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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Os bancos agora fabricam bons futebolistas

A entrevista do director de comunicação do BES é um momento antológico. Paulo Padrão fala ao "Diário de Notícias" como se fosse ele o autor das campanhas publicitárias do banco (não é, é uma agência de publicidade) e incha-se com sucessos que só o são retrospectivamente. Forma muito inteligente de estar na vida, portanto.

Incapacidade para se remeter à sua insignificância:
"Apesar de não sabermos se ia ou não ao Euro, em Janeiro de 2004 enchemos Lisboa com cartazes com a cara do Cristiano Ronaldo. Fizemos dele um herói",

Confissão própria de quem não tem pais ricos:
"A estratégia foi simples. Concentrámo-nos [o BES] num território - a fotografia - e apropriámo-nos dele."

Estocada final:
"Das realidades transversais, o futebol é a única patrocinável. Tão bom como o futebol só mesmo a família ou a religião."

sábado, 12 de abril de 2008

Lista negra

O "Expresso" publica hoje uma lista de ex-governantes que ocupam altos cargos em empresas de áreas que tutelaram. Pina Moura é o caso mais chocante: o ex-comunista já passou por sete-empresas-sete.

MOTA-ENGIL
Jorge Coelho Foi ministro do Equipamento Social entre 1999 e 2001. A Mota contratou-o para presidente-executivo. Coelho é consultor da Martifer, detida em 37,5% pela Mota.

Luís ParreirãoEra o secretário de Estado das Obras Publicas de Jorge Coelho, e é o responsável pela área de concessões da Mota há 6 anos.

Luís Valente de OliveiraÉ catedrático. Foi ministro várias vezes, a última no Governo de Barroso nas Obras Públicas. É administrador independente da Mota-Engil.

LUSOPONTE
Joaquim Ferreira do Amaral Foi ministro três vezes desde 1984, primeiro do Comércio e Turismo e depois das Obras Públicas. Desde 1995 passou pela Cimianto, Engil, Inapa e Galp. É presidente da Lusoponte e administrador não-executivo da Semapa.

SOCIEDADE LUSA DE NEGÓCIOS/BPN
Manuel Dias Loureiro Foi ministro dos Assuntos Parlamentares e da Administração Interna até 1995. Passou pela Jerónimo Martins, foi administrador da SNL e do BPN e presidente da Plêiade. Hoje é presidente da SPPM, empresa da SLN e da DL - Gestão e Consultoria.

IBERDROLA
Joaquim Pina Moura Foi ministro da Economia e das Finanças até 2001. Pouco depois torna-se presidente da Iberdrola Portugal, administrador da Galp e consultor do BCP. Mantém-se presidente da Iberdrola, é administrador da Neoenergia, da Eléctrica da Guatemala e é «chairman» da Media Capital.

EDP
António Mexia Foi administrador do BESI, antes de se ter tornado administrador da Transgás e presidente da Galp, Teve no Governo de Santana a pasta das Obras Públicas. É presidente da EDP.

GALP
Fernando Gomes Foi secretário de Estado de Soares, presidente da Câmara do Porto e ministro da Administração Interna de Guterres. É administrador da Galp.

SAPEC - GRUPO MELLO
Eduardo Catroga Foi ministro da Economia entre 1991 e 1995. Hoje é presidente do grupo SAPEC, administrador do Finantia e membro do conselho de supervisão da EDP.

BRISA
António Nogueira Leite Economista e secretário de Estado das Finanças de António Guterres. É administrador da Brisa, Efacec e Reditus.

EFACEC
Luís Filipe Pereira Foi secretário de Estado dos governos de Cavaco Silva e ministro da Saúde do Governo de Pedro Santana Lopes. Antes de ser ministro era responsável pela área da saúde do grupo Mello. É presidente da Efacec.

ENDESA
Nuno Ribeiro da Silva Exerceu cargos políticos entre 1985 e 1996. Foi assessor no Ambiente, secretário de Estado da Energia e deputado do PSD. Trabalhou como consultor da EDP, CP, Partex e Somague. É presidente da Endesa desde 2005.

O sector da banca é tratado noutro artigo do "Expresso". Seria cómico se não fosse trágico:

"Nomes relevantes como os dos socialistas Vítor Constâncio (BPI) e António Vitorino (Santander-Totta) e dos sociais-democratas Fernando Nogueira (BCP), Mira Amaral (BPI/CGD), Miguel Beleza (BCP), Manuela Ferreira Leite (Santander-Totta), Miguel Cadilhe (BCP), Manuel Dias Loureiro (BPN) e Carlos Tavares (CGD/BPSM/BTA) ou Bagão Félix (BCP) foram ou são ainda membros de órgãos sociais da banca privada portuguesa. (...) Há casos em que chegam mesmo a posições tão relevantes como a de presidente do maior banco privado, como aconteceu com Paulo Teixeira Pinto, ex-secretário de Estado da Presidência e porta-voz de Cavaco Silva.
(...) A CGD tem habitualmente como presidente alguém que já foi um destacado actor político: Rui Vilar (PS), João Salgueiro (PSD) e António de Sousa (PSD) são alguns dos exemplos. Na Caixa há sempre administradores que foram ministros, mais recentemente os casos mais notados foram os de Celeste Cardona (CDS-PP) e de Armando Vara (PS), hoje administrador do BCP."

sábado, 19 de janeiro de 2008

Frases

"Estaria a mentir se dissesse que me reconheço no actual Governo"
Manuel Alegre

“Os portugueses têm quatro vidas: a vida em família, no trabalho, a vida social e uma vida secreta”
Wladimir Schrijver (o título da notícia não lembra ao diabo)

"É vê-los apregoar aos outros, aos assalariados, as virtudes da meritocracia, enquanto ganham os favores do Estado por meio de milionárias concessões monopolistas."
Luís Marvão, Office Lounging

domingo, 20 de maio de 2007

Directora de museu faz publicidade a banco

Quem dirige um museu do Estado e veicula, nessa qualidade, mensagens publicitárias age na legalidade? Ou, melhor: quem dirige um museu do Estado acha que fazer publicidade é eticamente correcto, independentemente do que diga a lei?

A directora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), Dalila Rodrigues, responderia "sim" às duas perguntas.

Na edição de ontem do "Expresso", aparece citada numa página de publicidade, com as seguintes frases: "Com as actividades previstas para a Noite dos Museus pretende-se uma abordagem mais diversificada, apelativa e contemporânea do tema Arte e Paisagem. Evidentemente, esta programação é apenas possível com o apoio do Millenium bcp".

Mas perante quem responde Dalila Rodrigues: perante o banco em causa, que é mecenas exclusivo do MNAA, ou perante o ministério da Cultura, que a nomeou para o cargo (em Setembro de 2004)?

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Notas

Duas notícias do Expresso de hoje:

1 - A APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros) e a UEP (União de Editores Portugueses) vão, pela primeira vez na história da Feira do Livro de Lisboa, gerir e programar o evento. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) assume que vai deixar de ser “o executor directo” da Feira, mantendo apenas um apoio financeiro (100 mil euros a cada uma das associações), assegurando também a logística e segurança do recinto de 26 de Maio a 10 de Junho.

2 - Sabia-se da sua existência há 30 anos, mas o paradeiro era desconhecido: três manuscritos de Eça de Queirós foram reencontrados na sede do Millennium BCP. São os originais de ‘A Ilustre Casa de Ramires’, ‘A Cidade e as Serras’ e ‘Novos Factores da Política Portuguesa’, que repousavam em caixas num cofre-forte do banco.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Notas

1 - O PEN Clube Português vai indicar os poetas António Ramos Rosa e Herberto Helder para o Nobel da Literatura deste ano. Em comunicado anteontem emitido, o PEN Clube informou que os dois autores obtiveram o mesmo número de votos entre os sócios, reunidos em assembleia geral - uma situação inédita na história da filial portuguesa, criada em 1974. Agustina Bessa-Luís e António Lobo Antunes foram os escritores que mais se aproximaram de Ramos Rosa e Herberto Helder na votação. (Público, hoje)

2 - Os quatro maiores bancos privados portugueses registaram lucros de quase dois mil milhões de euros em 2006, mais precisamente 1935,5 milhões, um crescimento de 30,5% face a 2005.(DN, hoje, por Paula Cordeiro)

3 - São cerca de 48 mil os profissionais que estão a trabalhar na administração pública e que não têm garantido o subsídio de desemprego, se ficarem sem trabalho.
Trabalham em instituições de ensino superior, escolas, hospitais e nos mais variados serviços do Estado. Em comum têm o facto de terem celebrado um contrato administrativo de provimento (um tipo de vinculação provisória ao Estado) que os coloca de fora desta protecção social, no caso de ficarem sem emprego, denunciam os sindicatos do sector. (Público, hoje, por sabel Leiria e João Manuel Rocha)

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Tranferências mais rápidas

Já não vai ser preciso esperar tantos dias pelas transferências bancárias. "Os depósitos em numerário efectuados em terminais automáticos implicam a disponibilização do saldo no dia útil seguinte", diz a lei publicada hoje no Diário da República. Entra em vigor a 15 de Março.