1 de Julho de 2008

As ideias têm proprietários?

É uma opinião inovadora, mas perigosa. O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas enviou hoje aos órgãos de comunicação social uma recomendação que diz o seguinte:
O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas considera que um jornalista freelancer mantém sempre a autoria de um artigo/reportagem, mesmo que sob a forma de ideia conceptual, independentemente de um determinado órgão de comunicação social tenha recusado a sua publicação ou desenvolvimento. Isso implica que o jornalista freelancer mantém, para todos os efeitos, reserva do direito de propor futuramente esse trabalho a outros órgãos de comunicação social, mesmo que, no limite, nenhum se mostre interessado na sua publicação.
Esta questão já tinha sido levantada numa reunião recente do Sindicato. A mim nunca me roubaram ideias. E não conheço jornalistas a quem o tenham feito. Mas, dada a forma como os freelancers se relacionam com as redacções (propostas feitas por mail ou telefone, etc, etc) não é estranho que o plágio aconteça. É condenável, sem dúvida nenhuma.

No entanto, esta recomendação tem aspectos perigosos, porque cria a figura do "proprietário de ideias". Que fazer se dois freelancers propuserem a mesma coisa no mesmo dia? E se um freelancer propuser uma coisa que hoje não interessa ao editor e um outro freelancer, semanas depois, propuser coisa idêntica e ela já interessar? A quem deve ser feita a encomenda?

Quanto à história de "propor futuramente" o mesmo trabalho a diferentes órgãos, é uma coisa completamente diferente, não tem nada que ver com a autoria das ideias. É de propostas, sejam elas quais forem, sejam feitas a quem forem, que vivem os freelancers. Neste aspecto particular, a recomendação atirou ao lado.

29 de Junho de 2008

Pretos e pretas

Excerto do artigo "A Indústria ainda vê os modelos a preto e branco", de Joana Amaral Cardoso, no "Público" de ontem:

Barack Obama está na moda e agora a moda está com Barack Obama. Donatella Versace inspirou-se no candidato democrata à presidência dos EUA para criar a colecção masculina que apresentou esta semana em Milão, mas é a Vogue Italia que faz história na sua edição de Julho. O Black Issue é a primeira edição da revista exclusivamente preenchida com modelos e artistas negros e é fruto não só do debate em curso sobre o racismo na indústria da moda, mas também da omnipresença de Barack e Michelle Obama na imprensa internacional.

Para Donatella Versace, ele é "o homem do momento". Para as empresas norte-americanas de moda, é Michelle Obama que está a fazer aumentar em 35 por cento as encomendas da sua designer preferida. E Franca Sozzani, directora de uma das edições mais conservadoras da revista (à semelhança da rigidez da passerelle de Milão), não podia fugir à febre.

O conceito do Black Issue nasceu após uma estadia de "La Sozzani" na Semana de Moda de Nova Iorque. "Perguntei-me: 'Se a América está pronta para um Presidente negro, por que é que não estamos prontos para modelos negros?'", disse a directora da Vogue Italia ao diário britânico Independent.

Steven Meisel, o conhecido fotógrafo que fez o livro Sex, de Madonna, fez a capa e as 100 imagens de um portfólio sobre a beleza negra que, na sua opinião, expõem a "escandalosa preguiça" do mundo da moda quando ignora os negros ou os reduz a estereótipos.

27 de Junho de 2008

OVNIs em Lisboa

Os contactos estabelecidos com terrestres, a exploração espacial e os indícios de vida no universo são alguns dos temas do I Encontro Internacional promovido pela Sociedade Portuguesa de Ovnilogia (SPO) a 05 de Julho, em Lisboa.

Subordinado ao tema "O Fenómeno OVNI e as Perspectivas de Vida no Universo", o I Encontro Internacional de Ovnilogia SPO realiza-se, a partir das 14:00, no auditório do Instituto Português da Juventude, no Parque das Nações, contando com a presença de diversos investigadores.

Notícia da Lusa (completa aqui)

25 de Junho de 2008

"Here shall we live in this terrible town"

23 de Junho de 2008

Os bancos agora fabricam bons futebolistas

A entrevista do director de comunicação do BES é um momento antológico. Paulo Padrão fala ao "Diário de Notícias" como se fosse ele o autor das campanhas publicitárias do banco (não é, é uma agência de publicidade) e incha-se com sucessos que só o são retrospectivamente. Forma muito inteligente de estar na vida, portanto.

Incapacidade para se remeter à sua insignificância:
"Apesar de não sabermos se ia ou não ao Euro, em Janeiro de 2004 enchemos Lisboa com cartazes com a cara do Cristiano Ronaldo. Fizemos dele um herói",

Confissão própria de quem não tem pais ricos:
"A estratégia foi simples. Concentrámo-nos [o BES] num território - a fotografia - e apropriámo-nos dele."

Estocada final:
"Das realidades transversais, o futebol é a única patrocinável. Tão bom como o futebol só mesmo a família ou a religião."

21 de Junho de 2008

Voltas à pista, até o caos chegar

Há dois anos, propus a uma editora portuguesa um livro de reportagens sobre automóveis, qualidade de vida nas cidades e fim do petróleo. O editor, que não me conhecia de lado nenhum, leu a proposta, mandou-me ir falar com ele e disse que a ideia só tinha pernas para andar se se arranjasse um dispositivo narrativo atraente. "Como por exemplo?", perguntei. "Contar as histórias do livro através de uma figura pública, como o Marcelo Rebelo de Sousa", respondeu ele.
Conclusão: o editor não tinha lido a proposta com atenção. Essa coisa do dispositivo narrativo estava obviamente lá, não estava era sob a forma de revista cor-de-rosa. Conclusão mais grave: o editor, como muita gente, queria (hoje já não sei se quereria) brincar com coisas sérias. A minha proposta não passou da fase de projecto.
Aliás, ainda agora, com a crise a estalar à frente dos olhos, toda a gente quer ignorar que ela se aproxima. Que mundo será este sem petróleo ou com petróleo racionado? Quantas falências, quanto desemprego, quanta desordem civil?
Entre Março e Novembro deste ano, há 18 circuitos de Fórmula 1 para percorrer. Ou seja, milhões e milhões de litros de petróleo deitados ao ar, sem qualquer préstimo. Esta infografia choca.
Enquanto a maioria se comportar como o editor de livros ou as equipas de Fórmula 1, estamos tramados.

20 de Junho de 2008

Arquive-se

O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa arquivou o processo movido contra o director de "A Bola" pela Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens. O tribunal terá considerado que “só por censura se podia proibir alguém de dizer o que o arguido disse”. O que Vítor Serpa disse está aqui.
O arquivamento é de 16 de Maio, mas a notícia apareceu hoje, no jornal "Meios & Publicidade".
A notícia está aqui.