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sábado, 23 de fevereiro de 2013

«O dinheiro foi para algum sítio»

«A verdade, nua, bruta, cruel, dura, pétrea, é que cada vez que o Governo erra, há um novo plano de austeridade destinado a garantir que a mesma receita que falhou seja tentada de novo, com mais uns milhares de milhões retirados às pessoas, às famílias, à economia, para pagar uma obstinação, um beco sem saída ideológico, uma tese sem prova, uma abstracção intelectual, no fundo uma enorme vaidade sem perdão.

Sócrates deitou fora milhões e milhões mal gastos e perdulários, Passos Coelho deita fora milhões e milhões para um vazio de arrogância, ignorância e vaidade, sem melhorar o défice, aumentando a dívida, sem se ver qualquer utilidade. Mas o dinheiro, antes como agora, foi para algum sítio.

E como aceitar o supremo insulto fruto de uma displicência que acaba por ser maldosa e arrogante, de se dizer que a recessão para este ano “aumenta de um ponto percentual”, como se passasse de 35,4 para 36,4, quando passa de 35,4 para 70,8, usando estes números imaginários para se perceber a enormidade do “ponto percentual” que significa errar por 100%, duplicar por dois uma desgraça, que passa a ser o dobro do que era, ou seja uma pequena coisa, “um pequeno ponto percentual”, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Os erros agora também se chamam “ajustamentos” e podem ser tidos apenas como a natural consequência da “dificuldade das previsões macroeconómicas”, que se tem que ir “ajustando” mês a mês. Mas os erros antes de serem “ajustados” acaso não foram instrumentos de combate político, fonte de afirmação de legitimidade, atirados contra todos os que suspeitavam da sua verdade e exequibilidade? Não tem importância, encontra-se uma estatística qualquer que mostra que estamos no “caminho certo”, mesmo que tudo esteja errado, e há sempre quem coma esta palha.»
Pacheco Pereira, Público, hoje (texto completo aqui)

domingo, 2 de setembro de 2012

Nada é nada

«O Governo é bastante medíocre. Há excepções, mas são excepções, a governação em geral está longe de responder às dificuldades do momento. A única coisa que unifica a governação são os cortes impostos pelas Finanças. Fora disso não há nada. [...] A única privatização que o PS não aceita é a de tornar o “bloco central” na RTP propriedade do PSD, e, quando lá chegar, não haja nada no “pote”. [...] O PS está-se nas tintas para os Estaleiros de Viana do Castelo, ou a TAP, ou a ANA, mas não se está nas tintas para o controlo da comunicação social pelo PSD. Admite que o PSD, enquanto governa, manda mais do que o PS na comunicação social do Estado, mas quer, quando lá chegar, ter disponíveis os mesmos meios de controlo, para ser a sua vez. É esta relação que tem sido o seguro de vida da RTP.»
Pacheco Pereira, Público, 1 de Setembro (aqui)

domingo, 26 de dezembro de 2010

Convicções

«Como católico, como tem visto a actuação de Bento XVI?
A única coisa que lhe posso dizer é que não gostaria de estar na sua pele.

O casamento homossexual. Continua a opor-se?
À medida que a gente vai envelhecendo ganha-se uma tolerância crescente em relação a todas as coisas que por vezes na nossa juventude tínhamos mais dificuldade em compreender.
[«Guterres sobre homossexualidade: ‘Não é aspecto que me agrade particularmente’», Público, 17 de Setembro de 1995]

E a adopção de crianças por homossexuais?
É uma matéria sobre a qual não tenho convicções muito firmes.»

António Guterres em entrevista à revista Única, do Expresso, de 23 de Dezembro de 2010:

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Casamento sem adopção

O chamado "casamento gay" foi tema de conversa anteontem à noite, numa reunião da bancada do PS. Se dúvidas existiam, elas ficaram dissipadas: a proposta de lei que o Governo apresentará não irá admitir aos casais homossexuais o direito de adoptarem crianças porque, segundo explicou Francisco Assis, isso "não constava no programa eleitoral" dos socialistas.
[DN, hoje]

domingo, 30 de agosto de 2009

Gestos de neve e de metal

Os lábios de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, nascido faz 52 anos no próximo dia 6 de Setembro, bem poderiam aflorar, por estes dias, umas conhecidas estrofes de Cesário Verde, poeta que o primeiro-ministro admira mais ou menos secretamente (...). Olhando para Manuela Ferreira Leite, cada vez mais ameaçadora, depois da vitória do PSD, nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, vêm a propósito os primeiros versos de Deslumbramentos: «Milady, é perigoso contemplá-la / quando passa aromática e normal / Com seu tipo tão nobre e tão de sala / com seus gestos de neve e de metal.»
["A história de Mané e Zézito", por Filipe Luís, na Visão de 27 de Agosto]

domingo, 9 de agosto de 2009

TVI e as notícias que favorecem o Governo

O Jornal Nacional da TVI é aquele que, [de] entre os espaços de informação dos canais generalistas que vão para o ar às 20h, apresenta uma maior incidência de notícias favoráveis [ao] Governo, sendo também a informação com um maior peso de notícias desfavoráveis sobre o PSD. As conclusões são do relatório de regulação de 2008 da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). (...) "Os membros do Governo são apresentados com tom/valência mais favorável em 32,3% na TVI, 30,3% na RTP1 e 28% na SIC", lê-se no relatório ontem publicado pela ERC e que analisou 1377 peças da RTP, 1492 da SIC e 1220 emitidas pela TVI.
[notícia do jornal i, ontem]

domingo, 26 de julho de 2009

Confirma-se

Sérgio Vitorino, activista gay, em entrevista à Time Out Lisboa esta semana:
"Acho que é do interesse do Partido Socialista [que se comprometeu com a legalização do casamento, sem unanimidade interna] que se fale pouco de casamento em período eleitoral ou de outras questões da agenda LGBT. E há partidos políticos e forças conservadoras na sociedade que não vão deixar passar em branco o tema do casamento sem confronto público."

Notícia de hoje sobre o programa eleitoral do PS, no Público:
"De fora estão por enquanto questões consideradas fracturantes, como, por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo - um assunto que José Sócrates prometeu há seis meses avançar na próxima legislatura - e o testamento vital, há dias adiado para o próximo ano.(...) O programa eleitoral do PS será apresentado na próxima quarta-feira, em mais uma sessão do Fórum Novas Fronteiras."

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Harvey Milk à lisboeta

Eis a primeira pessoa assumidamente homossexual a candidatar-se a um cargo público em Portugal. Miguel Vale de Almeida quer ser deputado pelo círculo de Lisboa nas listas do PS.
Entrevista aqui.
foto de Carlos Manuel Martins

[CORRECÇÃO: Não se trata da primeira pessoa assumidamente homossexual a candidatar-se a um cargo público em Portugal. O actor Mário Viegas candidatou-se a deputado pela UDP em 1995, e, no mesmo ano e pelo mesmo partido, à presidência da República, como se pode comprovar aqui]

domingo, 5 de julho de 2009

Discreta erotização

"Figurar Sócrates literalmente entre as mulheres não visa apenas a 'outra metade' que pode decidir uma eleição. Trata-se também de fazer perpassar uma discreta erotização que se demarca, ponto por ponto, dos processos de difamação pessoal a que o primeiro-ministro tem sido sujeito".
[João Lopes, no Sound + Vision]

sábado, 16 de maio de 2009

Acordo é um disparate

A polémica alteração das regras ortográficas está também a causar divisões no PS, ameaçando transformar-se num foco de tensão entre o partido e o Executivo de Sócrates. “O Governo cometeu o erro de pôr este acordo em execução. É um disparate que entre em vigor”, afirma Luís Fagundes Duarte, coordenador do PS para a área da Educação. Para o deputado, “o problema foi o ministro da Cultura ter avançado sem ter a retaguarda protegida a nível do próprio Governo”.
[no Expresso, hoje]

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Lançar o debate

José Sócrates quer lançar o debate sobre o casamento gay (aqui). Quer lançar o debate, não disse que quer mudar o Código Civil. O que não quer (não disse, mas mandou dizer) é a adopção de crianças por casais do mesmo sexo (aqui), o que só faz sentido se a lei da adopção for entretanto alterada.

Será bom, a propósito, recordar compromissos que ficam por cumprir: o programa do actual Governo dizia que “é preciso um amplo debate nacional sobre igualdade e orientação sexual” (aqui).


Reacções à proposta do PS:

- associação ILGA - aqui (Lusa/Expresso)

- associação Panteras Rosa - aqui (Lusa)

- associação Opus Gay - aqui (Sol/Lusa)

- Juventude Socialista - aqui (Público)

- Igreja Católica - aqui (Correio da Manhã)

- Partido da Nova Democracia - aqui (IOL)

- Grupo Rumos Novos - aqui (Lusa/Expresso)


sábado, 17 de janeiro de 2009

Explícito ou implícito?

"O documento [moção ao congresso do PS, a 27 de Fevereiro] entregue ontem ao fim da tarde, foi preparado por uma equipa coordenada por António Costa e composta por Pedro Silva Pereira, Edite Estrela, Helena André, Alberto Martins, Augusto Santos Silva, Vieira da Silva, Jorge Lacão, Osvaldo Castro, Vera Jardim e Pedro Adão e Silva.

A versão entregue não era, porém, um texto fechado. Havia casos e situações em que foram preparadas várias formulações escritas que davam a Sócrates a decisão final. Neste caso estava, por exemplo, o que a moção de estratégia dirá sobre o casamento entre homossexuais. Ainda que a expressão casamento civil não apareça na versão final, a ideia é que fique bem explícito o reconhecimento do princípio, mas a decisão sobre como fazê-lo foi deixada ao veredicto do secretário-geral."

"Público", hoje, aqui


"A moção global que José Sócrates apresentará no próximo congresso do PS deverá conter um compromisso claro do partido no sentido de legalizar os direitos conjugais iguais entre hetero e homossexuais. A proposta estará amanhã em cima da mesa, na última reunião do grupo redactor da moção, presidido por António Costa. Caberá a José Sócrates a palavra final. Membros deste grupo admitiram ao DN que dificilmente haverá margem para o líder recusar um discurso clarificador na matéria."

"Diário de Notícias" de 14 de Janeiro, aqui

sábado, 27 de dezembro de 2008

Casamento não desenguiça

A garantia de que, se for governo após as legislativas de 2009, o PS adoptará medidas fiscais que favoreçam as pessoas mais afectadas pela crise é uma das questões que os dirigentes da esquerda do PS, entre os quais Vera Jardim, Paulo Pedro, Ana Gomes e Maria de Belém Roseira, gostariam de ver assumidas pelo secretário-geral e primeiro-ministro, José Sócrates, no próximo congresso do partido, que decorre entre 27 de Fevereiro e 1 de Março, em Espinho.
(...)
Consideram que o partido deve ultrapassar o que consideram uma imagem que resultou da posição contra a legalização dos casamentos homossexuais, quando esta questão foi debatida no Parlamento, a 10 de Outubro, por proposta do Bloco de Esquerda. Uma imagem de conservadorismo que, dizem, prejudica o PS.
A solução a defender por estes dirigentes - e que esperam ver aceite por José Sócrates como sinal de pacificação interna - poderá passar pela inclusão no programa eleitoral do partido da promessa explícita de que, se forem de novo Governo, reconhecerão o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas também há quem considere, dentro deste grupo de dirigentes, que ainda há um caminho a fazer no reconhecimento de direitos aos homossexuais através da lei que já reconhece as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo, pelo que esta deve ser ampliada, nomeadamente com o reconhecimento do direito de herança, e regulamentada.
[excerta da notícia "Benefícios fiscais para mais desfavorecidos são exigência da esquerda do PS", por São José Almeida, Público, hoje]

sábado, 6 de dezembro de 2008

Dêem cá os prejuízos

"O problema deste PS é a veneração e a deferência, quase temor reverencial, que sempre mostra para com os negócios dos muito ricos. Nos tempos que correm, o PS português parece ser, aliás, o último bastião ideológico onde ainda se acredita que os grandes negócios empresariais são o fermento essencial à saúde económica do país. Já nem nos Estados Unidos há quem se atreva agora a dizer que o que é bom para a General Motors é bom para o país.

(…)

O mesmo governo que faz finca-pé em exigir aos professores que se submetam a uma avaliação para progredirem na carreira por mérito, acaba de dizer que, na banca, não há lugar a avaliação nem a consequências da falta de mérito: se as coisas correrem bem, fiquem com os lucros; se correrem mal, dêem cá os prejuízos."

Miguel Sousa Tavares, "Expresso", hoje

sábado, 15 de novembro de 2008

Uma esquerda aniquilada

"Os factos têm vindo a falar por si: ao longo dos últimos anos, as peças-chave dessa esquerda que nunca se identificou com Sócrates têm vindo a ser paulatinamente ‘aniquiladas’. Tudo começou ainda em 2004, com Vieira da Silva, braço-direito de Ferro Rodrigues, a aceitar integrar a direcção do então recém-eleito líder socialista José Sócrates. Prosseguiu com a sua inclusão (e a de Augusto Santos Silva, que apoiara Alegre no Congresso de Guimarães) no Governo; e com a chamada de Alberto Martins (outro alegrista) à liderança do grupo parlamentar. Ferro foi ‘exilado’ para a OCDE, seguiu-se-lhe João Cravinho, ‘convidado’ para um lugar na administração do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento, em Londres. Por cá ficou ainda Manuel Maria Carrilho, que toma posse, em Janeiro, como embaixador na UNESCO." (Excerto da notícia "Esquerda do PS não acredita em Manuel Alegre como salvador", de Cristina Figueiredo, no "Expresso" de hoje.)

sábado, 26 de janeiro de 2008

Já tardava

Claro, como já não sabe o que fazer à vida, o ministro da Saúde agora acha que o resto país (não ele, claro) é que tem de gerir o ministério. E os jornalistas, esses malvados, deviam era estar calados:
"Eu quero pedir aos portugueses e aos meios de comunicação social que, em vez de descredibilizarem uma instituição que custou tanto tempo a criar, ajudem a melhorar as relações entre o INEM e os bombeiros."
Correia de Campos

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Serviço de urgência quê?

O ministro da Saúde tem tantas dificuldades em comunicar (é o que se diz por aí) que nem no nome das coisas consegue ser claro.
Quem sabe o nome exacto dos novos serviços de urgência que ele quer abrir não sei onde? Serviço de Urgência Básico ou Serviço de Urgência Básica? O Governo alinha
numa e noutra versões. Os jornais também oscilam entre o feminino e o masculino.
Qual a versão certa?

sábado, 19 de janeiro de 2008

Frases

"Estaria a mentir se dissesse que me reconheço no actual Governo"
Manuel Alegre

“Os portugueses têm quatro vidas: a vida em família, no trabalho, a vida social e uma vida secreta”
Wladimir Schrijver (o título da notícia não lembra ao diabo)

"É vê-los apregoar aos outros, aos assalariados, as virtudes da meritocracia, enquanto ganham os favores do Estado por meio de milionárias concessões monopolistas."
Luís Marvão, Office Lounging

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A airosa Lisboa de Graça Moura

O Partido Socialista Europeu deu dinheiro a um fotógrafo para ele fotografar Budapeste, Lisboa e Bruxelas. O tema: "condições de habitação na Europa". O fotógrafo, Loïc Delvaulx, fez as fotos. Foram expostas em Bruxelas, em Dezembro último.
Agora, o eurodeputado do PSD Vasco Graça Moura vem dizer que é "vergonhoso" que Lisboa tenha sido retratada como uma cidade de bairros degradados. Que o é. Basta pensar em Campo de Ourique, um dos mais populosos da capital.
Graça Moura gostava que a realidade se demitisse, mas, infelizmente, é impossível.
Ou então não quer saber da realidade, nem das fotos, nem de coisa nenhuma, e achou foi que tinha aqui oportunidade para fazer um brilharete político. Tenha tino.
Notícia aqui.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Sócrates aprendeu de ouvido

"A designação de António Costa para Lisboa ergue a suspeita de que Sócrates quis remover um émulo poderoso. Manigância com antecedentes: lembremo-nos das ciladas a Mário Soares e a Manuel Alegre. Maquiavel advertiu que, em política, não há moral. Sócrates não leu: mas aprendeu de ouvido.
Os limites e as confusões deste aviltamento convidam-nos a concluir que, com cavalheiros de tal porte, tudo se resume a ganhar ou a perder". Baptista-Bastos, Diário de Notícias, ontem