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sexta-feira, 18 de julho de 2008

Dias algarvios 6

Acabaram-se hoje, finalmente, os dias algarvios. Mas ainda há coisas para contar.

Por exemplo, Irina, a mulher que trabalha numa gasolineira próxima de São Brás de Alportel e que nos faz voltar atrás no tempo. Na gasolineira dela ainda se enche o depósito ao cliente. O self service não existe e ainda bem.

Irina é "de leste". Tal como uma outra mulher, de que não fixámos o nome, que serve num restaurante
em Perches no Pechão, onde o licor de medronho que se oferece aos clientes no fim da refeição é um veneno puro.

Elas são "de leste" tal como a outra mulher que ajuda na cozinha num restaurante nos Machados, perto de São Brás de Alportel, mas que, ao contrário das outras duas, ainda não sabe falar português e parece ter medo das pessoas.

Estas mulheres expatriadas comovem tanto quanto aquela placa que diz Escola Primária e está perdida numa estrada de terra batida no sítio do Malhão (Tavira). Numas e noutra, a mesma vontade.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Dias algarvios 5

Ao contrário do que o "post" anterior sugere, o Algarve não está cheio nesta primeira quinzena de Julho, nem de perto, nem de longe. Os comerciantes (donos de bares, discotecas, restaurantes) dizem que este é um dos piores inícios de Verão dos últimos anos. É normal que se queixem. Em bom português, quem não chora, não mama. De qualquer forma, nota-se que há aqui uma falha qualquer: restaurantes vazios à sexta e sábado à noite, bares com meia dúzia de gatos pingados depois da hora de jantar e praias, como a de Armação de Pêra, que costumam estar cheias, ainda a meio-gás.

domingo, 13 de julho de 2008

Dias algarvios 4

"Ouvi dizer que há uns pescadores que fazem petiscos para os turistas". Assim metemos conversa com uma mulher vistosa e sociável que encontrámos na ilha da Culatra (Olhão). "Os pescadores, fazerem petiscos? Deve ser, deve. Nem para eles cozinham, quanto mais para os turistas. Se não forem as mulheres deles a fazer comida, vão para o café", disse ela. Esclarecidos.
O barco que liga Olhão à Culatra (e à ilha do Farol) faz lembrar os velhos barcos que faziam Terreiro do Paço-Barreiro, há uns anos. Mas é ainda mais lento. Ontem à tarde, ia cheio de gente, claro: era sábado e o tempo estava bom.
À noite, fomos ao Le Club, em Santa Eulália (Albufeira), um restaurante, que é bar e discoteca e esplanada. A noite apresentava-se fria e ventosa e deve ter sido por isso que a casa estava a meio-gás.
Quanto mais próximos vamos ficando da "movida" algarvia, mais desinteressante se torna o panorama, porque quer ser lisboeta no gosto e no tom, mas não é, nem pode ser.

sábado, 12 de julho de 2008

Dias algarvios 3

A frase da foto inscrevemo-la esta noite numa parede do restaurante Taska, que fica em Faro e serve muito bem. Resulta, a frase, de uma piada segundo a qual a nova tendência da imprensa escrita portuguesa é a de fazer dos jornalistas protagonistas, imitando assim o estilo anglo-saxónico.

Há dois dias, vimos um homem a andar de bicicleta na Estrada Nacional 125, às três da manhã, sem luzes. Ontem à noite, em Lagos, dois luso-franceses de Lille, com os seus 20 e poucos anos, filhos de portugueses mas já parcos no português, não hesitaram em entrar no nosso carro para nos explicarem onde ficava um bar. De caminho, parámos num outro, onde vimos empregados, seguranças, clientes e dono do bar, tudo bêbado. O chão era uma pocilga e escorregava, as colunas berravam, havia gente a caminhar em cima do balcão, a cacimba do suor era insuportável.
O Algarve já endoideceu e ainda não estamos em Agosto.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Dias algarvios 2

"O pior cliente a seguir ao português, sabe qual é?", pergunta P.M., 45 anos, um homem encorpado e falador, que usa um brinco na orelha esquerda e não se envergonha nada do sotaque algarvio.
A resposta ao enigma, dá-a ele: "É o judeu".
Quando lhe dizemos que isso não faz sentido, ele reafirma que é assim
mesmo como está a dizer.
P. M. é uma daquelas personagens que, não sendo raras, fascinam sempre. Filho de pescador. Trabalhou sempre em bares, restaurantes, cafés. Ora na sua Praia da Rocha, ora em cruzeiros, ora em Miami.
É mesmo de Miami, onde andou há 25 anos, que gosta de falar. Foi em Miami que aprendeu a falar inglês. E em Miami aprendeu também a não gostar de judeus. Agora trabalha em Ferragudo, num restaurante. E à noite gosta de ir aos bares da Rocha engatar inglesas e contar anedotas aos amigos.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Dias algarvios 1

Até ao dia 18 de Julho, de ponta a ponta, corre-se o Algarve (em trabalho, bem entendido). O telemóvel com máquina fotográfica é precioso no registo dos dias.
Sagres, ao entardecer, também é o que aqui se vê.