Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens

domingo, 18 de janeiro de 2015

Don Bachardy aquém e além Isherwood

São quase 50 anos de retratos de actores, realizadores e argumentistas. Hollywood é o álbum em que o artista plástico Don Bachardy ostenta uma voz própria. Mesmo se viveu sempre eclipsado pelo génio do companheiro, Christopher Isherwood.



[uma versão deste texto saiu no Público/Ípsilon de 17 de Dezembro de 2014]

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

"O meu nome não era eu, era o que outros fizeram de mim" (excerto)


E de repente, no fim de 2014, aparece o livro gay mais impressionante dos últimos 12 meses. Acabar com Eddy Bellegueule, autobiografia sob a forma de romance, relato atroz da violência física, verbal e simbólica sobre um adolescente homossexual que vive numa aldeia e pertence a uma família pobre. “Um manifesto sobre a possibilidade de nos reinventarmos”, diz o autor, Édouard Louis.

A Time Out entrevistou-o, há dias, em Lisboa. Rapaz alto, magro, de sorriso tímido, muito curioso, nasceu há 22 anos numa aldeia de Hallencourt, no Norte de França. Vive agora em Paris, onde estudou sociologia. Começou a escrever este primeiro romance quando tinha 19. É ele o protagonista da história, quando ainda se chamava Eddy Bellegueule.

Entretanto, mudou de nome, matou o passado e arrumou-o neste livro – trazido para Portugal por uma nova editora lisboeta, Fumo Editora, com tradução do crítico António Guerreiro. O realizador André Téchiné, adianta Édouard Louis, vai adaptar a história ao cinema e o filme deverá sair em 2016.


Fez questão de ser entrevistado pela Time Out Lisboa quando lhe disseram que é a única publicação em Portugal que escreve regularmente sobre a realidade gay. Porquê?
Porque sou gay e é importante falar para o público gay. Muitos artistas e escritores têm problemas com isso. Há pouco tempo, em França, houve grande controvérsia por um jornalista se ter dirigido a Xavier Dolan com a expressão “realizador gay”. Ele respondeu: “Sou realizador, não sou um realizador gay”. Para mim é muito importante afirmar esta condição. Aliás, tento mostrar com o livro que a homossexualidade foi a única maneira que encontrei de fugir da minha família. Foi por ser homossexual que consegui fugir.

Se não fosse homossexual teria reagido de outra forma?
A princípio, foi um problema, a família do Eddy dizia-lhe que ele não fazia parte da família, porque era homossexual. Ele tentou tudo para ser normal, quis jogar futebol, quis gostar de mulheres. Mas depois percebi que era impossível, sentia este desejo e continuava a ser um rapaz feminino. No fim do livro, mostro que foi por os outros dizerem que eu era diferente que não tive outra escolha que não fosse ser diferente e fugir. A sociologia explica isto: se houver cinco filhos numa família pobre e um deles abandonar a família, são altas as hipóteses de ele ser homossexual.



[uma versão desta entrevista foi publicada na Time Out Lisboa de 3 de Dezembro de 2014, p. 78]

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Literatura gay como nunca ninguém a viu




O primeiro dicionário de literatura LGBT portuguesa é uma ideia da editora Índex. Electrónico e gratuito, escreve Bruno Horta.

O que é um livro ou um filme gay? Há peças de teatro gay? Porque é que um bar frequentado por todo o tipo de pessoas deve ser considerado gay? O que é gay não é para todos? Se é para todos, para quê chamar-lhe gay? São estas perguntas sem resposta definitiva que circulam com mais ou menos frequência pela redacção da Time Out Lisboa.

Pois parece que o dilema não é só nosso e acaba de fazer novas vítimas. São eles João Máximo e Luís Chainho, coordenadores do novo Dicionário de Literatura Gay e responsáveis pela editora que o dá à estampa, Índex Ebooks – primeira editora portuguesa de literatura LGBT em formato digital, fundada em Março de 2012.

O dicionário, descrito por João Máximo como “o primeiro do género em português, tanto quanto se saiba”, começa a ser publicado já na próxima segunda-feira, 24. Electrónico e gratuito, pode ser descarregado através das lojas online Amazon, Google Play e Apple e no site de impressão a pedido (print on demand) Lulu.com. É projecto para durar cerca de um ano. Ao longo dos próximos meses vão saindo fascículos que correspondem às letras do alfabeto.

Para já, sai o tomo da letra “A”. Começa com A Alma Trocada, de Rosa Lobato Faria, e vai até Aula de Poesia, de Eduardo Pitta. Foi este primeiro volume que a Time Out já leu numa versão provisória. Nele aparecem livros como A Vida de Horácio, de José António Almeida; Antinous, de Fernando Pessoa; ou Agradece o Beijo, de Ana Zanatti; e notas biográficas de Ary dos Santos ou Al Berto.

Nas primeiras páginas surge um aviso que demonstra a dificuldade dos coordenadores na escolha do conteúdo. “A inclusão de um autor, editor, livreiro, ou qualquer outra pessoa, não tem qualquer significado em relação à sua orientação sexual. O único critério para inclusão de autores ou outros prende-se com a sua contribuição para a literatura gay”, lê-se.

João Máximo explica à Time Out que o objectivo do aviso é o de “evitar causar melindre”. E dá um exemplo. “Há uma entrada para António Lobo Antunes, por causa do livro Que Farei Quando Tudo Arde? Ele não é um autor de literatura gay, mas aquela obra  é de temática gay.”

O mesmo responsável nota que ele e os colaboradores do projecto, cuja lista final de nomes está por fechar, não são académicos nem especialistas em literatura. “Não temos a veleidade de fazer uma análise literária profunda, por isso é que se trata de um dicionário e não de uma enciclopédia. Limitámo-nos a elencar referências, não estamos a fazer crítica ou estudos comparados”, afirma. “O objectivo é ter uma lista exaustiva: tudo quanto soubermos e conseguirmos apurar, entra.”

Com capa inspirada numa serigrafia de Salvador Dalí, o dicionário junta algumas ideias e sugestões recolhidas através de um fórum que os editores criaram em 2012 no site GoodReads. Pela primeira vez, sob a forma de fichas de leitura, junta-se informação dispersa que pode ser útil a quem acompanha a temática LGBT. A grafia escolhida é a do Acordo Ortográfico de 1990.

Há citações e hiperligações de diversas fontes, uma das quais a Time Out Lisboa (por iniciativa dos organizadores), e são apenas referidos autores de língua portuguesa publicados em Portugal. “Limitámos o âmbito, porque não temos acesso a especialistas que nos dêem informações sobre tudo o que sai nos países de língua portuguesa”, justifica João Máximo. “O critério principal é o interesse que certos livros ou autores têm para a comunidade LGBT. A fronteira não é fácil de definir, haverá sempre lugar a grandes debates”, conclui.
[texto publicado na Time Out Lisboa de 19 de Fevereiro de 2014, pp. 64]

sábado, 21 de dezembro de 2013

Uma visão pessoalíssima de Natália Correia


O Botequim da Liberdade
Fernando Dacosta
Casa das Letras / Leya
ISBN 978-972-46-2195-1

A narrativa que o jornalismo constrói sobre si mesmo, com reflexos nas leis e no entendimento público da profissão, é largamente ficcional. Os jornalistas não assumem que o seu trabalho é apenas uma forma de ler, descrever, pensar e recriar o mundo – tal como o cinema documental, o teatro, a fotografia ou as histórias que as avós contam. O jornalismo abjura a ficção, mesmo se faz uso dela, e jamais aceita que o discurso que produz seja outra coisa que não um reflexo directo do real.

É por isso que ainda hoje persiste o mito da objectividade jornalística – mito criado na Europa na segunda metade do século XIX para permitir que os jornais, até então de causas e partidos, pudessem chegar a mais gente e produzir maiores lucros, como afirma José Rebelo em O Discurso do Jornal (2000).

Ora, se nos ficássemos pelo autoconceito do jornalismo, dificilmente poderíamos entender O Botequim da Liberdade, de Fernando Dacosta (n. 1945), e menos ainda considerá-lo um dos melhores livros portugueses de 2013.

A obra não nos propõe um relato objectivo, como o que por norma se espera de um jornalista. É, antes, uma visão pessoalíssima de Natália Correia (1923-1993), cruzamento de jornalismo e tributo, memórias pessoais e factos históricos, interpretações e suposições. Uma resenha engajada sobre um período recente da nossa vida colectiva. O autor assume, em nota final, que se trata de uma narrativa e antes deixa dito: “Com Natália Correia nem sempre havia fronteiras entre ficção e realidade.”

O Botequim do título, bar fundado por Natália no Largo da Graça, em Lisboa, em 1971, e ainda hoje em funcionamento, depois de alguns anos de interrupção, é descrito como um espaço onde se “navegava delirantemente em demanda de continentes venturosos.” O registo lírico de Dacosta: “No cenário da política e da cultura portuguesas das últimas décadas do século XX, o bar ocupou um espaço angular. Por ele, pelas suas fabulosas madrugadas, passaram projectos exaltantes de artes, de utopias, de convívios, de generosidades, de cumplicidades; pela sua saleta de músicas e cetins, estratégias de revoluções, de governos, de diplomacias, de socialismos, foram feitas, desfeitas, sem desânimo nem culpa.”

Natália “poeta, dramaturga, romancista, ensaísta, cronista, conferencista, deputada, oradora, editora, tradutora” é interpretada como “forte e desprotegida, imponente e indefesa, egoísta e generosa, arguta e ingénua, dissimulada e frontal.” Muito para além da imagem sedutora, primeiro, e combativa, depois, que o grande público dela guardará, O Botequim da Liberdade conta uma Natália mística até à náusea. A mulher que acreditava em amores lunares com piano ao fundo era, afinal, uma maga de energia andrógina.

O tema da sexualidade, caro ao autor, percorre inúmeras páginas, enquanto a actualidade do pensamento de Natália, à luz da crise que vivemos, é exaustivamente sublinhada.

O jornalista recupera um tempo em tons impressionistas. Esteve lá e viveu. Não quis ser objectivo no relato. A objectividade, às vezes, é sinal do não-vivido. Bruno Horta

[texto publicado no Diário de Notícias - caderno QI de 21 de Dezembro de 2013, p. 13]

quinta-feira, 21 de março de 2013

O "fact checker" de A Sangue Frio

«The mistakes in In Cold Blood are especially striking because the material originally appeared in The New Yorker, which, along with Time magazine, originated the practice of fact checking and has for many years been famous for the reliability of its content. I recently discovered that the New Yorker staffer assigned to check “In Cold Blood” was a man named Sandy Campbell, and that Campbell’s fact checking file for the story is in the special collections of the library of the University of Delaware, where I work. I decided to give it a look. The file has not been mentioned in any book or article about Capote or In Cold Blood that I’ve found; as far as I can tell, no one has previously examined it in the context of the book’s veracity. Now that I’ve done so, I think I understand why the story passed muster at The New Yorker, stretchers and all.»

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Mais Herta Müller

"Hoje Preferia Não Me Ter Encontrado", de Herta Müller, vai ser publicado em Portugal a 29 de Agosto, anunciou hoje a D. Quixote. O original é de 1997 (aqui).

Diz a sinopse fornecida pela editora:
"Na viagem de eléctrico que a leva às instalações da Polícia Secreta, hora marcada, dez em ponto, a jovem narradora vê a sua vida passada em revista: a infância na cidade de província, a fixação semi-erótica no pai, a deportação dos avós, o casamento ingénuo com o filho do «comunista perfumado», a felicidade precária que vive com Paul, apesar do fardo que a bebida impõe ao amor que ela lhe dedica.
Quase chegada ao destino, levanta-se de repente uma altercação no carro eléctrico que leva o guarda-freio a saltar precisamente a paragem em que devia sair. Vê-se numa rua desconhecida, onde descobre Paul com um velho de aspecto suspeito. Decide então não comparecer ao interrogatório."

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A última entrevista de Jean Genet


Foi dada à BBC no Verão de 1985. A transcrição aparece na edição portuguesa de O Sorriso do Anjo, em 1992 (tradução de Alberto Nunes Sampaio).
O site da Gulbenkian tem uma ficha de leitura deste livro. 
Genet nasceu há cem anos, a 19 de Dezembro de 1910.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

1 - Genet nasceu há cem anos (19 Dez 1910)


"Genet n'etait pas un homme juste. Il se moquait pas mal d'être ou de ne pas être juste. Il portait des jugements acerbes et sans appel sur les gens et ne laissait pas à son interlocuteur la moindre chance de constester ses a priori." (p.47)

"Il n'aimait pas la France, je  dirais même qu'il la haïssait. C'etait une obsession. Il aimait pour s'en moquer appeler la France la fille aînée de L'Église." (p. 50)

"Je me suis longtemps demandé quel sens donner à la relation de Genet avec Mohamed Al Katrani, son dernier ami, peut-être son dernier amant. [...] Genet avait cherché du travail pour Mohamed, pas pour l'argent, mais pour sa carte de séjour. [...] À son retour à Paris, Mohamed annonça à Genet que ses parents lui avaient trouvé une épouse, une cousine évidemment. Genet m'apelle et m'annonce la nouvelle en ces termes: «Mohamed se marie avec sa cousine; je vais avoir petit-fils»." (p. 71-76)

"D'après la biographie d'Edmund White, Genet a eu deux hommes dans sa vie: Jean Decarnin, un jeune résistant tué lors des combats pour la libération de Paris le 19 août 1944, et Abdallah. Genet ne m'a jamais parlé du premier. En revanche, el m'a souvent raconté par bribes son histoire avec Abdallah. Avec pudeur, avec poésie." (p.145)

Jean Genet, Menteur Sublime
Tahar Ben Jelloun 
ed. Gallimard, 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

"Simbolismo estetizante"

Já saiu a nova Colóquio/Letras (n.º 175), com data de Setembro-Dezembro de 2010. 
Um artigo sobre Manuel Teixeira-Gomes, da autoria de Ana Alexandra Seabra de Carvalho, diz do escritor e antigo presidente da República que tinha uma escrita com "sabor barroco ao nível lexical e metafórico, caro também ao simbolismo estetizante." 
Vide aqui.

O sumário desta edição está aqui.

sábado, 14 de agosto de 2010

"Aquela coisa"

Por volta dos 25 anos regressou a Portimão para trabalhar com o pai e passou a viver com Belmira das Neves, uma adolescente de origem modesta. Tiveram duas filhas e nunca se casaram, porque, segundo a interpretação consensual, um homem da classe dele nunca poderia desposar uma mulher do povo. O facto de Teixeira Gomes ser casado e ter filhas, tem sido apontado como explicação para negar a sua homossexualidade.
«Até mais ou menos aos anos sessenta do século XX, as pessoas a quem hoje chamamos homossexuais não excluíam a possibilidade de casar e depois tinham “aquela coisa” fora do casamento com pessoas do mesmo sexo», contrapõe o professor António Fernando Cascais.

sábado, 17 de julho de 2010

"La Meilleure Part des Hommes"

"Ce conte moral n’est pas une autofiction. C’est l’histoire, que je n’ai pas vécue, d’une communauté et d’une génération déchirées par le Sida, dans des quartiers où je n’ai jamais habité." Tristan Garcia, 2008

domingo, 30 de maio de 2010

Memórias


"The dark and rather sordid episode when he checked in under a fake name and binged on crack cocaine, male escorts and room-service vodka for nearly three weeks." Aqui.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Na última semana de Maio

"O título Álvaro Cunhal - Sete Fôlegos do Combatente apenas arranha o conteúdo de umas memórias que poderão provocar uma radical revisão da imagem do líder comunista que se mantém fixada pela história. (...) Para Carlos Brito, este volume não é decididamente uma apologia a Álvaro Cunhal: "É o meu ponto de vista." Acrescenta que não desmerece o líder comunista: "É uma homenagem à sua memória.'"
DN, hoje

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sibarita frascário

"Saio de Ayamonte com o velho cocheiro Ramon, para quem todo o gozo humano se consubstancia na «buena hembra» e no «anisado del Mono». Sibarita frascário, nos limites de um «Don Juan» de estrebaria, suas aventuras conheço-as bem, tantas vezes mas tem contado, mas escuto-as de novo, complacente, enquanto espraio a vista pela paisagem."
Manuel Teixeira Gomes, Cartas Sem Moral Nenhuma (1903)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Rimbaud

Descoberta nova fotografia.
Aqui e aqui.

[ADENDA: Em Fevereiro de 2011, uma notícia deu conta de que não é Rimbaud quem está na foto - aqui]

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

"Verónica Decide Morrer" em Cascais

Verónica Decide Morrer, de Emily Young, estreia-se em Portugal a 16 de Setembro, no MedCine, Festival de Cinema Médico de Cascais (aqui e aqui). O filme adapta o romance de Paulo Coelho com o mesmo título.

domingo, 16 de agosto de 2009

Ler não chega

"Pelo meio surgem cafés que já não existem, tertúlias propícias ao excesso e à “noivadiagem”, iniciações à arte tipográfica em que Paulo da Costa Domingos (sobretudo nas décadas de 80 e 90) se tornou o nosso miglior fabbro e um dos mais inventivos editores europeus. A receita, simples mas ao alcance de poucos, é-nos dada de forma inequívoca: “Manter um vigilante e apertado nexo entre qualquer significado estético e os seus modos de produção e difusão — disto nunca se deve abrir mão.” Aí está uma máxima, severamente livre, que não encontraremos nos reinantes concubinatos editoriais ou em delirantes planos nacionais de leitura. Passa por aqui, num tom austero mas contundente, uma outra ética: “A leitura faz de nós melhores pessoas; [...] isso consolidou em mim o autodidacta.” Congruentemente, a figura do intelectual ou do funcionário poético é alvo de extrema corrosão. Aos “consumidores de ideias feitas” e à “escumalha da crítica e do jornalismo”, Paulo da Costa Domingos contrapõe, sem rodeios, que “ler não chega; há que ver e ouvir pela abertura do coração, comovidamente”."
[crítica de Manuel de Freitas ao livro Narrativa, de Paulo da Costa Domingos, no Expresso ("Actual"), ontem; sem ligação]

quarta-feira, 11 de março de 2009

Al Berto vai ao teatro

Durante uma hora e meia, em cima de um estrado azul, andam dois actores: Ana Lúcia Palminha e Pedro Gil (é a primeira vez que contracenam os dois). Ela tem tanto de bom e de mau, como de masculino e feminino. Ele, que está em casa, já enlouquecido pela solidão, deixa-se seduzir e troca de género. Um e outro confundem-se, deixam de ser personagens e passam a ser o poeta Al Berto. Essa transmutação faz-se no escuro, numa tensão constante, ao som da música de David Bowie, Velvet Underground e Einstürzende Neubauten.

Para não quebrar a surpresa, só podemos revelar isto. A peça chama-se A Noite e tem estreia marcada para esta quinta-feira, 12, na sala estúdio do Teatro D. Maria II. Trata-se de uma criação do grupo de teatro O Bando, encenada por João Brites. A Noite tem por base vários textos de Al Berto (1948-1997), autor de culto para muitos gays e um dos mais conhecidos poetas portugueses do século XX. Tornou-se célebre à conta dos relatos literários sobre a marginalidade, social e homossexual, que viveu durante os anos do exílio em Bruxelas, entre 1967 e 1974.
(...)Para os “albertianos” mais fanáticos é bom dizer que a peça abre com excertos de uma curiosa gravação áudio feita em Janeiro de 1992, em Coimbra, durante uma sessão de poesia em que Al Berto participou. Essa gravação, revelada pelo blogue Frenesi em 2007, mostra um Al Berto já bebido a quem o barulho e a indiferença da assistência enchem de raiva (“Vocês são mesmo ordinários, foda-se”, diz o poeta).
[Time Out Lisboa, hoje; aqui]

terça-feira, 10 de março de 2009

A conta em que se têm

"'Os intelectuais, tal como os artistas em geral, são pessoas com mau carácter', alerta Pedro Mexia (...). De onde lhe vem a convicção? 'Da experiência de contacto pessoal e da leitura de biografias'. Quase sem excepção, são gente de 'maus hábitos', assegura Miguel Esteves Cardoso".
[no artigo "Públicas Virtudes, Vícios Privados", de Filipa Melo, sobre o livro Intelectuais, de Paul Johnson; Ler de Março]

Bookmark and Share