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segunda-feira, 6 de julho de 2009

No Brasil ou em Marte

Miguel Sousa Tavares ao DN, ontem:

Ultimamente as suas crónicas são muito pessimistas.

Porque estou muito zangado com Portugal.

Anda-lhe mesmo a apetecer ir-se embora, emigrar?

Onde é que foi buscar isso?

No dia 22 de Junho, na sua crónica que dizia que "o País está um sufoco, sem saída e sem viabilidade à vista".

Não, não! Essa ideia de que eu quero emigrar?

Não há ninguém que queira viver num país como este descrito por si. Pelo menos, no seu perfeito juízo.

Mas é verdade. Estou a pensar ir-me embora.

É?

É verdade. Estou a pensar nisso há um ano.

Para ir para onde?

Para o Brasil. É um país novo, de que eu gosto há muitos anos. E sou muito bem tratado sem ser popular na rua, o que é óptimo. É um país optimista, não está cansado, não está desiludido, sem esperança. Mesmo que agora haja tanta asneira feita no Brasil, todos os dias, não é? Só que eles têm espaço e tempo para uma maior dose de asneira do que nós. Agora desvendei uma coisa que não era suposto desvendar, mas é um plano que ando a alimentar há um tempo, de facto.

[aqui]


***

Saramago ao DN, hoje:

"José Saramago confessa a sua preocupação com a hipótese de a pianista Maria João Pires renunciar à nacionalidade portuguesa e ir viver para o Brasil. Quanto ao caso do autor de 'Rio das Flores', o Nobel da Literatura de 1998 diz-se "bastante indiferente". (…) Ao responder brevemente sobre o caso deste autor, disse: "Tanto me faz que ele vá para o Brasil ou para Marte"."

[aqui]

sábado, 6 de dezembro de 2008

Dêem cá os prejuízos

"O problema deste PS é a veneração e a deferência, quase temor reverencial, que sempre mostra para com os negócios dos muito ricos. Nos tempos que correm, o PS português parece ser, aliás, o último bastião ideológico onde ainda se acredita que os grandes negócios empresariais são o fermento essencial à saúde económica do país. Já nem nos Estados Unidos há quem se atreva agora a dizer que o que é bom para a General Motors é bom para o país.

(…)

O mesmo governo que faz finca-pé em exigir aos professores que se submetam a uma avaliação para progredirem na carreira por mérito, acaba de dizer que, na banca, não há lugar a avaliação nem a consequências da falta de mérito: se as coisas correrem bem, fiquem com os lucros; se correrem mal, dêem cá os prejuízos."

Miguel Sousa Tavares, "Expresso", hoje

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

"Old-fashioned stuff, but hard to resist"

O romance de Miguel Sousa Tavares, "Equador", é analisado no Independent de hoje. Parece que o crítico (Daniel Hahn, tradutor de Agualusa, em Inglaterra) gostou do que leu:
The theme is old, but always relevant: the clash of value systems, and the impossibility of forcibly overlaying one society on another. Tavares dresses the atmosphere with detail from discreetly-worn research that populates the novel with real historical figures
(...)The prose is fluent, in Peter Bush's largely invisible translation, and the good story well told. (...) Old-fashioned stuff, but hard to resist.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Novo romance de Miguel Sousa Tavares em breve

“Estou a escrever um livro há dois anos que gostaria muito de terminar até ao Verão, mas, até chegar à última página, não sei se o termino. Nunca percebi os escritores que antes de começarem a escrever já anunciam que vão ter o livro pronto em quatro meses. Eu só consigo escrever quando chego a uma fase em que percebo que já não há volta dar e que o livro vai mesmo para a frente. E, mesmo aí, pode acontecer que chegue ao fim, não esteja satisfeito e não o queira publicar” - Miguel Sousa Tavares ao "Correio da Manhã", hoje