a day before a referendum on liberalizing abortion in this conservative Catholic nation." notícia da AP no International Herald Tribune

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Novo Público

António Granado acaba de publicar no Ponto Media os dois vídeos finais da campanha publicitária do novo jornal Público. Já é possível perceber o novo logótipo do jornal:

(acho que a voz off é péssima no timbre e na dicção)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Director do Público terá sido apanhado de supresa

Sobre a saída de Mário Mesquita do Público (neste post) o "Jornalismo e Comunicação" pediu um comentário a José Manuel Fernandes. O director do jornal diz-se "surpreendido" com o texto de Mesquita. Revela que o confrontou com alterações no vencimento e na periodicidade da coluna (coisa de que Mesquita não falou no seu texto), e confirma que lhe sugeriu que o assumir funções numa fundação coloca em causa a sua liberdade de opinador.
No mesmo comentário, Fernandes anuncia que todos os colunistas com ligações a partidos políticos vão ser convidados a sair, nomeadamente Vítor Dias (PCP), Manuel Queiró (PP), Paulo Rangel (PSD) e Teixeira Lopes (BE).

Mário Mequita deixa de ser cronista no Público porque se sente indesejado

Mário Mesquita disse este domingo adeus ao "Público" com uma crónica amarga, onde acusa o director do jornal de o considerar uma voz "inconveniente". Na íntegra:

O director deste jornal, José Manuel Fernandes, manifestou-me esta semana as suas dúvidas acerca da compatibilidade entre as funções de membro do Conselho Executivo da Fundação Luso-Americana, que vou assumir em breve, e a condição de colunista do Público. Do meu ponto de vista, não me parece haver qualquer incompatibilidade no plano ético ou jurídico. Existem, felizmente, nos jornais portugueses, colunistas que desempenham funções políticas, partidárias, religiosas, associativas, empresariais e outras, o que só contribui - presumo - para assegurar o pluralismo e a diversidade no espaço público. O próprio Presidente do Conselho Executivo da FLAD é colunista regular do Diário de Notícias. Permiti-me mesmo ironizar, dizendo qualquer coisa como isto: "Por acaso, até me parece que V. é mais pró-americano do que eu...".
José Manuel Fernandes comunicou-me que tencionava consultar o Conselho de Redacção sobre o assunto. Não sei se já teve ocasião de o fazer. Em todo o caso, após alguma meditação, decidi solicitar, desde já, a rescisão do contrato que me liga ao Público até Dezembro do corrente ano. Não por considerar que exista incompatibilidade ou conflito de interesses, mas por deduzir que o director do Público considera inconveniente a minha colaboração no jornal. E isso é quanto me basta: não gostaria de continuar a escrever num jornal onde a minha presença não é desejada.
Esta coluna começou a ser publicada em Dezembro de 1998, o que significa que possui mais de 8 anos de existência. Gostaria de tê-la prolongado até ao 10° aniversário, mas não foi possível. Ao contrário de muita gente, não tenho ilusões sobre o poder de influência dos artigos de opinião publicados na imprensa, que considero limitado, nem aceito a validade científica do conceito de "opinionmaker", que me parece corresponder aos paradigmas da comunicação em vigor durante a Segunda Guerra Mundial. Não escrevona perspectiva do "fazedor de opinião" (ou, como se diz em linguagem corrente, tendo por objectivo de "fazer a cabeça dos outros"), ideia que me parece duplamente negativa (para quem lê, mas igualmente para quem escreve), mas com o objectivo de partilhar opiniões e de contribuir para o debate público.
A terminar esta colaboração dominical, transmito, aos leitores regulares, irregulares ou casuais, a minha gratidão, com especial destaque para os que - concordando ou discordando dos meus pontos de vista - manifestaram, de viva voz ou por escrito, a sua opinião. Desejo igualmente agradecer a todos os directores, editores, jornalistas, secretárias e outros trabalhadores do Público, a eficiência e simpatia com que sempre me ajudaram a cumprir a minha (modesta) tarefa. Parafraseando Ed Murray, boa tarde e boa sorte.

ACTUALIZAÇÃO AQUI.