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quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Sem confusões

OPINIÃO
A propósito dos dois posts anteriores, um esclarecimento, que evite mal-entendidos: a Fundação Aga Khan faz parte da Aga Khan Development Network, que se define como uma organização não religiosa. É uma organização ligada à comunidade ismaelita, ou seja, à de muçulmanos xiitas (15% do total de muçulmanos no mundo, segundo a Wikipedia), fiéis ao Corão.

Já a Arábia Saudita, apesar da aproximação aos EUA na chamada Guerra ao Terrorismo, é uma monarquia absolutista ou, como dizia Mário Soares, segunda-feira, na RTP1, uma teocracia.

Não é nossa opinião que muçulmanos (quaisquer facções) e terroristas sejam uma e a mesma coisa. Fala-se em jihad, esquerda, Freitas do Amaral, Fundação Aga Khan e Arábia Saudita porque as notícias o justificam.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

A Esquerda e Jihad

OPINIÃO
A propósito do post anterior (a afinidade entre Freitas do Amaral e o Islão) e a propósito também do debate entre Pacheco Pereira e Mário Soares (ontem à noite, no Prós e Contras, RTP1), valerá a pena ler este artigo de um especialista em assuntos do Médio Oriente.
A tese de Fred Halliday é a de que a esquerda e o fundamentalismo islâmico estão próximos desde o início do século XX. O tom do artigo é crítico em relação à esquerda. Mas o autor termina com moderação:
"The habit of categorising radical Islamist groups and their ideology as “fascist” is unnecessary as well as careless, since the many differences with that European model make the comparison redundant. It does not need slogans to understand that the Islamist programme, ideology and record are diametrically opposed to the left – that is, the left that has existed on the principles founded on and descended from classical socialism, the Enlightenment, the values of the revolutions of 1798 and 1848, and generations of experience. The modern embodiments of this left have no need of the “false consciousness” that drives so many so-called leftists into the arms of jihadis."

Um brilhozinho nos olhos

OPINIÃO
No Público de hoje.

"O primeiro-ministro, José Sócrates, nomeou, ontem, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Freitas do Amaral para representar o Estado português na comissão de coordenação que vai instalar o protocolo de cooperação com a Fundação Aga Khan. O ex-governante ficará assim responsável por uma matéria em cuja preparação teve parte activa. (...) Foi Freitas do Amaral, juntamente com o primeiro-minisro, José Sócrates, quem assinou o protocolo, em Dezembro de 2005.".

Recordemos a reportagem do Expresso de 6 de Maio, "No Reino de Maomé", assinada por Cândida Pinto e Rui Ochôa. Era sobre a visita de Freitas do Amaral a Riade, na Arábia Saudita. Esteve reunido com o rei Abdullah bin Abdul Aziz e com o seu homólogo, Saud Al-Faisal. Assinaram um acordo de cooperação. "Deste reino, Freitas do Amaral leva os olhos bem cheios do brilho que o ouro negro permite", escreve a jornalista.

Não serve esta evocação para insinuar coisa alguma. Serve para dizer dizer que a notícia do Público só confirma a afinidade do ex-ministro com o Islão. E que a nomeação do Governo é tudo menos transparente.