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sábado, 8 de outubro de 2011

Acordo Ortográfico de 1990 explicado às criancinhas naturais e estrangeiras


Imaginemos que somos ingleses e acabámos de ouvir falar de um tal Acordo Ortográfico de 1990, que entrou em vigor no país onde desapareceu a Maddie. Nós, ingleses, queremos saber do que se trata e decidimos perguntar a um português bem informado. O português explica-nos que:

- o Acordo Ortográfico foi assinado há mais de 20 anos a só começou a entrar em vigor  agora que o Brasil se tornou uma potência mundial; 
- o Acordo Ortográfico implica que a maior parte dos países de língua oficial portuguesa passem a grafar a maioria das palavras (embora não a dizê-las) como no Brasil;
o Acordo Ortográfico transforma palavras como "recepção" em "receção" (homófona de "recessão") e "facção" em "fação", mas só em Portugal; no Brasil continuará a escrever-se "recepção" e "facção";

- o Acordo Ortográfico muda a grafia das palavras em Portugal, mas aqui e, na maior parte dos países de língua oficial portuguesa, continuaremos a dizer "fui à praia" e não "fui na praia" (como no Brasil dizem) ou "este" para nos referirmos a este blogue e não "esse" (como no Brasil diriam), enquanto no Brasil continuarão a fazer construções que em Portugal são consideradas agramaticais, como "assisti o filme".
Depois desta breve explicação do português bem informado, nós ingleses, que falamos a mesma língua que os EUA, a Índia, a Austrália, a Nova Zelândia, o Sudão, a África do Sul, a Nigéria, a Libéria, os Camarões e mais umas dezenas de países, só temos uma conclusão a tirar: absurda vida portuguesa, como sempre.

sábado, 16 de maio de 2009

Acordo é um disparate

A polémica alteração das regras ortográficas está também a causar divisões no PS, ameaçando transformar-se num foco de tensão entre o partido e o Executivo de Sócrates. “O Governo cometeu o erro de pôr este acordo em execução. É um disparate que entre em vigor”, afirma Luís Fagundes Duarte, coordenador do PS para a área da Educação. Para o deputado, “o problema foi o ministro da Cultura ter avançado sem ter a retaguarda protegida a nível do próprio Governo”.
[no Expresso, hoje]

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Vícios do Acordo

"O Acordo Ortográfico enferma de vícios susceptíveis de gerarem a sua patente inconstitucionalidade".
[relatório da Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura; notícia aqui]

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

"Só se houver um acordo radical"

"Estão a fazer um grande escândalo à volta do Acordo Ortográfico. Para mim, é perder tempo discutir estas questões. Só se houver um acordo radical para escrever da mesma forma em todos os países ou, então, não vale nada." - Pepetela, hoje, aqui.
No fundo, a pergunta permanece:
para que serve a uniformização agora proposta se ela é do domínio da ortografia e não do da sintaxe e a sintaxe vai permanecer diversa em cada país da lusofonia?

terça-feira, 22 de abril de 2008

Contra o Acordo Ortográfico

Desidério Murcho diz no "Público" de hoje....
"Há três razões contra a pretensa unificação ortográfica da língua portuguesa: primeiro, não há harmonia ortográfica nos países de língua inglesa, francesa ou espanhola; segundo, o acordo não unifica as ortografias, pois os portugueses continuariam a escrever "facto" e "género", e os brasileiros "fato" e "gênero"; terceiro, mesmo que unificasse a ortografia, o acordo não unificaria o léxico, a sintaxe ou a semântica: no Brasil os autocarros chamam-se "ônibus" e os comboios "trens", e muitas mais variações semânticas existirão, e ainda bem, no português cabo-verdiano, angolano, etc. Em conclusão, o acordo pretende-se unificador, mas nada unifica."
... o que já se tinha dito aqui.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Mais notícias (de hoje) sobre o Acordo Ortográfico

Notícias da Lusa:
- Acordo "é estratégico" para a afirmação do português no mundo - Carlos Reis - aqui
- Opositores estão fechados em "comportamentos autistas" - Carlos Reis - aqui
- Ministro da Cultura diz que não haverá "rupturas desnecessárias" - aqui
- Divergências ortográficas "podem gerar confusões no público" - linguísta brasileiro - aqui
- Texto serve interesses geopolíticos e económicos do Brasil - Vasco Graça Moura - aqui
- "Nenhuma soberania é dona da língua", diz Adriano Moreira - aqui
- Texto devia ter contado com pareceres de linguistas - deputada socialista - aqui

Notícia do "Público":
- Exemplos da APEL com traduções diferentes no Brasil e em Portugal passam ao lado do acordo ortográfico" - aqui

sábado, 5 de abril de 2008

Noticias sobre o Acordo Ortográfico

Nos últimos dois dias, a agência Lusa publicou várias notícias sobre o novo Acordo Ortográfico. Na segunda-feira, dia 7, o assunto é debatido na Assembleia da República.

- Opositores têm posição "tacanha" - Malaca Casteleiro - aqui
- "Quem insiste em contestá-lo está com o síndroma salazarista", reitor ULP - aqui
- Acordo Ortográfico: O que muda e o que permanece - aqui
- Moçambique - ratificação ainda sem data - aqui
- Brasil - implementação deve começar em Janeiro de 2009 - aqui
- São Tomé - "Desconheço que tenha havido qualquer debate", diz Inocência Mata - aqui
- Angola - Sociedade passa ao lado, governo não definiu data para ratificação - aqui
- C. Verde: "Unidade" e "valorização" da língua portuguesa no mundo, diz ministro da Cultura - aqui
- Acordo Ortográfico: Debate no Parlamento segunda-feira - aqui
- Vasco Graça Moura afirma que "é um acto cívico batermo-nos contra" - aqui

terça-feira, 1 de abril de 2008

Colóquios sobre o Acordo Ortográfico

A livraria Byblos, em Lisboa, recebe esta semana dois colóquios sobre o novo Acordo Ortográfico. Na quinta, dia 3, Vasco Graça Moura fala sobre "Acordo Ortográfico: a perspectiva do desastre", às 16h00. Na sexta, dia 4, Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia propõem "Atual: o novo Acordo Ortográfico", às 18h00.

terça-feira, 25 de março de 2008

Ainda a Acordo Ortográfico

Quem souber responder a esta pergunta convence-me fatalmente da utilidade do novo Acordo Ortográfico: para que serve a uniformização agora proposta se ela é do domínio da ortografia e não do da sintaxe e a sintaxe vai permanecer diversa em cada país lusófono?

Os defensores do Acordo, entre os quais se inclui o novo ministro da Cultura, têm dito que uma língua portuguesa uniforme serve melhor os interesses de Portugal no mundo. Mas isso só seria verdade se estivessemos perante uma unificação total da gramática e não apenas de uma parte dela.
O Acordo que nos querem impôr à força não é um Acordo Gramatical ou Sintáctico, mas um Acordo Ortográfico. A ortografia só trata da forma como se escrevem as palavras.
Onde está, então, a vantagem?

O Acordo, em PDF, está aqui.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O Brasil em São Tomé

É para isto que serve o novo Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Coisas

1 - Aí estão os primeiros sinais do fim da profecia: afinal há "um arrefecimento na produção de conteúdos informativos por internautas" e "uma tendência entre os weblogs e páginas informativas independentes de assimilar os mesmos vícios e rotinas do jornalismo profissional". Quem vaticinou o fim do jornalismo, tal como o conhecemos, é capaz de precisar de rever a posição.

2 - Ainda o novo Acordo Ortográfico: Vasco Graça Moura, que no domingo passado, em entrevista ao "Público", já tinha aflorado a questão, defende hoje, no "Diário de Notícias", em artigo de opinião, que a entrada em vigor do Acordo é inconstitucional, porque ainda não foi ratificado por todos os países que o assinaram.

sábado, 15 de março de 2008

De um panegirista espera-se muito mais

O professor Malaca Casteleiro escreve hoje no "Diário de Notícias" em favor do novo Acordo Ortográfico. A argumentação é contraditória e frágil. Muito frágil. Diz ele:
"Uma ortografia unificada [Portugal, Brasil, PALOP] torna-se absolutamente necessária às organizações internacionais onde o português é língua de trabalho, aos estabelecimentos de ensino estrangeiros onde se cultiva o nosso idioma, à difusão e promoção do livro em português nos domínios inter-lusófonos e internacional".
A ser assim, o novo Acordo Ortográfico serve tudo menos os falantes da língua. Serve interesses corporativos, ideológicos e comerciais, segundo Malaca Casteleiro. É pouco. É escandalosamente pouco.
O conceituado linguista admite que o Acordo de 1945, em que Portugal quis impôr ao Brasil a introdução de consoantes mudas ("óptimo", "actual", etc.) falhou porque "constituía uma violência, que o Brasil não aceitou". Mas agora já acha bem que uma violência do mesmo género, mas em sentido contrário, seja aplicada aos portugueses. Um pouco mais de coerência não seria nada mau.
O que Malaca Casteleiro não explica, porque não pode ou não sabe, é que é a coisa importante: os povos de língua portuguesa, que falam e escrevem a língua todos os dias, ganham alguma coisa com a homogeneização que agora se quer impor?

quinta-feira, 13 de março de 2008

O monstro chegou

As lojas começam a vender esta sexta-feira os primeiros dicionários da nova língua portuguesa: dois dicionários da Texto Editora onde as regras são as do Acordo Ortográfico que o Governo português assinou em 1991 e que até hoje não foram adoptadas. É um triste dia.
"Óptimo" deverá passar a "ótimo"; "acção" a "ação"; "humidade" a "umidade"; e "antónimo" a "antônimo". Mais grave, ainda: "hei-de" ou "hás-de" passa a "heide" e a "hásde", respectivamente. Deve estar tudo doido.
Porque é que têm de ser os portugueses (e os cidadãos dos outros países da CPLP) a adoptar o português do Brasil e não os brasileiros o português dos outros? São interesses, ascendentes, poderios.
Uma língua são os falantes que a fazem. Não são os decretos. A confusão que o novo Acordo traz
é inadmissível. Esperemos que a maioria das pessoas ignore esta monstruosidade e que ela não chegue sequer a ser ensinada nas escolas, como pretende o Governo actual.
Para mal dos nossos pecados, até esta desgraça tem a mão desse distintíssimo português que é Pedro Santana Lopes (aqui).

- petição contra o novo Acordo aqui
- notícia sobre novos dicionários aqui