quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Notas

1) O número nove da revista literária "Textos e Pretextos" (da Universidade de Lisboa), quase todo dedicado a António Ramos Rosa, é uma preciosidade, das raras. Saiu há poucas semanas. Além de uma entrevista com o poeta, assinada por Ricardo Paulouro, o que mais me impressiona é a reprodução de manuscritos de Ramos Rosa e de cartas que lhe enviaram Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, René Char, Yves Bonnefoy, Claude Roi e Sophia de Mello Breyner. Não é todos os dias que temos acesso a estas intimidades.
Reproduzimos uma carta enviada por Eugénio de Andrade em Novembro de 1969:2) Uma conversa entre Adelino Gomes e Fernando Nobre faz capa na revista "C" (do centro comercial Colombo), publicada esta semana. Vale a pena registar uma coisa dita pelo presidente da AMI: "Estamos numa era de eufemismos. Já não se fala de ladroagem, corrupção... Fala-se de boa e má governação".
Já agora: calculo que a revista de um centro comercial não sirva para muito mais do publicitar as lojas e os produtos que há lá dentro e, por isso, e é o caso, possa ser oferecida (deve estar mais do que paga); mesmo assim, pergunto: qual título da imprensa escrita, hoje, em Portugal, teria o arrojo de fazer capa com dois homens, intelectuais, de meia-idade, relativamente pouco conhecidos do grande público?

3) O escritor Joaquim Manuel Magalhães sobre a actual ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, em artigo de opinião no último "Expresso": "é uma pobre senhora que não vale a pena, com uma voz desgastada, empurrada a destruir a quase final hipótese de haver qualidade no ensino secundário português".