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sábado, 13 de junho de 2009

"Acho que ser pai me fará feliz"

O que ganha como politico é suficiente para a vida que leva?
Se não tivesse património, provavelmente escolheria outra vida. Se tivesse filhos para educar, uma casa para manter, tinha que mudar de trem de vida.

É solteiro. Gostava de ter filhos? Gostava.

Faz parte dos seus projectos de vida?
Tenho tantas urgências. mas está nos nos meus horizontes. Não faz sentido passar por este mundo e não acompanhar e fazer o que estiver ao nosso alcance por uma criança.

Quando os tiver vai ser tão conservador e intransigente como parece?
Dar-lhes-ei a melhor educação que estiver ao meu alcance e serei muito exigente. Mas teria que os compreender sempre.

É por uma questão de descendência ou de perpetuação do nome que deseja ter filhos?
É por uma construção de felicidade. O que é uma questão pessoal e não política. Acho que ser pai me fará feliz.

Como é que reagiu às palavras de Francisco Louçã, na altura do referendo à interrupção da gravidez, quando disse que não tinha autoridade na matéria porque não sabia o que era dar vida?
Ficou à vista a tentação totalitária que paira naquela cabeça. Uma cabeça inteligente mas com uma tendência totalitária.

Como reage aos boatos que correm sobre si?
Não ligo nem quero saber. Tenho uma amiga que diz que se alguém não gosta de nós é esse alguém que fica a perder. Aprendi com o padre João Seabra na universidade que a velocidade do rumor é infinitamente superior à da verdade. Já sou catedrático nisso.
[Paulo Portas no "Expresso", hoje; entrevista de Cândida Santos Silva, fotografia de José Ventura]

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O nome e a coisa

Quase todas as edições online dos jornais têm a notícia, mas só um jornal diz o nome:


"O advogado Paulo Sá e Cunha, responsável pela defesa do ex-provedor da Casa Pia, Manuel Abrantes, referiu-se, hoje, no início das suas alegações, a um documento que levanta suspeitas do envolvimento do ex-ministro Paulo Portas no escândalo de pedofilia"
- Público


«É ou não de estranhar que este documento estivesse guardado por Catalina Pestana e não estivesse nos autos?» questionou o advogado, lembrando que o manuscrito continha o nome de um político ligado ao Governo da altura (PSD/CDS-PP), o mesmo Executivo que a nomeou para dirigir a instituição. - Sol

No início das suas alegações finais, o advogado Paulo Sá e Cunha fez críticas à investigação, atacou Catalina Pestana, revelou não partilhar a tese da cabala, mas envolveu o CDS no escândalo. - Correio da Manhã

ACTUALIZAÇÃO: O Público alterou aquele 'lead', passando a falar apenas em "suspeitas do envolvimento de um ex-governante".

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Mário Viegas: Se fosse vivo, faria 60 anos

Na "Time Out Lisboa" de 5 de Novembro; excerto:


“Nunca fui um homossexual porco. Nem chulo. Mas com os meus olhos castanhos, caracóis, 26 e 27 anos, bigode latino-americano, fui um êxito sexual”. Assim falava o actor, encenador e declamador Mário Viegas, que, se fosse vivo, faria esta semana 60 anos. Nasceu em Santarém a 10 de Novembro de 1948, às 23.30, meia hora antes do Dia de S. Martinho – escreveu o próprio na folha de sala da peça Europa Não! Portugal Nunca! (1995).


(...)Polemista até à medula, acabaria por protagonizar, em 1995, um episódio de antologia. Em Setembro desse ano, o deputado do Partido Socialista Carlos Candal publica o famoso Breve Manifesto Anti-Portas em Português Suave, onde insinua que Paulo Portas, então candidato pelo CDS às eleições legislativas, é homossexual. Mário Viegas aparece então numa conferência de imprensa da UDP, partido pelo qual se candidataria mais tarde à Presidência da República, e afirma: “Sou homossexual assumido, estou na política e a UDP nunca me colocou qualquer entrave”. Classifica como “nojento” o manifesto de Candal, porque “ofende milhões de homossexuais que sofrem perseguições”.


Em relação à vida dos outros parecia gostar de igual transparência. Além da frase “quando é que tantos actores se assumem, cobardes”, que anotou na autobiografia, deixou escapar, numa entrevista, em 1993, esta pérola: “Não acho que seja necessário ser amante dos políticos para receber subsídios. Acham que o La Féria, que recebe tantos subsídios, é amante do Santana Lopes [à época secretário de Estado da Cultura]? Que eu saiba, o Santana Lopes não é homossexual”. Bruno Horta

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Vaidade na cidade

A cidade proibida deste livro é a alta sociedade lisboeta de hoje, de que faz parte Martim, personagem principal. Uma alta sociedade (classe média alta, como lhe chama Pitta, que "tem preconceitos mas não dinheiro que chegue") em que Rupert, namorado de Martim, tenta entrar. Não consegue e desiste da relação."Cidade Proibida" serve como guia da vida gay dos ricos da Lisboa de hoje. São surpreendentes as alusões a Francisco Louçã/Paulo Portas e a Diogo Infante (p. 107).

sábado, 2 de setembro de 2006

"A felicidade é uma língua rara, qua­se morta"

A infelicidade é o principal tema do artigo de opinião que o jornalista e escritor Miguel Esteves Cardoso (MEC), primeiro director do jornal O Independente, assina no último número do semanário, publicado ontem. Numa edição reduzida a 32 páginas e onde não há notícias, apenas opinião e imagens de arquivo, MEC aparece na última página. Dedica o texto, a que chamou "Mal", a Paulo (Portas), co-fundador, com ele, do título, em 1988. "O meu jornal", escreve, "já não vai voltar. Não se diga que não faz mal". Reproduzimos o artigo abaixo.
Nas páginas interiores, destaca-se a análise do jornalista Leonardo Ralha aos últimos 18 anos da imprensa portuguesa. "Quase nada resta dos desalinhados", conclui, referindo-se ao fim de O Independente e ao facto de a maior parte dos órgãos de comunicação social portugueses estar nas mãos de grandes grupos económicos.

MAL

Para o Paulo

Com que então são estas as últimas palav­ras que vou escrever no meu jornal. Que miseráveis são. E que mal que ficam. Mal. Mas têm de contar o que podem, porque nada pode ficar para a semana. Ou para outra semana. Porque esta é a última semana que sai "O Independente".
Sim. Está mal. Mal.
A felicidade é um raio de uma semen­teira que, uma vez plantada, nunca mais pára de dar fruto. E pena o fruto ser um veneno tão grande, sem antídoto, sem fim. É pena o fruto ser a saudade, o abatimen­to, e o desespero na versão mais comezin­ha e mais fatal, de já não haver esperança, de já não valer a pena esperar, por maior que a pena possa ser e por muitos (e bons, e pacientes) que haja, dispostos a suportá-la.
Mas a felicidade é nisto que dá, mais tarde ou mais cedo, mas sempre cedo de mais. Mesmo quando é muito tarde, dá em tristeza e saudade, e noutras coisas não tão bonitas de se dizer, mas que por isso mesmo, por essa fealdade humana, custam mais a sentir e são mais solitárias e difíceis de partilhar.
Em cada um que trabalhou aqui fica um luto particular, só dele, só dela, diferente do luto grande que a todos magoa - um luto não menos grande, tão feito de tudo o que fez, como de tudo o que não pôde fazer, tão incapaz de distinguir cada uma das peque­nas lutas, ganhas ou perdidas, da grande que hoje perdemos de vez.
Fui, fomos muito felizes aqui n'O Independente, dia após letra após riso após vida após dia. E, nos momentos mais felizes de todos, não foi atrás das páginas que essas felicidades se escon­diam. Não se escondiam. Exibiam-se em cima delas: estavam lá escritas. Viam-se.
Liam-se. Não havia esconderijos. Estava tudo à mostra. Era lindo.
A felicidade é uma língua rara, qua­se morta. Mas, bem conversada e pagi­nada, volta à vida e até se deixa escrever, quando a deontologia está de costas e a ontologia, oportunista, manda-a foder. E deixa-se fotografar. E ilustrar. E nós escrevemo-la e fotografámo-la e ilus­trámo-la aqui, de vez em quando, quan­do tivemos sorte, quando tudo sorria e era só cerejinhas.
Hoje a cerejeira vem abaixo e toda essa doçura amarga e apodrece na alma. Há muito para amargar. Há muito para apo­drecer. Se a alegria não tivesse sido tão gran­de, talvez se pudesse esquecer; talvez se pudesse destilar; talvez se pudesse engarra­far e depois beber. Talvez pudéssemos embebedarmo-nos todos juntos mais uma vez. Mas foi. Foi uma alegria muito grande. E agora é preciso pagar em dor e saudade; sofrer sem saber ler nem escrever - e sem ao menos ter o jornal nas mãos, todas as sextas-feiras, para consolar. Não é bom.
É escusado fingir que há um lado bom. Não há um lado bom. Não eram ginjas. Não eram ambíguas ou agrido­ces: eram cerejinhas. Eram luzidias. Não dão para fazer ginjinha. De nada ser­vem as aguardentes.
Os jornais são feitos para o dia em que saem. Não duram. Não ficam.
Ainda não estão acabados. É por isso que voltam todas as semanas, todos os dias. O Independente" já não vai voltar. "O Independente" já não é um jornal.
Não se diga que não faz mal. Faz mal.
Faz sim.


Miguel Esteves Cardoso, O Independente, 1 de Setembro de 2006

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Morreu O Independente

A capa do último número de O Independente já está disponível no 'site' do jornal. "Ponto final", é a manchete, sem outros destaques.
O semanário fundado por Paulo Portas, Manuel Falcão e Miguel Esteves Cardoso estava mergulhado numa profunda crise financeira desde há vários anos. Vendia actualmente pouco mais de nove mil exemplares. Falharam consecutivamente as tentativas de venda do título, detido, entre outros, por Vítor Cunha e pela directora, Inês Serra Lopes.
A última edição chega esta sexta-feira às bancas e, adiantava o Diário de Notícias de 31 de Agosto, tem um "mega-editorial da directora" e um artigo sobre "a situação da comuniação social ao longo dos últimos 18 anos".