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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sexo e culinária

Já está à venda. É um dos quatro livros de receitas da nova editora Ramiro Leão. Quatro pequenos livros que fazem a ponte entre a comida e o sexo:

- Receitas de Sedução para Gays e Lésbicas
;
- Doçaria Conventual para Mentes Pecaminosas;
-
Receitas Caseiras para Mulheres Infiéis;
- e Receitas Afrodisíacas para Amantes Imorais.

A introdução de cada um deles é feita por jornalistas. A selecção de receitas é do gastrónomo Hugo Campos.

Crítica na Time Out Lisboa aqui.
Vendas on-line na Bulhosa e na Leitura.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Novo romance de Richard Zimler

Os Anagramas de Varsóvia é o novo romance de Richard Zimler. Vai ser publicado em Setembro pela Oceanos. Segundo a editora, trata-se de um policial passado no gueto de Varsóvia e narrado por um homem que mente sobre a sua identidade.
Segue-se a Confundir a Cidade Com o Mar, livro de contos publicado em Outubro de 2008. Aqui.

domingo, 22 de março de 2009

500 exemplares

"Uma obra de poesia tem uma tiragem média de 500 exemplares - o suficiente para conseguir colocar livros nas principais livrarias que existem pelo país. Mas desses vendem-se mais ou menos 200. (...) Edições de 2, 3 ou 4 mil exemplares são raras. Acontecem, por exemplo, com Sophia de Mello Breyner (na Caminho), José Luís Peixoto ou José Régio (na Quasi), com Fernando Pessoa, Rimbaud, Lorca, Blake, Yeats, Hölderlin, Pablo Neruda (na Relógio D'Água), com Cesariny, Alexandre O'Neill ou Herberto Helder (na Assírio e Alvim). "São as excepções", comenta Jorge Reis-Sá."
[Diário de Notícias, aqui]

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Capote está de volta

Na "Time Out Lisboa" de 11 de Junho; excerto:Chegou finalmente a reedição da tradução portuguesa de Answered Prayers, o livro inédito de Truman Capote (1924-84) publicado depois da sua morte. As edições Asa já tinham dado à estampa, em 1993, uma versão portuguesa, que acabou por se esgotar. A Dom Quixote trá-lo agora de volta, sob o título Súplicas Atendidas. A tradução é a mesma de há 15 anos, assinada por José Luís Luna.

É um romance inacabado, que viu a luz do dia em 1987 (além deste, outro inédito foi conhecido em 2004 e também já está em português, Travessia de Verão). Em nota introdutória, incluída na versão portuguesa, Joseph Fox, editor de Capote, explica que o livro deveria ter saído em 1968. Assim tinha sido acertado entre o autor e a editora. Mas a vida boémia de Capote, mais o álcool e a droga e as crises de criatividade, levaram-no a adiar o prazo várias vezes. Tantas, que à data da sua morte a história estava por acabar.

Dos três capítulos que a compõem, o mais conhecido é o terceiro: La Côte Basque, sobre as aventuras sexuais, traições e manobras da alta sociedade americana num restaurante chique com o mesmo nome. “Monstros em Estado Bruto” (Unspoiled Mosters), o primeiro capítulo, tem importância por ser nele que, sob o disfarce da ficção, Capote relata parte da vida do seu amante Denham Fouts, um famoso prostituto de luxo dos anos 40. [ver este artigo sobre Denham Fouts] Bruno Horta

Artigo completo aqui.

sábado, 15 de março de 2008

De um panegirista espera-se muito mais

O professor Malaca Casteleiro escreve hoje no "Diário de Notícias" em favor do novo Acordo Ortográfico. A argumentação é contraditória e frágil. Muito frágil. Diz ele:
"Uma ortografia unificada [Portugal, Brasil, PALOP] torna-se absolutamente necessária às organizações internacionais onde o português é língua de trabalho, aos estabelecimentos de ensino estrangeiros onde se cultiva o nosso idioma, à difusão e promoção do livro em português nos domínios inter-lusófonos e internacional".
A ser assim, o novo Acordo Ortográfico serve tudo menos os falantes da língua. Serve interesses corporativos, ideológicos e comerciais, segundo Malaca Casteleiro. É pouco. É escandalosamente pouco.
O conceituado linguista admite que o Acordo de 1945, em que Portugal quis impôr ao Brasil a introdução de consoantes mudas ("óptimo", "actual", etc.) falhou porque "constituía uma violência, que o Brasil não aceitou". Mas agora já acha bem que uma violência do mesmo género, mas em sentido contrário, seja aplicada aos portugueses. Um pouco mais de coerência não seria nada mau.
O que Malaca Casteleiro não explica, porque não pode ou não sabe, é que é a coisa importante: os povos de língua portuguesa, que falam e escrevem a língua todos os dias, ganham alguma coisa com a homogeneização que agora se quer impor?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Cardoso Pires não morreu

"Lavagante - Encontro Desabitado" é o título de um texto inédito de José Cardoso Pires (1925-98) publicado esta semana por uma nova editora portuguesa, a Edições Nelson de Matos.
Chamo-lhe texto inédito, porque é assim que ele ele vem classificado na capa do livro. Será romance? Será conto? Talvez seja conto. A classificação é pouco importante, de qualquer forma.
Ler uma coisa nova de um escritor desaparecido é sempre surpreendente. E sabe bem. Isso é que importa.
"Lavagante - Encontro Desabitado" é um texto, lê-se na badana, parcialmente publicado pela primeira vez em 1963 e que terá sido reescrito entre esse ano e 1968. Magnífico. Actual.
Excerto:

"Mas ele não era um lavagante, se é que podem existir homens-lavagantes, homens-vampiros, homens-louva-a-Deus. Se é que na forma de um bicho da Criação pode estar a imagem primitiva do homem no amor, a daquele que trabalha a presa à semelhança do seu mito, a do outro que a devora e a dum terceiro que é devorado por ela para cumprir um destino natural" (p. 25).
(Numa edição cuidada e bonita só esta gralha é que está a mais: na bibliografia de Cardoso Pires, na badana da direita, diz-se que é autor de "Alexandre Alpha").

domingo, 27 de janeiro de 2008

Coisas

As instruções de Armani:
The photographer (...) has been fiercely instructed that Mr Armani must be shot only with a dark background ("to preserve the definition of his white hair"), from the left side ("his best side") and with minimal lighting ("to prevent shine"). The Independent, hoje

Cardoso Pires ainda vive:
Chama-se ‘Edições Nelson de Matos’ e é uma nova editora, que se estreia no próximo mês. É uma pequena editora que surge contra a corrente de concentrações que está em vias de repartir o mercado entre meia dúzia de mega-editoras. (...) O título inaugural promete fazer algum furor: um inédito de José Cardoso Pires, um dos mais marcantes ficcionistas da segunda metade do século XX, várias vezes sugerido para Nobel da Literatura. Chama-se ‘Lavagante’ e, como Nelson de Matos explicou, “é o único texto inédito que deixou”. Expresso, ontem

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Pais do Amaral ao ataque

Como é que uma agência de notícias publica uma coisa destas? É pura propaganda. Pais do Amaral comprou uma data de editoras de livros, arrasou o mercado e agora publicita-se como defensor da lusofonia. Uma tristeza.
Não vale dizer que ele está a fazer o trabalho dele, porque isso só vale se o trabalho dele não for deixar os outros sem trabalho. Só na Caminho foram 35.

domingo, 22 de julho de 2007

Orgulho e preconceito

Os britânicos acham que "Orgulho e Preconceito", de Jane Austen, é o melhor romance da literatura deles. Mas 18 dos principais editores e agentes literários de Inglaterra não dariam à escritora hipótese de ser publicada. Os editores em Portugal também são deste calibre? Aceitam-se respostas.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Viva a cópia

Eles gostam de misturar tudo, que é para terem sempre razão. Só que é preciso não misturar tudo e reconhecer-lhes apenas razão parcial.

A notícia do Diário de Notícias de hoje diz que "este ano foram apreendidos em Portugal cerca de 40 mil livros pirateados", o que "representa, para as editoras, um prejuízo superior a 50 milhões de euros por ano, só na área do ensaio ou do chamado livro técnico ou científico".

Tal como no negócio do disco e do vídeo, o problema nunca é posto assim: os escritores, músicos ou realizadores (e tradutores e revisores e produtores e actores e designers e etc.) perdem dinheiro com a cópia ilegal. O problema é posto assim: as editoras, coitadinhas, perdem muito dinheiro por causa de uma horda de piratas.

Se esta segunda forma de por as coisas revela que as editoras pouco se importam com os criadores (ainda alegam, de vez em quando, que, se morrerem, os criadores morrem com elas, mas toda a gente sabe que isso não é verdade: há uma coisa chamada Internet, que dispensa intermediários na publicação do que quer que seja, e aí é que bate o ponto), revela, também, que as editoras gostam de se esquecer dos preços vergonhosos que as pessoas têm de pagar.

Por princípio, eu compraria um livro de que gostasse, mesmo que fosse caro, mas, evidentemente, fotocopiaria um livro que fosse obrigado a ler (na universidade, por exemplo), se o original fosse caro.


A única coisa condenável é haver gente a copiar obras originais para as revender, no mercado negro. O resto é conversa.