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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Metro de Lisboa não gosta de ver homens juntos


Quem é o defensor da moral pública e da higiene visual na cidade? O Metropolitano de Lisboa, evidentemente. Para o Metro, é indecente publicitar redes sociais da internet que promovam encontros entre homens. Vai daí, a transportadora pública acaba de proibir a afixação, em várias estações, de cartazes do Manhunt, rede social norte-americana onde são publicados convites para sexo e fotografias eróticas – e que tem, de acordo com dados próprios, cerca de 60 mil utilizadores registados em Portugal.

O representante do Manhunt em Portugal, Iuri Vilar, acusa o Metro de “homofobia”. Diz que apresentou duas versões de um mesmo cartaz publicitário e ambas foram rejeitadas por alegado “teor sexual”. A transportadora justifica-se: “É opção do Metro de Lisboa não aceitar a divulgação de uma campanha publicitária sempre que se coloque a dúvida de que a mensagem possa de algum modo ferir susceptibilidades.”

O caso foi gerido pela Multimedia Outdoors Portugal (MOP), empresa privada responsável pelos múpis (Mobiliário Urbano Para Informação) existentes nas estações de Metro. “Tive uma primeira reunião com os responsáveis pela MOP há cerca de um ano e mostraram-se muito entusiasmados, não revelaram qualquer preconceito, pelo contrário, até acharam importante a divulgação desta marca”, relata Iuri Vilar. “Passaram-se vários meses, sem que eu tivesse avançado, e em Outubro finalmente comecei a tratar de tudo para colocar publicidade nas estações de metro”.

Segundo este responsável, os cartazes deveriam estar em seis estações: Cais do Sodré, Restauradores, Marquês de Pombal, Rato, Picoas e Saldanha. Um total de 15 múpis expostos durante um mês, entre Dezembro de 2011 e Janeiro. “Quando lhes enviei por mail as artes-finais [versão definitiva do cartaz], onde aparecem dois homens de tronco nu quase a beijar-se, responderam que não aceitavam.”

A Time Out viu os emails trocados entre a MOP e Iuri Vilar. “Infelizmente o Metro não aprova esta imagem, pelo que não a podemos afixar”, escreveu a MOP, a 16 de Dezembro.

O representante da rede social remeteu um novo cartaz, poucos dias depois: apareciam dois homens também, mas desta vez vestidos. “Os temas de teor sexual não estão autorizados nas redes [de múpis]. O Metro de Lisboa não autoriza a afixação”, respondeu-lhe a MOP, por mail, a 19 de Janeiro. 

“É incrível”, comenta Iuri Vilar. “Trata-se obviamente um caso de discriminação e homofobia. Acho escandaloso que tenham dois pesos e duas medidas: a publicidade da Armani, com jogadores de futebol quase nus, ou da Triumph, com mulheres em lingerie, é considerada normal. Qual é a diferença entre isso e dois homens de tronco nu?”, questiona. Iuri Vilar vai “estudar o caso com os advogados” do Manhunt e pondera “apresentar queixa”.

Através da agência de comunicação Unimagem, o Metro disse à Time Out que  “a orientação vigente é a de rejeitar publicidade que não se coaduna com a imagem de um  serviço público que se dirige a uma multiplicidade de clientes com sensibilidades várias”. A Time Out quis saber quais as cláusulas do acordo entre a MOP e o Metro, mas ficou sem resposta.

No “Código de Ética e de Conduta”, publicado no site oficial, o Metro diz ter como “princípios estruturantes da sua actividade”, entre outros, a “erradicação de todas as práticas discriminatórias” e a “lealdade, justiça e equidade”.

A MOP não respondeu a diversas tentativas de contacto.

[notícia publicada na revista "Time Out Lisboa", de 25 de Janeiro de 2012, pág. 10]

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

A carteirinha do senhor presidente

Joaquim Reis, presidente do Metropolitano de Lisboa, sobre o novo cartão de viagens Sete Colinas:
"Um cartão melhor sairia muito mais caro, neste momento não é possível optar por essa solução, mas
pode-se pensar na oferta de uma carteirinha plastificada, como sucede por exemplo em Londres, para proteger o Sete Colinas. Isto se o número de substituições o justificar" (no Diário de Notícias de hoje).

É assim que esta gente brinca com o dinheiro dos outros.

O Sete Colinas é um
cartão recarregável, feito de um material (papel) que se estraga depressa, o que obriga a comprar um novo cartão com frequência. Só se houver muita gente a ter que comprar muitos novos cartão é que o presidente do Metropolitano "pode pensar".

Ele não diz, e se calhar pouco lhe importa, quanto tempo tem que decorrer ou qual o número de substituições que tem que se verificar
para justificar a oferta da "carteirinha".
Nem lhe ocorre, sequer, baixar o preço do cartão (50 cêntimos) ou, como lhe competia, torná-lo gratuito (isto, dando por certo que ele sabe do que fala quando diz que outro material nos cartões sairia "muito mais caro").