Mostrar mensagens com a etiqueta Expresso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Expresso. Mostrar todas as mensagens

domingo, 26 de dezembro de 2010

Convicções

«Como católico, como tem visto a actuação de Bento XVI?
A única coisa que lhe posso dizer é que não gostaria de estar na sua pele.

O casamento homossexual. Continua a opor-se?
À medida que a gente vai envelhecendo ganha-se uma tolerância crescente em relação a todas as coisas que por vezes na nossa juventude tínhamos mais dificuldade em compreender.
[«Guterres sobre homossexualidade: ‘Não é aspecto que me agrade particularmente’», Público, 17 de Setembro de 1995]

E a adopção de crianças por homossexuais?
É uma matéria sobre a qual não tenho convicções muito firmes.»

António Guterres em entrevista à revista Única, do Expresso, de 23 de Dezembro de 2010:

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Nesse tempo

"Nesse tempo, as praias eram prudentes e puritanas. Mas foi lá que aprendi a olhar um corpo, o seu erguer, o seu andar, o seu crescer, o seu clarão contra o clarão do sol. Foi aí que descobri, sob o mundo das aparências, o mundo das essências. Nesse tempo, a praia tinha barracas e grutas desertas. Tudo ali podia acontecer na rapidez com que acontecia. O prazer é vagaroso, mas o desejo é rápido. Neste pêndulo, que vai da pressa à lentidão, tudo era possível." 

José Manuel dos Santos

sábado, 1 de agosto de 2009

Teresa Ricou e as antigas boémias

"Na entrevista que me foi feita, à noite, pela Cristina Margato para a revista Actual, de 25 de Julho de 2009, do jornal Expresso, na esplanada do Chapitô, no turbilhão da madrugada, dos exames finais, entre alunos, professores, júris, convidados, fluiu uma conversa solta, feita ao correr da noite, frente ao gravador, entre graças e desgraças, ditos e memórias desfiadas, levezas e sentimentos.

Acontece que, no gravador, as palavras misturam-se e perde-se o sentido.

Só assim posso compreender que venha no texto do Actual uma caixa realçando uma frase sobre a minha vida íntima, simples nota de rodapé de antigas boémias, mas em nada relevante para a descrição deste projecto em movimento, agora premiado pela Gulbenkian."

[carta de Teresa Ricou, no Expresso, hoje, a propósito disto]


sábado, 9 de maio de 2009

"Não me venham alargá-la"

Um católico que vote no PS não está a cumprir os preceitos do Evangelho?

Não conheço o programa do PS, porque os programas dos partidos ainda não foram tornados públicos.


Conhece a parte do casamento homossexual. É abusivo dizer que a Igreja diz aos católicos para não votarem PS...

Podem fazer essa leitura. Não me peçam a mim que a faça. Porque o que dizemos sobre o casamento homossexual — acusam-nos erradamente de ser homofóbicos — só tem a ver com o conceito de família. Aliás, seria preciso mudar o Código Civil e dar uma volta à Constituição. Com a cultura que recebi, com a fé que tenho e com a compreensão da humanidade que tenho, perfilho uma concepção de família. Não me venham alargá-la ao infinito. Agora se vota neste ou naquele partido, ah isso é responsabilidade sua! Tem de se confrontar com o querer um determinado tipo de sociedade e, depois, amanhã, assumir as consequências disso.

[José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, entrevistado pelo Expresso, hoje]

foto de António Pedro Ferreira

sábado, 3 de janeiro de 2009

A crise é permanente














"Crise é o estado permanente em que sempre vivemos, desde a modernidade. Nas primeiras décadas do século XX, não houve palavra tão declinada, e o tom foi de pessimismo cultural. (...) Crise é o que a cultura ocidental arrasta consigo, a partir do momento em que se deu conta de que 'a nossa hora é a época do declínio'. A crise é consubstancial a uma cultura crítica (veja-se a etimologia comum das duas palavras), como mostrou um famoso historiador alemão - Koselleck - ao estudar a 'patogénese do mundo burguês'."
[António Guerreiro, Expresso, hoje]

sábado, 15 de novembro de 2008

Uma esquerda aniquilada

"Os factos têm vindo a falar por si: ao longo dos últimos anos, as peças-chave dessa esquerda que nunca se identificou com Sócrates têm vindo a ser paulatinamente ‘aniquiladas’. Tudo começou ainda em 2004, com Vieira da Silva, braço-direito de Ferro Rodrigues, a aceitar integrar a direcção do então recém-eleito líder socialista José Sócrates. Prosseguiu com a sua inclusão (e a de Augusto Santos Silva, que apoiara Alegre no Congresso de Guimarães) no Governo; e com a chamada de Alberto Martins (outro alegrista) à liderança do grupo parlamentar. Ferro foi ‘exilado’ para a OCDE, seguiu-se-lhe João Cravinho, ‘convidado’ para um lugar na administração do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento, em Londres. Por cá ficou ainda Manuel Maria Carrilho, que toma posse, em Janeiro, como embaixador na UNESCO." (Excerto da notícia "Esquerda do PS não acredita em Manuel Alegre como salvador", de Cristina Figueiredo, no "Expresso" de hoje.)

sábado, 1 de novembro de 2008

"Sida poderia ter sido controlada pelos políticos"

Nan Goldin, entrevistada e fotografada pelo fotógrafo Daniel Blaufuks, no "Expresso" de hoje:

"A sida foi uma doença que poderia ter sido controlada pelos políticos. Não foi por várias razões. Em 1978, o presidente da câmara de São Francisco foi assassinado. Foi o primeiro político a assumir a sua homossexualidade. [O "Público" de sexta-feira falava sobre ele, Harvey Milk, cuja vida o realizador Gus van Sant acaba de transformar em filme: "Milk", que há-de estrear-se em Portugal no próximo ano] Os homossexuais eram um grupo economicamente poderoso. Tive amigos nos anos 60 e 70 que previam que na década seguinte os homossexuais estariam todos em campos de concentração. Em 1982, vi o primeiro amigo morrer com sida. Nessa altura nem sabíamos o que era aquilo, se um cancro ou uma doença exclusivamente homossexual. Em 1983, comecei a ir a encontros políticos, debates com médicos, e entre 1985 e 1993, a maior parte dos meus amigos morreu com esta doença."

sábado, 4 de outubro de 2008

Coisas do fim-de-semana

Muito interessante, o "Expresso". Na edição de hoje:


- revela uma lista de vários artistas, num total de 70, a quem a Câmara de Lisboa atribuiu ateliês "por um prazo indeterminado, sem existência de protocolos e, nalguns casos, a título gratuito": José Pedro Croft, Lagoa Henriques, Carlos Amado, Maria Helena Matos, António Cerveira Pinto, João Vieira e até a jornalista Dina Aguiar. A listagem costa de um documento interno da Câmara, de Março do ano passado, a que o semanário acedeu;


- recorda que o julgamento do "caso Casa Pia" está na recta final, com as alegações finais a terem início a 20 de Outubro."A dimensão do processo assusta: 60 mil folhas, 250 volumes, 992 pessoas ouvidas (só em julgamento) nas 398 sessões realizadas até hoje";


- explica que "a relação Marcelo/RTP já não está intacta", porque "a direcção da RTP cortou, com o acordo do professor, 15 minutos em ‘As Escolhas de Marcelo’ e prepara-se para diversificar o comentário na estação" (daqui a uma semana, João Adelino Faria passa a apresentar os telejornais de fim-de-semana, onde terão lugar comentadores de vários quadrantes, por anunciar);


- prevê que a eutanásia vá ser o tema fracturante da próxima legislatura. " O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda tem estado a estudar o assunto, ouvindo especialistas de Medicina, Direito ou Psicologia. E também testemunhos de familiares de doentes terminais, que relatam a dimensão do sofrimento dos últimos anos de vida. 'Iremos avançar com um projecto de lei sobre o suicídio assistido. Não está previsto para esta legislatura. Mas tudo está aberto para os próximos anos', afiança o deputado Luís Fazenda.

domingo, 24 de agosto de 2008

"Acham que isto não é trabalho?!"

Teria graça se não fosse penoso. Lili Caneças em entrevista ao "Expresso", ontem:

Porque será que têm inveja de si?

Porque tive uma vida fantástica. Fui a todo o lado e passeei-me como uma rainha.

(…)

Está mesmo convencida de que conseguiria casar com Marlon Brando?

Não tenho a menor dúvida! Eu era muito lolita. Chegava lá e dizia: «Tenho 15 anos, chamo-me Alice e venho do País das Maravilhas para casar contigo.» Acham que o homem dizia que não? Sempre consegui tudo na vida, porque não haveria de ter conseguido isto? Claro que para mim não teria sido muito bom, porque depois o percurso dele não foi dos melhores.

(…)

Existir socialmente justifica-se por si só?

Têm ideia do que é ser casada com um dos homens mais ricos de Portugal? E poder almoçar no «La Tour D’Argent», pôr os filhos nas melhores universidades do mundo, receber pessoas do mundo inteiro e providenciar para que nada lhes falte? Acham que isto não é trabalho?!

(…)

Protagonizou uma das maiores farsas da TV portuguesa: a sua zanga em directo com o Herman José no «Herman SIC». Isso descredibiliza.

Têm toda a razão. Não o devia ter feito. Mas foi uma brincadeira. Adoro o Herman e ele pediu-me: «Vais ter de me ajudar, a TVI vai passar os Óscares, a RTP tem um jogo de futebol e eu estou sem audiências. Vais ter de te zangar comigo». Sei que sou uma actriz nata e arrasei-o. Quando liguei o telemóvel tinha 41 mensagens do tipo «finalmente disseste ao Herman tudo o que Portugal pensa dele», assinadas por pessoas que eu via a bajulá-lo nos aniversários dele. Dei entrevistas a desmentir, mas não acreditaram.

(…)

Ainda se diverte nas festas?

Deixei de me divertir. Percebi que há pessoas que me rodeiam que eu julgava serem minhas amigas e não o são. Fiquei muito decepcionada. Quando comecei os tempos eram outros, os jornalistas eram uma família, escolhíamos as fotografias, éramos meia dúzia de pessoas conhecidas. Agora a agressividade tornou-se horrível. Cansei-me. Quero fazer uma mudança.

Que mudança?

Depois de ver a peça Driving Miss Daisy pensei que seria muito interessante fazer Sweet Bird of Youth (Doce Pássaro da Juventude), de Tennessee Williams. Como o meu amigo Paulo Pimenta começou a estudar representação, eu disse ao Carlos Avillez que ele seria óptimo para o papel porque até é parecido com o Paul Newman, que à época representou a peça. E ele desafiou-me: «E tu vais fazer o papel da Geraldine Page». Respondi-lhe que ele não estava bom da cabeça, mas insistiu em que eu tinha talento. Acreditei e, há dez meses, comecei a ter aulas de representação com o actor Tiago Justino.

Então agora vai ser actriz?

Vou ser actriz e vou estrear em Setembro no TEC (Teatro Experimental de Cascais). Mas pretendemos fazer mais do que uma peça. Vamos criar um movimento que se chama «Geração I Have a Dream» porque gostaríamos, sem arrogância ou pretensiosismo, de pôr a representar jovens sem perspectivas de vida.

(…)

Vamos assistir ao fim da «socialite» Lili?

Vamos. Aqui acaba a Lili Caneças e começa a Maria Alice de Carvalho Monteiro.

Entrevista de Ana Soromenho e Isabel Lopes

terça-feira, 8 de julho de 2008

Definitivamente, é o 'lead' da semana

"Estamos todos mortos e ainda não nos apercebemos disso». As palavras, roubadas ao dramaturgo Eduard Bond, servem a Pedro Marques, 39 anos, para descrever aquilo que o encenador vê quando olha para o meio teatral português. Depois de meia dúzia de anos de Cornucópia, outra de Artistas Unidos, e mais dois de desemprego, desespero e insatisfação, Marques volta ao teatro, como uma crítica ao capitalismo de Gregory Motton (em estreia no Festival de Almada) e um discurso que o próprio reconhece polémico, mas necessário: «O teatro tem de se libertar rapidamente da corda do Estado e conquistar público. Uma das razões para o teatro ter pouca visibilidade junto das pessoas reside no facto deste se ter distanciado das pessoas, voluntariamente, e exactamente através dos subsídios».
Entrevista de Cristina Margato, no Expresso ("Actual") de 5 de Julho.

domingo, 15 de junho de 2008

Coisas do fim-de-semana

1 - Richard Quest, um repórter da CNN, fez uma carreira meteórica na estação e era, juntamente com Amanpour, Larry King e Anderson Cooper (um Vanderbilt, um sangue-azul americano), um dos seus cavalos de corrida e uma das suas figuras mais famosas. (...) Há dois meses, os programas desapareceram. Quando se quer saber de alguém vai-se ao Google. Quest meteu-se em sarilhos americanos. Foi apanhado às 3h40 da madrugada em Central Park com um acompanhante e um saquinho de metanfetamina no bolso. Tinha uma corda amarrada ao pescoço e aos órgãos genitais e um «sex toy» na bota, um vibrador. Ele mesmo disse aos polícias que tinha a droga, «crystal meth», no bolso. O parque impõe recolher obrigatório entre a uma e as seis da manhã. O juiz decidiu, depois de um dia de detenção, retirar as acusações se Quest entrasse em «rehab». (...) Reabilitação de quê? Da droga? A droga é um estimulante sexual muito usado pelos gays e muito em moda. Quest era um jornalista «funcional», como tantos utilizadores deste speed. O que mata a reputação não é a droga, é a sexualidade desviante. A cena da corda. Piedosamente omitida por alguns jornais ingleses. Clara Ferreira Alves, "Expresso", 14 de Junho 2008

2 - Sobre os telemóveis: "Estamos hoje na mesma situação que há 50 anos com o amianto e o tabaco. Ou não se faz nada e se aceita um risco ou se admite que há um leque de argumentos científicos inquietantes", afirma Thierry Bouillet, especialista em cancro no hospital Avicenne de Bobigny e signatário do alerta. Notícia aqui.

3 - Os custos com as dívidas incobráveis da electricidade vão passar a ser pagos por todos os consumidores. Hoje, é a EDP Serviço Universal que assume os encargos totais dessas dívidas. Mas a proposta da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) para o próximo período regulatório de 2009/11 prevê que os encargos com esses compromissos passem a ser partilhados com os consumidores de electricidade a partir do próximo ano, nas tarifas de electricidade. Notícia aqui.

sábado, 12 de abril de 2008

Lista negra

O "Expresso" publica hoje uma lista de ex-governantes que ocupam altos cargos em empresas de áreas que tutelaram. Pina Moura é o caso mais chocante: o ex-comunista já passou por sete-empresas-sete.

MOTA-ENGIL
Jorge Coelho Foi ministro do Equipamento Social entre 1999 e 2001. A Mota contratou-o para presidente-executivo. Coelho é consultor da Martifer, detida em 37,5% pela Mota.

Luís ParreirãoEra o secretário de Estado das Obras Publicas de Jorge Coelho, e é o responsável pela área de concessões da Mota há 6 anos.

Luís Valente de OliveiraÉ catedrático. Foi ministro várias vezes, a última no Governo de Barroso nas Obras Públicas. É administrador independente da Mota-Engil.

LUSOPONTE
Joaquim Ferreira do Amaral Foi ministro três vezes desde 1984, primeiro do Comércio e Turismo e depois das Obras Públicas. Desde 1995 passou pela Cimianto, Engil, Inapa e Galp. É presidente da Lusoponte e administrador não-executivo da Semapa.

SOCIEDADE LUSA DE NEGÓCIOS/BPN
Manuel Dias Loureiro Foi ministro dos Assuntos Parlamentares e da Administração Interna até 1995. Passou pela Jerónimo Martins, foi administrador da SNL e do BPN e presidente da Plêiade. Hoje é presidente da SPPM, empresa da SLN e da DL - Gestão e Consultoria.

IBERDROLA
Joaquim Pina Moura Foi ministro da Economia e das Finanças até 2001. Pouco depois torna-se presidente da Iberdrola Portugal, administrador da Galp e consultor do BCP. Mantém-se presidente da Iberdrola, é administrador da Neoenergia, da Eléctrica da Guatemala e é «chairman» da Media Capital.

EDP
António Mexia Foi administrador do BESI, antes de se ter tornado administrador da Transgás e presidente da Galp, Teve no Governo de Santana a pasta das Obras Públicas. É presidente da EDP.

GALP
Fernando Gomes Foi secretário de Estado de Soares, presidente da Câmara do Porto e ministro da Administração Interna de Guterres. É administrador da Galp.

SAPEC - GRUPO MELLO
Eduardo Catroga Foi ministro da Economia entre 1991 e 1995. Hoje é presidente do grupo SAPEC, administrador do Finantia e membro do conselho de supervisão da EDP.

BRISA
António Nogueira Leite Economista e secretário de Estado das Finanças de António Guterres. É administrador da Brisa, Efacec e Reditus.

EFACEC
Luís Filipe Pereira Foi secretário de Estado dos governos de Cavaco Silva e ministro da Saúde do Governo de Pedro Santana Lopes. Antes de ser ministro era responsável pela área da saúde do grupo Mello. É presidente da Efacec.

ENDESA
Nuno Ribeiro da Silva Exerceu cargos políticos entre 1985 e 1996. Foi assessor no Ambiente, secretário de Estado da Energia e deputado do PSD. Trabalhou como consultor da EDP, CP, Partex e Somague. É presidente da Endesa desde 2005.

O sector da banca é tratado noutro artigo do "Expresso". Seria cómico se não fosse trágico:

"Nomes relevantes como os dos socialistas Vítor Constâncio (BPI) e António Vitorino (Santander-Totta) e dos sociais-democratas Fernando Nogueira (BCP), Mira Amaral (BPI/CGD), Miguel Beleza (BCP), Manuela Ferreira Leite (Santander-Totta), Miguel Cadilhe (BCP), Manuel Dias Loureiro (BPN) e Carlos Tavares (CGD/BPSM/BTA) ou Bagão Félix (BCP) foram ou são ainda membros de órgãos sociais da banca privada portuguesa. (...) Há casos em que chegam mesmo a posições tão relevantes como a de presidente do maior banco privado, como aconteceu com Paulo Teixeira Pinto, ex-secretário de Estado da Presidência e porta-voz de Cavaco Silva.
(...) A CGD tem habitualmente como presidente alguém que já foi um destacado actor político: Rui Vilar (PS), João Salgueiro (PSD) e António de Sousa (PSD) são alguns dos exemplos. Na Caixa há sempre administradores que foram ministros, mais recentemente os casos mais notados foram os de Celeste Cardona (CDS-PP) e de Armando Vara (PS), hoje administrador do BCP."

sábado, 29 de março de 2008

Selvagens

O Ministério Público, que anda desvairado de preocupação com a birra da menina do telemóvel, não vai investigar isto?

O "Expresso" diz hoje que uma agência de viagens pagou a uma pessoa para ser abandalhada por estudantes portugueses de férias em Lloret de Mar, na Catalunha. Essa pessoa é o "Emplastro" e obviamente aparenta possuir anomalia psíquica (como na formulação usada para proibir a venda de bebidas alcoólicas).

Mesmo assim os selvagens da agência de viagens estão a usá-lo como "oportunidade de negócio". Se isto não é um atentado à dignidade humana, que é então?

Excerto da reportagem:

"E para que dúvidas não restassem, o quadro é completado com Fernando Jorge da Silva Santos, o «emplastro» do Futebol Clube do Porto. Tem 37 anos e a sua fama resulta do dom único de ser atraído como um íman para todas as câmaras fotográficas e de imagem que lhe surjam num raio de cinco quilómetros. «Um golpe de génio», confessa Miguel Nicolau, um dos responsáveis da SporJovem, a empresa líder de mercado no negócio das viagens de finalistas.

Azar, porque a ideia partiu de Nuno Macedo, da concorrente Mundo Jovem, outra das agências que disputa taco-a-taco o mercado de Lloret de Mar e a quem todos os outros tiram o chapéu depois de verem o sucesso do «emplastro». Com uma camisola da agência vestida e olho em qualquer telemóvel ou máquina fotográfica que exista nas redondezas, Fernando avançava implacável e exigia ficar em todos os retratos. Não restam dúvidas de que nos álbuns de fotografia de quase todos os 15 mil estudantes que passaram este ano em Lloret haverá um anúncio subliminar e, claro, à borla...

«Este é um target muito apetecível, e muitos aproveitam esta oportunidade de negócio», diz Filipe Paulino, colega de Miguel Nicolau na SporJovem. Ambos entraram nesta carreira depois de uma viagem de finalistas passada em Lloret de Mar. No ano seguinte, foram convidados a voltar, a captar associações de estudantes, a acompanhá-los e a recolher dividendos." texto de Rosa Pedroso Lima, foto de Rui Ochôa

sexta-feira, 21 de março de 2008

Bravas lésbicas

É preciso dar os parabéns ao Bernardo Mendonça pela reportagem sobre lésbicas que assina hoje no "Expresso" (excerto em vídeo aqui). Parabéns a ele e às visadas. Por isto:

- a assunção pública de homossexualidade de Solange F., apresentadora do programa "Curto-Circuito", da SIC Radical; além da cantora Dina, numa reportagem da SIC, em 1996, nunca uma figura pública lésbica se assumiu publicamente em Portugal;

- ter o jornalista conseguido juntar numa só reportagem, e em "on", seis lésbicas, quando é certo que as lésbicas são muito mais avessas à exposição pública que os homens gays.

Agora, é preciso ver a profissão delas: consultora de Recursos Humanos, empresária de restauração, produtora de espectáculos, editora, gestora de [crédito] de risco e apresentadora de TV.
Ou seja, são todas profissionais liberais, por conta própria ou quadros qualificados. Isso não é nada despiciendo. Fossem assalariadas comuns e, quase de certeza, não se exporiam desta forma, por receio de represálias. E isto não é igual a dizer que elas não são corajosas. São.
Mas são lésbicas urbanas, instruídas, em ambiente social mais ou menos favorável. O país real gay não é feito delas. É feito de lésbicas como aquelas de que falou o "Correio da Manhã" há dias. Vivem em Viana do Alentejo e são acusadas de bruxaria por alguns vizinhos.
(foto de Tiago Miranda)

P.S.: Já agora, tomo boa nota do facto de o Bernardo ter lido o primeiro parágrafo deste artigo com atenção.

domingo, 30 de dezembro de 2007

"Sócrates não tem princípios"

Pacheco Pereira e António Barreto analisaram o ano de 2007 e fizeram conjecturas para 2008 no "Expresso" de ontem. Muito interessante. Só é pena que sejam sempre os mesmos, nos mesmos sítios, com as mesmas opiniões. Excerto:

Pacheco Pereira:
"Sócrates é muito dominado pelo sentido de eficácia e utilidade, não tem princípios, é um homem característico dos tempos modernos."


"2008 vai ser sobretudo um ano de muita propaganda, uma actividade em que ao lado deste Governo os homens do SNI fariam figura de meninos de coro."

António Barreto:
"A lógica do Governo é dar nas vistas, comprar votos e tornar as pessoas dependentes, gratas e reverentes. Isto é detestável, isto é uma sociedade detestável."

"A comunicação social tem vindo nos últimos anos a perder o que eu chamo o trinómio brio, dignidade e independência. Esta situação resulta, em primeiro lugar, da precariedade do emprego, o recurso crescente a jovens estagiários mal formados, mal preparados. Essas pessoas não têm dignidade profissional e brio deontológico porque são dependentes."

sábado, 10 de novembro de 2007

Primeiro, primeiro não será

Merece as maiores reservas a notícia do "Expresso" de hoje segundo a qual o "primeiro mini-aerogerador português", o Turban, foi criado este ano no Instituo Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI), por uma equipa liderada por Ana Estanqueiro.

Sem querer ser desmancha-prazeres, devo recordar isto: nos idos de 70, Eurico da Fonseca, então director do Centro de Estudos Especias da Armada portuguesa, foi responsável pelo desenho e construção dos mini-aerogeradores da empresa Autosil. Destinavam-se a abastecer habitações isoladas e explorações agrícolas, na Serra da Estrela (em unidades de ordenha e elaboração de queijos), em Melides e em Cabo Verde. O primeiro desses aerogeradores entrou em funcionamento em Março de 1981.

Este Turban, de que fala o "Expresso", pode até ser diferente dos que desenhou Eurico da Fonseca. Mas dizer que é o primeiro em Portugal é arriscado.

sábado, 29 de setembro de 2007

Marília Gabriela no "Expresso" de hoje:

"Aliás, adoro estar contra tudo e todos, o tempo inteiro, nas minhas escolhas. Não tenho o perfil de cordeiro. Para onde vão todas as pessoas, eu escolho precisamente a direcção oposta. Quero sempre tentar o outro lado porque deve ter uma coisa nova e interessante. É assim que tenho conduzido a minha vida e não me arrependo. Até aqui só tem sido mais enriquecedor. Porque imagino que todos tenhamos uma função enquanto vivemos. Vou-me testando nos meus limites. Corro riscos. Gosto de correr riscos! Foi o que escolhi para a minha vida e vou continuar até morrer."

"O meu dever como figura pública é fazer o meu trabalho, que é o que é publicado, da melhor forma possível. O resultado desse trabalho, enquanto jornalista e actriz, é o que tenho por obrigação oferecer a quem me consome. Agora, a minha vida particular só interessa a mim e às pessoas que eu mais quero. Não tenho um dever público nem um preço a pagar. Esse raciocínio é medíocre. (…) É culpa da globalização e do comércio, que, de repente, descobriu que esse filão rende muito ao mercado editorial. E há também uma vocação do ser humano nesse sentido. O ser humano não é flor que se cheire. É cruel."

Aí está ela:

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Notas

1 - Finalmente, começaram as guerras no Conselho Regulador da ERC. No "Expresso" do dia 15, Rui Assis Ferreira e Luís Gonçalves da Silva criticam as intervenções públicas de Azeredo Lopes e Estrela Serrano. “Considero que no exercício de cargos públicos existe um dever especial de urbanidade, contenção e ponderação que lamentavelmente nem sempre tem sido cumprido”, diz Gonçalves da Silva. O Indústrias Culturais fala sobre o tema.

2 - O novo romance de António Lobo Antunes chama-se "O Meu Nome é Legião" e vai ser publicado em Outubro pela D. Quixote. O romance, diz a editora, usa linguagem de relatório policial e descreve "o quotidiano de um bando de uma zona a que o autor chama simplesmente Bairro e que pode evocar as zonas periféricas das grandes cidades".

4 - O "Sol", um ano depois: "Fomos alvo de concorrência desleal por parte de alguns títulos, cujo nome eu não gostaria de citar. Tiveram uma atitude de chantagem para com os anunciantes, em que ofereciam descontos àqueles que não colocassem anúncios no Sol", diz José António Saraiva ao DN.

5 - Sally Field ganhou ontem à noite o Emmy para Melhor Actriz Principal em Série Dramática e foi censurada. A Fox, que transmitia a cerimónia, cortou as imagens quando a actriz disse: "If mothers ruled the world, there would be no god-damned wars in the first place". Vídeo:


segunda-feira, 2 de julho de 2007

Cesariny "pop star"

Duas notícias do fim-de-semana, que demonstram, uma vez mais, o estatuto de estrela popular que o poeta Mário Cesariny ganhou nos últimos tempos:

1 - O foyer do Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) vai passar a chamar-se
Galeria Mário Cesariny, revelou Mega Ferreira, director do CCB, no "Expresso" de 30 de Junho. "Na próxima temporada, que o presidente do CCB apresenta no dia 11, haverá nesse espaço a que chamou Galeria Mário Cesariny, lugar para duas pequenas mostras de homenagem a escritores, uma em Novembro e outra em Fevereiro", escreve o jornal.

2 -
Há três poemas de Cesariny na compilação de música "Lisboa", de uma nova editora portuguesa, a Lisboa Records. "Disco de músicos, este é também um disco de poetas e, sobretudo, de um poeta em particular, Mário Cesariny, de que figuram aqui três textos estupendos: Passagem a Limpo, Poema e You Are Welcome to Elsinore, assinado por um colectivo intitulado BCN, que junta Abelho, Eleutério, Ruben Costa e Hugo Leitão", lê-se no suplemento "Actual", do "Expresso".

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Silenciamento de poetas

Há arranjos entre alguns poetas e alguns críticos. Estes promovem aqueles, esquecem os restantes e assim manipulam a percepção pública. Excerto do artigo "A Diversidade da Poesia" que Joaquim Manuel Magalhães assinou na última edição do "Expresso" (suplemento "Actual", p. 50):

"As hegemonias de gostos e de grupos literários são inimigas do desenvolvimento equilibrado das épocas poéticas, pelas distorções que provocam e pela impiedade dos juízos que forçam. Não posso considerar-me um crítico profissional propriamente dito, com uma coluna permanente e uma obrigatoriedade de exercício avaliativo que tem de estar atento e referir absolutamente tudo o que vem sendo publicado. Contudo, estou atento à vontade de silenciamento de muitos e a uma certa desatenção a publicações que não envolvam alguma «protecção» peculiar. Em poetas com poucos ou apenas um volume publicado há sempre uma aventura apreciativa que não deveria perder-se, ainda que em expectação. Tento contribuir para a abertura à multiplicidade das vozes poéticas actuais, ao referir hoje três livros que diversamente me tocaram."


Os três livros são:

"Vão Cães Acesos pela Noite", de Alexandre Nave (2006)
"Diques", de Rui Pedro Gonçalves (2007)
"O Fio da Voz", de Joel Henriques (2007)