domingo, 25 de março de 2012
Tem visto OVNIs por Lisboa?
terça-feira, 2 de março de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Um espectáculo com hormonas

Esta cena a que a Time Out assistiu na semana passada é uma das dez cenas que Raquel Freire tem vindo a filmar e que vai exibir esta sexta e sábado, dias 30 e 31, durante a performance “Nósoutrxs”, no teatro São Luiz, como parte da programação do festival Temps d’Images 2009.
Dez intérpretes, quase todas mulheres, vão estar perante o público (50 lugares). “O espectáculo é sobre rebentar com o que é considerado normal e natural em relação ao género e à identidade das pessoas”, explica Raquel Freire, uma das autoras, juntamente com Marta Mateus, da banda O'queStrada."
[Time Out Lisboa, hoje; foto: Nuno Fox; aqui]
domingo, 26 de julho de 2009
Confirma-se
"De fora estão por enquanto questões consideradas fracturantes, como, por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo - um assunto que José Sócrates prometeu há seis meses avançar na próxima legislatura - e o testamento vital, há dias adiado para o próximo ano.(...) O programa eleitoral do PS será apresentado na próxima quarta-feira, em mais uma sessão do Fórum Novas Fronteiras."
sábado, 11 de julho de 2009
Uma mulher
Para que conste, esta reportagem sobre o Arraial Pride 2009 (publicada na edição on-line da Time Out Lisboa a 7 de Julho e na edição impressa a 8 de Julho) tem um erro factual:
A chuvada que às três da manhã caía sobre Lisboa obrigou o Arraial Pride a meter a viola no saco. O DJ Rui Murka tentava resistir com Frankie Goes To Hollywood e a verdade é que o “Relax” até levou muita gente a despir a t-shirt e dançar à chuva. Mas não havia condições e a organização teve mesmo de decretar o fim da festa.
Nem mesmo este desfecho antecipado arruinou o Arraial Pride 2009, na noite de 27 para 28 de Junho, junto à Torre Belém. Pode dizer-se que não houve mácula na 13.ª edição da mais antiga festa LGBT portuguesa, organizada pela associação ILGA Portugal. Cada vez menos ‘guetizado’, o Arraial começa a prestar mais atenção à boa qualidade do cartaz. E, no entanto, não deixa de ser um momento tão ou mais político que a Marcha do Orgulho LGBT. Foi, por exemplo, criado um espaço de convívio para crianças, com o objectivo de tornar visível a homoparentalidade.
António Variações foi cantado por duas vezes (por Plastic Poney e pelos Les Baton Rouge). A travesti Ruth Bryden foi homenageada num espectáculo de Deborah Kristal e amigas. O auge chegou com a espanhola Terremoto de Alcorcón, um homem vestido de mulher que canta êxitos de Madonna ou Gloria Gaynor com letra apalhaçada. Gritava “maricones”, “vivan los coños”, dançava, parodiava, era a rainha da noite. Muitos casais ‘hetero’, bom ambiente, ar profissional.
E muitas mulheres. Só os discursos não se ausentaram, coisa que a ILGA anunciara. Paulo Côrte-Real e Sara Martinho, dirigentes da associação, foram ao palco dizer que é preciso lutar para que gays e lésbicas possam em breve fazer a pergunta: “Queres casar comigo?”.
La Terremoto de Alcorcón é uma mulher, de facto. Não um travesti. Há mais sobre ela na Wikipedia. A mesma reportagem foi reproduzida no blogue oficial do Arraial Pride, tendo os autores desse blogue decidido suprimir o erro factual, sem no entanto indicarem que o estavam a fazer.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Quando os homossexuais se tornaram homens


Os gays de Tom of Finland já não eram os homens andróginos e efeminados que a pose de Oscar Wilde tinha criado na cabeça das pessoas. Deixaram de ser vistos como qualquer coisa parecida com as mulheres – o terceiro sexo, como então se dizia. Eram agora fisicamente tão robustos quanto os heterossexuais, tinham profissões tão viris como os outros e mesmo que fossem sexualmente passivos orgulhavam-se disso.imagens do livro Tom of Finland XXL (org. Dian Hanson), ed. Taschen, 2009. 150€.
quarta-feira, 25 de março de 2009
O 'bas-fond' mais 'bas-fond' de Lisboa
A já longa história do Trumps começa em Março de 1981. Era apenas uma pequena boîte que ocupava aquilo que hoje é a pista de dança do lado esquerdo de quem entra. Ao lado ficava outro bar, que teve vários nomes. Rocambole foi um deles. Pedro Dias, 63 anos, sócio do Trumps há 13 e actual gerente, recorda: “Enquanto o Trumps era um sítio ligado a pessoas da moda, da televisão e dos jornais, o Rocambole era o bas-fond mais bas-fond de Lisboa, onde às três da manhã iam parar prostitutas, prostitutos e chulos”.
[na Time Out Lisboa, hoje; aqui]
quinta-feira, 19 de março de 2009
Jesus abriu a porta aos homossexuais
É um livro rebelde e já estaria confiscado se vivêssemos há 40 anos. José António Almeida , autor de O Casamento Sempre Foi Gay e Nunca Triste, agora publicado, consegue juntar em apenas 54 páginas um poderoso conjunto de ideias iconoclastas que, no mínimo, fariam corar um santo. Raras vezes se viu algo parecido na literatura gay portuguesa. “Encontramo-nos no ponto exacto em que a palavra ‘paneleiro’ ainda não se transformou semanticamente e de forma cabal na palavra ‘pioneiro’”, escreve o autor – para explicar que apesar de todas as conquistas de direitos o casamento gay é apenas o quilómetro zero da História dos homossexuais. Essa causa e a crítica à posição oficial do Vaticano sobre a homossexualidade são os temas principais do livro.(...) A ideia mais polémica deste livro é a de que os homossexuais só têm protagonismo social hoje porque o cristianismo o permitiu. A “sacralização do par masculino-feminino sob a forma de casal heterossexual matrimoniado” não é uma ideia absoluta para o cristianismo. “Antes é amplamente relativizada” pelos valores do celibato sacerdotal e da virgindade. “É esta relativização do casal heterossexual que abre espaço para o posterior surgimento, embora eventualmente não desejado à partida, de outra realidade: o par homossexual”. Com esta passagem, fica dada a estocada final: “A figura celibatária de Jesus de Nazaré (…) veio possibilitar em termos culturais o aparecimento do homossexual autónomo e progressivamente emancipado dos nossos dias”.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Al Berto vai ao teatro
Para não quebrar a surpresa, só podemos revelar isto. A peça chama-se A Noite e tem estreia marcada para esta quinta-feira, 12, na sala estúdio do Teatro D. Maria II. Trata-se de uma criação do grupo de teatro O Bando, encenada por João Brites. A Noite tem por base vários textos de Al Berto (1948-1997), autor de culto para muitos gays e um dos mais conhecidos poetas portugueses do século XX. Tornou-se célebre à conta dos relatos literários sobre a marginalidade, social e homossexual, que viveu durante os anos do exílio em Bruxelas, entre 1967 e 1974.
(...)Para os “albertianos” mais fanáticos é bom dizer que a peça abre com excertos de uma curiosa gravação áudio feita em Janeiro de 1992, em Coimbra, durante uma sessão de poesia em que Al Berto participou. Essa gravação, revelada pelo blogue Frenesi em 2007, mostra um Al Berto já bebido a quem o barulho e a indiferença da assistência enchem de raiva (“Vocês são mesmo ordinários, foda-se”, diz o poeta).
[Time Out Lisboa, hoje; aqui]
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Os silêncios e os rapazes
Em 1944 há uma ordem de serviço da Mocidade Portuguesa que determina a expulsão de dois dirigentes. Um por “não ter sabido honrar o uniforme”. O outro por “falta de idoneidade moral”. Que significam estes eufemismos? “Admito que se tratasse de casos de pederastia ou de homossexualidade, admito, mas não encontrei provas”, diz à Time Out o jornalista Joaquim Vieira, 58 anos, autor do livro ‘Mocidade Portuguesa’, recentemente publicado (ed. Esfera dos Livros).
(...) Ao mesmo tempo que ‘militarizava’ a população masculina, a organização pretendia que os rapazes entre os sete e os 25 anos colocassem no centro das suas vidas a ideologia do regime, a religião católica e, principalmente, a cultura física. Entre 200 a 500 mil rapazes em idade escolar eram todos os anos chamados à organização. Algumas das fotos mostram essa dimensão física. E sobre elas não será difícil fazer uma leitura homoerótica. Contactado pela Time Out, o historiador Fernando Rosas, especialista no Estado Novo, assegura que essa leitura faz todo o sentido. “O culto do corpo, da juventude e da raça, tal como na Juventude Hitleriana, remete para uma perspectiva homossexual e por vezes erótica”, explica. De resto, a expulsão de um dirigente por “falta de idoneidade moral” é, para o historiador, “o exemplo acabado da linguagem oficial da época para casos de práticas pedófilas ou homossexuais”.
[Na "Time Out Lisboa", ontem; excerto; artigo completo aqui]
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Católicos homossexuais reúnem-se em Lisboa
A opinião é conservadora, mas, ao contrário do que se poderia supor, José (nome falso, para protecção de identidade) não é membro da hierarquia da Igreja. Aos 39 anos, este católico praticante é, antes, responsável pelo grupo Rumos Novos, primeiro e único grupo católico homossexual em Portugal. (...)
[na "Time Out Lisboa" de 11 de Fevereiro; artigo completo aqui]
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Mário Viegas: Se fosse vivo, faria 60 anos
Na "Time Out Lisboa" de 5 de Novembro; excerto:
“Nunca fui um homossexual porco. Nem chulo. Mas com os meus olhos castanhos, caracóis, 26 e 27 anos, bigode latino-americano, fui um êxito sexual”. Assim falava o actor, encenador e declamador Mário Viegas, que, se fosse vivo, faria esta semana 60 anos.
(...)Polemista até à medula, acabaria por protagonizar, em 1995, um episódio de antologia. Em Setembro desse ano, o deputado do Partido Socialista Carlos Candal publica o famoso Breve Manifesto Anti-Portas
Em relação à vida dos outros parecia gostar de igual transparência. Além da frase “quando é que tantos actores se assumem, cobardes”, que anotou na autobiografia, deixou escapar, numa entrevista, em 1993, esta pérola: “Não acho que seja necessário ser amante dos políticos para receber subsídios. Acham que o
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Contos da era da sida
Sexo, loucura, doença e morte, relações difíceis entre pais e filhos. É disto que fala o primeiro livro de contos do escritor luso-americano Richard Zimler, Confundir a Cidade com o Mar.
Escritos entre 1992 e 1997, são 16 contos anteriormente publicados em revistas literárias anglo-saxónicas (London Magazine, Yellow Silk ou Tikkun) e agora reunidos pela primeira vez. (...)
As relações entre iguais têm protagonismo e decorrem quase sempre na América, durante a década de 80, quando a sida apareceu e era tida como uma doença dos homossexuais. Ainda assim, o autor, homossexual assumido, recusa empurrar o livro para a secção gay ou queer. “Prefiro evitar rótulos”, esclarece Zimler, em resposta a perguntas da Time Out, via email.
No conto “Aprender a Amar”, por exemplo, aparece em cena um escritor octogenário, Giovanni, às portas da morte. O narrador despede-se dele, enquanto confessa: “É o único homem com quem dormi alguma vez. Não faço ideia se sou bissexual ou se tive simplesmente sorte em tê-lo conhecido. As minhas fantasias são quase sempre com mulheres, mas consegui ter sexo fantástico com ele”.
Em “Ladrões de Memórias”, o desaparecimento de um quadro do pintor Fernand Léger dá origem a uma discussão familiar. As suspeitas recaem sobre um irmão, que é gay e teria vendido o quadro para pagar tratamentos hospitalares para a sida.
Em “Pontos de Viragem”, um homem hetero tenta ajudar o jovem Denny a aceitar-se como gay e acaba por descobrir que o próprio pai teria uma sexualidade dúbia.
Segundo explica o escritor, a sua vida pessoal está plasmada nestes textos. A morte de um irmão, em 1989, vítima de complicações relacionadas com a sida, determinou o tom fúnebre que adopta e as constantes referências à loucura. “Descobri, através das minhas próprias dificuldades, que a loucura está muito perto de nós. Basta uma experiência traumática e podemos cair num mundo em que os contornos normais estão ausentes”, diz Zimler. Quanto ao sexo, aparece aqui por ter sido uma descoberta muito importante para o autor. “O sexo salvou-me a vida”, afirma. “Era um adolescente e jovem adulto tímido, reprimido e desajeitado. Quando consegui manter uma boa relação sexual com outra pessoa pela primeira vez, aos 22 anos, a minha vida melhorou muito. Foi como se pudesse respirar livremente pela primeira vez”.
Zimler nasceu Roslyn Heights, perto de Nova Iorque, em 1956. Vive em Portugal desde 1990 e ensina jornalismo na Universidade do Porto. Naturalizou-se português há seis anos. Publicou vários romances, o mais conhecido dos quais é O Último Cabalista de Lisboa (1996).
Confundir a Cidade com o Mar é editado pela Oceanos (grupo Leya) e custa cerca de 15 euros.
sábado, 2 de agosto de 2008
Judia, lésbica, escritora
É a primeira tradução portuguesa da poesia de Adrienne Rich, escritora judia e lésbica, de 79 anos, apontada como uma das vozes mais marginais e políticas da literatura americana contemporânea.Dizemos judia e lésbica, à cabeça, porque a origem étnica e a orientação sexual são centrais na poesia de Rich. Numa muito completa introdução à edição portuguesa (assinada pelas tradutoras Maria Irene Ramalho e Monica Varese Andrade), explica-se que a sua poesia é feita de referências históricas, autobiográficas e efabuladoras. E que “têm eco claro nos seus poemas” o Movimento pelos Direitos Cívicos, o Movimento de Libertação das Mulheres, a Frente de Libertação Gay, o feminismo lésbico, a guerra do Vietname e o apartheid sul-africano.
De resto, como filha que é de um pai judeu e de uma mãe cristã, tem vivido a tentar encontrar-se. “Só quem [como Rich] sofre as consequências directas de não ter identidade certa sente necessidade de afirmar a sua”, dizem as tradutoras.
O livro, em edição bilingue, reúne vários poemas de todos os 19 livros de versos que Rich publicou até hoje, entre 1951 e 2007. Um dos volumes mais importantes é The Dream of a Common Language (“O Sonho de uma Língua Comum”), de 1978, onde consta o longo poema “Vinte e Um Poemas de Amor”, de um evidente erotismo lésbico.
Casada entre 1953 e 1970, ano do suicídio do marido, Rich vive desde 1976 com a escritora Michelle Cliff. Ao que explica a introdução, a autora participou na edição portuguesa, ajudando na escolha de poemas. Bruno Horta
sexta-feira, 4 de julho de 2008
O Vereador no seu Labyrinto
Pedro Feist, vereador sem pelouro da Câmara Municipal de Lisboa, disse na semana passada, numa reunião pública do executivo, que o clube de sexo gay Labyrinto desenvolve actividades que “ferem os usos e costumes”, pelo que deve ser encerrado. O clube abriu portas a 22 de Abril na Rua dos Industriais e é o primeiro do género no país.
Pedro Feist explica que em Maio recebeu em audiência uma “comissão informal de moradores” que lhe entregaram uma cópia do artigo que a Time Out dedicou à abertura do Labyrinto. “Queixaram-se de um tipo de actividade de que discordam”, relata Feist. Essa “actividade” é a prática de sexo entre homens, clientes da casa.
Segundo depois noticiou o jornal Público, o autarca referiu-se ao clube como uma “casa de prostituição gay”. É a primeira vez em Portugal que um político toma posição sobre um estabelecimento comercial gay – confirmou a Time Out junto de Sérgio Vitorino, activista gay há 15 anos, e de António Serzedelo, activista há 34 anos. Os donos do Labyrinto falam em “difamação e homofobia” e pensam avançar para tribunal.
A polémica começou há cerca de um mês, quando Feist pediu ao presidente da Câmara, António Costa, que mandasse averiguar a legalidade das licenças do estabelecimento. “Mais tarde, ele disse-me que a Polícia Municipal já lá tinha ido, mas não sabia em que pé estava o assunto. Por isso, na última reunião de Câmara, voltei a falar do tema”, afirmou Feist à Time Out. António Costa voltou a ser evasivo: o assunto está com a Polícia Municipal, disse. Tentámos obter um comentário do presidente, mas Costa mostrou-se indisponível.
Pedro Feist (ex-militante e ex-secretário geral do CDS-PP, eleito vereador independente pela lista de Carmona Rodrigues), confirma as declarações feitas na reunião, mas introduz uma nuance: “Não sei se é uma casa de prostituição gay, ocorreu-me chamar-lhe isso baseado nos artigos de imprensa que tenho lido.”
Feist tem duas preocupações principais. Primeira: “a actividade desenvolvida dentro do clube e as eventuais ilegalidades do licenciamento”. Segunda: o facto de ser “desadequado” um clube de sexo junto à Assembleia da República e ao Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
Não foi possível obter comentários do ISEG. A assessoria de imprensa de Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, diz “não ter conhecimento do clube”, acrescentando que o Parlamento “não tem de se pronunciar sobre a legalidade de estabelecimentos comerciais privados, isso é uma competência da Câmara”. Bruno Horta
Artigo completo aqui.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
O que é que o Chiado tem?
Já reparou que no Chiado há pessoas e maneiras que não se vêem em parte nenhuma da cidade? Sente-se nas esplanadas da Brasileira e da Bénard e em três tempos saberá do que falamos. É uma espécie de “parada” gay diária – mas sem palavras de ordem.
A zona onde há cem anos se passeavam artistas e aristocratas abre agora alas a todo o género de gays, nada preocupados, como é hábito, em disfarçar sinais da sua orientação sexual. Não se importam de andar aos beijos ou de dar as mãos. Apostamos que nunca viu tal coisa em Alfama ou em Benfica.
Para que este artigo não pareça uma fraude, é melhor confessar já que não temos resposta para a pergunta que serve de título. E não foi por falta de perguntar. A olisipógrafa Marina Tavares Dias ajuda-nos a sustentar a falta: “Ninguém sabe porque é que três ruas estreitas e inclinadas são o passeio das elites lisboetas há tantos anos”. Refere-se à Rua do Carmo, Rua Nova do Almada e Rua Garrett. “Já li vários estudos de distintos olisipógrafos, todos fazem essa pergunta, mas não chegam a nenhuma conclusão.”
Embora confesse “não ligar nenhuma às minorias ou maiorias” que andam pelo Chiado, Marina Tavares Dias admite que esta zona “continua a ter uma frequência mais caprichada, de pessoas mais interessantes”. E concretiza: “Sempre foi um espaço chique, tão chique que no século XIX havia quem nem se atravesse a passar por lá. Hoje, como a sociedade, em geral, está nivelada por baixo, as elites culturais desapareceram, mas as pessoas que têm um procedimento diferente do da maioria continuam a sentir-se bem no Chiado.” Bruno Horta
sábado, 31 de maio de 2008
Cuidado com os Rapazes
Na "Time Out Lisboa" de 28 de Maio; excerto: O livro demorou seis meses a ser escrito. E apesar da temática e da linguagem, o autor não hesitou numa vírgula. “Não quero saber se as pessoas vão pensar que sou gay. Sei o que sou e não tenho telhados de vidro”. Ao seu lado, durante a escrita, esteve sempre a mulher, a actriz Maria Vieira. “Ia lendo à medida que eu escrevia. Houve momentos em que ela jogava as mãos à cabeça e achava que ninguém me ia publicar, mas gosta muito da história”.
Num café no centro de Lisboa, Fernando Duarte Jorge, de 46 anos, fala à Time Out do seu primeiro romance, O Jardim dos Perversos – que já está nas lojas e vai ser apresentado na próxima terça-feira, dia 3, às 18.30, no El Corte Inglés, pelo antigo investigador criminal Francisco Moita Flores.
A história mostra o dia-a-dia de 19 adolescentes arruaceiros que vivem em Moscavide no fim dos anos 70. São filhos de famílias pobres e passam o dia na rua a roubar discos nas lojas, a assaltar homossexuais, a fumar droga, e, muitas vezes, a prostituir-se. São imorais, mas professam uma lealdade mútua à prova de bala.
(...)
Dos 34 capítulos, dez giram em torno do sexo entre homens. Há passagens que remetem para a pedofilia, embora o autor informe que não quer confundir as coisas. “A homossexualidade é uma atracção como outra qualquer. A pedofilia é um dos piores crimes que há. Quando eu tinha 14 anos e ia ao terminal de comboios do Rossio via grupos de homens a manterem conversa com miúdos”, recorda. “Acontecia às claras, à vista da polícia. Os adultos compravam sexo às crianças, muitas delas provavelmente eram da Casa Pia.” Terá sido o caso de pedofilia naquela instituição que o levou a incluir episódios de pedofilia no livro? “É natural que esses acontecimentos recentes tenham reavivado a minha memória. Sei que hoje continua quase tudo na mesma, simplesmente há 30 anos era à luz do dia”, responde. Bruno Horta
Artigo completo aqui.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Tagus não errou
A polémica campanha publicitária da cerveja Tagus “não se encontra desconforme” à Constituição Portuguesa e às leis da publicidade.
É esta a opinião maioritária de um júri do Instituto Civil da Autodisciplina da Publicidade (ICAP), entidade de auto-regulação do sector. A deliberação foi publicada na semana passada e tem data de 11 de Dezembro.
Em Novembro, a campanha da Tagus, da responsabilidade da agência Lowe & Partners, encheu a cidade de Lisboa e outra capitais de distrito com cartazes que remetiam para o site orgulhohetero.com. A utilização dessa expressão foi condenada por associações de defesa dos homossexuais. E duas queixas foram apresentadas ao ICAP, alegando desrespeito pelo artigo 13º da Constituição, que estabelece que ninguém pode ser discriminado em função da orientação sexual.
Segundo a deliberação agora conhecida, o slogan “orgulho hetero”, decalcado da expressão “orgulho gay”, não é ofensivo. É “uma prática intertextual”, diz o ICAP. Dois dos cinco membros do júri, os advogados Carlos Raposo do Amaral e João Veiga Gomes, votaram contra. “A campanha continha publicidade discriminatória”, defenderam, em declaração de voto. Sara Martinho, uma das queixosas, disse à Time Out que não vai recorrer da decisão.Bruno Horta


