O tema do casamento gay entrou pela primeira vez nos debates entre os candidatos às legislativas. Foi esta noite no frente-a-frente entre Louçã e Ferreira Leite, na TVI.
Ele: "Nunca vou fechar os olhos aos nossos vizinhos que o Estado persegue e magoa com leis injustas. Quero que o meu país respeite a liberdade. O Estado não dita o amor de uma pessoa, aceita as regras que as pessoas escolhem para si. A quem não concorda com os casamentos homossexuais, digo: isso não é connosco, é com quem quer viver."
Ela: "A nossa sociedade está organizada na base de uma determinada noção de família baseada no casamento e toda a estrutura jurídica está moldada com esse objectivo. Houve uma evolução desse conceito. Respeito as diferenças das pessoas. Aquilo que não aceito é que não se considere que isto são uniões diferentes. Num casamento há a perspectiva da existência de filhos, noutras situações não há. Tolerância é, perante situações diferentes, ter tratamentos diferentes."
Muito interessante, o "Expresso". Na edição de hoje:
- revela uma lista de vários artistas, num total de 70, a quem a Câmara de Lisboa atribuiu ateliês "por um prazo indeterminado, sem existência de protocolos e, nalguns casos, a título gratuito": José Pedro Croft, Lagoa Henriques, Carlos Amado, Maria Helena Matos, António Cerveira Pinto, João Vieira e até a jornalista Dina Aguiar. A listagem costa de um documento interno da Câmara, de Março do ano passado, a que o semanário acedeu;
- recorda que o julgamento do "caso Casa Pia" está na recta final, com as alegações finais a terem início a 20 de Outubro."A dimensão do processo assusta: 60 mil folhas, 250 volumes, 992 pessoas ouvidas (só em julgamento) nas 398 sessões realizadas até hoje";
- explica que "a relação Marcelo/RTP já não está intacta", porque "a direcção da RTP cortou, com o acordo do professor, 15 minutos em ‘As Escolhas de Marcelo’ e prepara-se para diversificar o comentário na estação" (daqui a uma semana, João Adelino Faria passa a apresentar os telejornais de fim-de-semana, onde terão lugar comentadores de vários quadrantes, por anunciar);
- prevê que a eutanásia vá ser o tema fracturante da próxima legislatura. " O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda tem estado a estudar o assunto, ouvindo especialistas de Medicina, Direito ou Psicologia. E também testemunhos de familiares de doentes terminais, que relatam a dimensão do sofrimento dos últimos anos de vida. 'Iremos avançar com um projecto de lei sobre o suicídio assistido. Não está previsto para esta legislatura. Mas tudo está aberto para os próximos anos', afiança o deputado Luís Fazenda.
Excerto da entrevista que Jorge Silva Melo deu a Cristina Margato; no "Expresso" deste sábado:
Tem um texto [no livro "Século Passado", a editar em breve] sobre o 25 de Novembro no qual conta um episódio de desconfiança em relação à política partidária.
Vi nascer alguns partidos. O que me interessou sempre foi a hipótese de os movimentos populares ultrapassarem os partidários. Gosto do que está a nascer, do impulso irreflectido, das primeiras peças, das primeiras ocupações de terras. Das segundas não gostei, porque já era o Partido Comunista a organizar o imenso movimento espontâneo... Interessa-me que o desejo possa irromper na rua, de uma forma comunitária e partilhada.
E ainda vota?
Voto sempre, mas não fico contente. As eleições de Lisboa ainda me fazem engulho.
Não tem partido escolhido?
Não, e a evolução do Bloco de Esquerda é algo que me entristece, embora muitas das causas me possam ser próximas. Não gosto da arrogância de dizer «a maioria dos católicos votou» ou «entrámos finalmente na Europa». Há nisto um oportunismo.
A política está livre desse oportunismo?
Não. Por isso, gosto dos movimentos pendulares.
Interessou-lhe algum movimento pendular nos últimos tempos?
A greve dos liceais em França.
E em Portugal?
Em Portugal, confesso que não estou interessado em mais nada. Interessei-me e achei lindíssima a última campanha de Mário Soares. Votei nele com o maior entusiasmo e não posso deixar de estar com esta pessoa que teima, insiste em ser político, tem coisas para dizer e continua a surpreender-me com a sua liberdade de pensamento. Foi o último grito do Rei Lear.
Carmona Rodrigues não se demite e está solidário com o vice, Fontão de Carvalho suspende o mandato por três meses, Paula Teixeira da Cruz acha bem e diz que o Bloco de Esquerda não tem legitimidade para criticar, Ruben de Carvalho diz que a maioria na Câmara está enfraquecida e que só na próxima quinta-feira é que haverá novidades, Sá Fernandes apela a Carmona para se demitir. Vídeo da SIC Notícias (noticiário das 23h, ontem):