sábado, 8 de setembro de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
"A misteriosa vida de Sócrates em Paris"
A misteriosa vida de Sócrates em Paris
TEXTO DE DANIEL RIBEIRO, CORRESPONDENTE EM PARIS
OS VIZINHOS JÁ ESTÃO HABITUADOS AOS SEUS PASSEIOS DE BICICLETA OU A PÉ COM O FILHO E AO SEU GOSTO PELO JOGGING NOS JARDINS DO SERENO BAIRRO
«Vive com discrição na capital francesa, levando a sério o voto de ficar em silêncio durante três anos, como foi aconselhado. Do curso onde entrou com “estatuto especial”, ao soberbo quarteirão onde mora e os sítios que frequenta, como são os dias do ex-primeiro-ministro em Paris Participa em reuniões preparadas no maior segredo, almoça e janta discretamente com amigos em restaurantes inacessíveis ao comum dos mortais, entra na Universidade o mais anonimamente possível, foge dos jornalistas como o diabo da cruz, mas, no chiquíssimo quarteirão de Paris onde mora, anda à vontade e sem grandes preocupações. Todas as manhãs, José Sócrates abre a pesada porta de ferro e vidro do belo prédio em pedra de talha onde reside com um dos dois filhos. Atravessa uma rua estreita e, um minuto depois, entra num dos raríssimos cafés baratos e populares que existem no seu bairro, o número 16, que é o mais caro, mais fidalgo e mais conservador de Paris. O ex-primeiro-ministro português toma o primeiro café da manhã mesmo ao lado de casa, e é servido por um empregado português. “É muito simpático, chega sempre com um sorriso e vem aqui todos os dias”, explica o emigrante.
O café, pequeno e pouco confortável, é sobretudo um local PMU (Apostas Mútuas Urbanas), sigla que significa que aí se pode apostar, em direto, em corridas de cavalos. É um estabelecimento rigorosamente igual a centenas de outros bares Pmuque existem sobretudo nas zonas mais desfavorecidas de Paris. Sócrates bebe a bica ao balcão, ao lado dos residentes e trabalhadores mais pobres do soberbo quarteirão onde apenas os ricos podem comprar ou alugar casa — a renda mensal de um 4/5 assoalhadas custa, nesta área, no mínimo 4000 euros. Os clientes são empregados dos comércios das redondezas, emigrantes, porteiros, reformados, desempregados e jovens estudantes.
A essa hora, ainda não começou a febre das apostas nas corridas de cavalos. Alguns desafortunados reformados e desempregados leem jornais especializados nas contendas dos hipódromos, muito compenetrados no estudo dos prognósticos para as variadas corridas do dia. Tomam notas, persuadidos que vão acertar no alinhamento final do quinté (registar, na ordem, os cinco primeiros cavalos que atravessarão a meta, o que pode significar a fortuna). Dentro de pouco tempo chegará a empregada do PMU, o café enche e tudo entra em transe. Os franceses e os emigrantes radicados há vários anos em França são loucos pelo quinté e, quando se aproxima a hora da principal corrida do dia, depois das 13h, apinham-se junto ao pequeno guiché de vidro, em frente ao balcão, para apostarem o pouco dinheiro que têm no sonho de serem ricos. O ex-chefe do Governo português não é jogador e nunca ousou arriscar um euro num cavalo.
O VIZINHO SÓCRATESNo café, a chegada de Sócrates já não provoca sensação, como aconteceu nos primeiros tempos, quando era tema de cochichos e de boa parte das conversas. É um habitué, como tantos outros clientes. “Então? Vivem ao lado de José Sócrates!”, disséramos à chegada, ao acaso, a um casal de emigrantes portugueses. A mulher curvara-se então ligeiramente e, espreitando pela parede envidraçada para um dos andares do edifício tipicamente parisiense, avisara: “Já está levantado, tem as cortinas abertas!” “Vive com o filho, que é estudante do liceu e tem uma empregada que é minha amiga”, acrescentara.
Alguns dos fregueses especulam e dizem disparates. “Ele é professor na Universidade da Sorbonne”, garante um deles. Ao ouvir-nos explicar que Sócrates é estudante no Instituto de Estudos Políticos de Paris (IEP, vulgo Sciences-po), não acredita. Um amigo exclama: “Pois, também já ouvi dizer isso, mas custa a acreditar que ele ande a estudar com a sua idade e depois de ter sido primeiro-ministro!”
Facto é que Sócrates já faz parte da paisagem do quarteirão e os vizinhos contam pormenorizadamente tudo o que sabem. Muito do que dizem é confirmado pela maioria: os seus passeios de bicicleta ou a pé com o filho e o seu gosto pelo jogging nos jardins do sereno bairro, um dos mais seguros e vigiados da capital francesa. “Ele vai correr ao fim de semana para o Bosque de Bolonha, que é aqui perto”, conta uma mulher. As mulheres acham-no “bonito homem” e gostam de o ver e ouvir dizer todas as manhãs bonjour com um sorriso aberto. “É um lindo homem, elegante, muito simpático e simples”, sublinha uma delas.
Mas o ex-primeiro-ministro português tem outros conhecidos e pessoas bem mais suas amigas no 16º Bairro, onde vivem grandes homens de negócios, herdeiros de inacreditáveis fortunas, políticos do topo, embaixadores, príncipes e princesas de países árabes, estudantes filhos de obscuros presidentes africanos, bem como opulentos milionários e reformados por vezes bem carrancudos. Por exemplo, Nicolas Sarkozy, que Sócrates trata por tu, passa a maior parte das suas noites não muito longe do seu prédio. O Presidente francês tem desleixado os seus apartamentos privados no Eliseu e prefere dormir na casa da sua mulher, Carla Bruni, que é riquíssima de nascimento. Carla vive desde há diversos anos numa vivenda localizada perto da Villa Montmorency, um dos espaços urbanos mais caros e mais seletos do mundo.
Curiosamente, Sócrates parece ter mais afinidades pessoais e, até políticas, com Sarkozy do que com os seus camaradas socialistas franceses. Conhece mal, por exemplo, François Hollande, o principal rival do chefe do Estado francês nas eleições presidenciais da próxima primavera. “José Sócrates é meu amigo e desde que cheguei à presidência francesa não me lembro de um ponto de divergência entre nós”, disse em público e na sua presença, em Paris, em 2010, Nicolas Sarkozy. Fontes seguras garantem ao Expresso que os dois já se encontraram na capital francesa desde que o português aí reside. Os nossos informadores só não sabem onde ambos jantaram, mas, se foi em casa de Carla, Sócrates não teve problemas para arranjar ajuda para se exprimir com o seu francês de qualidade medíocre. As duas empregadas domésticas da primeira-dama francesa são emigrantes portuguesas, bilingues. A sua dama de companhia também.
Ainda no mesmo bairro, o socialista português tem outro amigo, seu conhecido de longa data — o embaixador de Portugal, Francisco Seixas da Costa, que naturalmente o ajudou quando ele decidiu instalar-se e estudar em Paris. O diplomata confirma ter-lhe fornecido, no verão do ano passado, o contacto de dois professores universitários. Estes aconselharam-no, ajudaram-no a escolher o curso e a organizar o dossiê de candidatura ao IEP. Sócrates encontra-se com o embaixador, com alguma regularidade, em Paris, o que é natural. Seria anormal é que Seixas da Costa não almoçasse ou jantasse de vez em quando com um ex-pm que, ainda para mais, é seu amigo e, como ele, socialista.
TRÊS ANOS DE SILÊNCIOMas Sócrates cultiva o segredo sobre o essencial da sua vida na capital francesa. Jamais responde a solicitações de jornalistas nem desmente nem confirma as informações que são publicadas a seu respeito, mesmo as mais polémicas. Aparentemente, não o perturba por aí além que jornais e blogues em Portugal escrevam que foi admitido por favor no IEP ou que a sua candidatura foi recusada três vezes antes de ser aceite depois de pressões nesse sentido da parte do embaixador de Portugal. Sobre este assunto, é Seixas da Costa que se pronuncia. “Nunca me foi pedida, nem eu levei a cabo, qualquer diligência para facilitar o acesso do eng.˚ Sócrates ao Instituto de Estudos Políticos, nem nunca chegou ao meu conhecimento que tenha havido qualquer dificuldade na respetiva admissão naquela escola”, diz o diplomata. No IEP — uma instituição atualmente em crise por serem abertamente contestadas as orientações pedagógicas e a gestão do seu diretor, Richard Descoings — não se apreciam estas polémicas. A direção do IEP também desmente oficialmente terem sido levantados obstáculos à sua inscrição (ver texto sobre o curso, pág. 27).
O silêncio de Sócrates parece ser o produto de uma estratégia arquitetada por ele e alguns próximos, cujas sugestões ele ouve com atenção. Terá sido aconselhado pelo ex-presidente português Mário Soares, com quem também já se encontrou, em Paris, a não falar à imprensa “durante três anos”. Esta informação, fornecida ao Expresso por fontes seguras, significará que o ex-pm não exclui um regresso, a prazo, à vida política ativa, em Portugal.
A proximidade atual entre Soares e Sócrates é curiosa porque tudo os deveria afastar, designadamente os respetivos percursos socialistas. Dois pequenos exemplos espelham bem as diferenças entre ambos. Sempre que se deslocava a Paris, tanto quando estava no poder como na oposição, Soares fazia questão em ir visitar os seus camaradas da direção do PS francês, na rua Solferino. O ex-presidente sempre agiu desse modo, mesmo quando viajava para a capital francesa em visita oficial e era a direita que estava no Eliseu ou no Governo. Sócrates nunca fez o mesmo e jamais foi um habitué da sede do PS na rua Solferino. Quanto a Sarkozy, Soares é extremamente crítico e detesta-o. Ao contrário, Sócrates admira Sarkozy — há menos de dois anos, em conversa com este correspondente, chegou a elogiá-lo por ele ter lançado um polémico debate sobre a identidade nacional, que na altura provocava uma controvérsia gigantesca em França, com toda a esquerda a bradar aos céus e a acusá-lo de estar a namorar a extrema-direita.
Se o aconselharam ao mutismo, ele segue-o à letra. Tudo o que José Sócrates faz fora do seu quarteirão, em Paris, passa-se com um exagero de prudências. No passado dia 8 de dezembro, foi o convidado de honra de um jantar da muito seleta Confraria dos Financeiros, no qual falou, de forma informal, de Portugal e das reformas que o seu Governo impulsionou e, segundo disse, lhe alteraram a imagem, modernizando-o. Falou da abertura da economia e da sociedade portuguesas e apelou aos investimentos, manifestando confiança no futuro do país. Mas, este jantar — que decorreu um mês depois da célebre conferência estudantil, no IEP de Poitiers, organizada e apresentada pelo professor universitário Pierre l’eglise-costa, na qual ele disse que “pagar a dívida é uma ideia de criança” — foi preparado quase com os mesmos cuidados que uma reunião maçónica. Até adidos da embaixada que habitualmente são convidados para os jantares desta irmandade de luso-franceses ligados à banca, empresas, advocacia, auditoria, diplomacia e cultura e que a acarinharam desde a sua fundação, em 2008, só souberam da sua realização depois de ele ter decorrido! Muitos dos alegados 200 ‘sócios’ da confraria nem sequer terão sido convidados nem previamente avisados do jantar.
A Confraria dos Financeiros é uma organização que tem como principais quadros representantes da elite dos luso-descendentes em França. Foi desde sempre apoiada pela embaixada portuguesa, mas funciona com alguma opacidade. O seu presidente, Roger Carvalho, diretor de Petróleo e Gás do grupo Renaissance Capital, diz ao Expresso que a lista dos seus membros não é pública. Os confrades pugnam pelo fortalecimento dos laços económicos, sociais e culturais entre a França e Portugal. Entre as pessoas que foram seus convidados especiais para os jantares que regularmente organizam em Paris figuram Seixas da Costa, Manuel Maria Carrilho, Ferro Rodrigues e Rui Vilar. Do que disse Sócrates no jantar pouco transpirou oficialmente e Roger Carvalho informa que a Confraria evoluiu, desde junho de 2011, para um think tank (grupo de reflexão, estudos e propostas). Sobre o que se discutiu com Sócrates, Roger resume-o deste modo: “Foram debatidos diversos temas, como os da diplomacia económica, da competitividade e fatores de diferenciação de Portugal, do ensino da língua portuguesa e das culturas lusófonas como bases da expansão económica, entre outros.” Da direção da Confraria faz parte também, como vice-presidente, Ana de Morais, que é diretora de gestão de clientes da Europa do Sul no banco francês Société Générale.
DIAS FELIZES NO QUARTIER LATINEm Paris, José Sócrates segue a vida política portuguesa e também a francesa com grande atenção, designadamente a pré-campanha para as presidenciais francesas de abril/maio deste ano. Continua com o bicho da política e estuda no IEP, onde a atualidade é acompanhada de perto e que se vangloria de formar grande parte dos dirigentes da França e de outros países — o que é verdade. Frequenta também Saint-germain-des-prés, as suas livrarias, cafés e restaurantes, a zona da cidade preferida dos artistas, escritores, políticos e diplomatas. Alguns dos locais por onde passa são famosos e distintos, como a livraria La Hune, o restaurante Brasserie Lipp, os cafés Flore e Deux Magots, que têm ambientes, clientelas chiques e preços bem diferentes dos do café PMU onde toma a primeira bica da manhã. Nos cafés, restaurantes e cervejarias de Saint-germain-des-près, no Quartier Latin, a dois passos da Universidade da Sorbonne e do IEP, respiram-se ainda eflúvios da revolta de maio de 1968, das suas musas e dos grandes debates intelectuais do passado, protagonizados designadamente pelo casal de filósofos Jean-paul Sartre e Simone de Beauvoir. A Brasserie Lipp era um dos restaurantes preferidos do falecido ex-presidente francês François Mitterrand e, hoje, continua a ser frequentada pelo que os franceses chamam “a esquerda caviar”. O Café de Flore, que também é restaurante e tem uma sala mais reservada no primeiro andar, é idêntico.
Sócrates frequenta também as livrarias do Quartier Latin. À Livraria Portuguesa (do editor Michel Chandeigne), na rua Tournefort, perto do Panteão, apenas foi uma vez, nas primeiras semanas depois de se ter instalado em Paris, para comprar livros.
O ex-pm português aproveita também a estada na capital francesa para conviver de perto com o filho mais velho. Este é igualmente estudante em Paris, onde frequenta o BAC, o último ano do ensino secundário. “Ele está a gostar imenso de viver e passar tempo com o filho, de o conhecer melhor, porque a sua vida, até há pouco tempo, não lhe permitia estar suficientemente com ele”, explica ao Expresso um amigo com quem regularmente se encontra na capital francesa e que falou sob anonimato. “Anonimato” parece ser a palavra-chave dos amigos de Sócrates que falaram ao Expresso. Durante esta reportagem foi difícil encontrar interlocutores que aceitassem dar a cara. Sócrates é assunto delicado para diplomatas, professores e amigos que falaram sempre com algum incómodo ao nosso jornal e pesando bem as palavras.
A sua inscrição em ciência Política foi confirmada pela primeira vez publicamente no dia 27 de setembro de 2011 pelo ex-presidente brasileiro, Lula da Silva, quando este discursava na cerimónia oficial do seu doutoramento honoris causa, em sciences-po. Sócrates, que assistia ao doutoramento do amigo e que jantara com ele e outros políticos e diplomatas do Brasil e de Portugal, na véspera, na residência do embaixador do Brasil na capital francesa, tinha-lhe mostrado o cartão de estudante. Nessa altura, apresentava o cartão — essencial para por exemplo ter acesso à biblioteca do IEP — a todos os amigos. Exibiu-o igualmente como um troféu perante os estudantes do polo ibero-latino-americano de Poitiers durante a sua palestra no controverso colóquio, na qual disse que “as dívidas dos Estados são eternas e têm é de ser geridas”.
Mas, como não o parecem afligir as situações confusas que originam especulações estonteantes, mantém a regra de não comentar as informações por vezes insidiosas que circulam sobre ele. É por isso alvo, também em Paris, dos mais variados rumores. Durante receções e outras ocorrências portuguesas em França, as pessoas falam sobre ele e interrogam-se. A pergunta mais frequente é esta: quem paga as suas despesas na excessivamente cara cidade de Paris?»
segunda-feira, 18 de abril de 2011
"O que verdadeiramente dói"
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
"Controlar os patrões"
José António Saraiva
sábado, 6 de fevereiro de 2010
"Telejornal travestido"
domingo, 30 de agosto de 2009
Gestos de neve e de metal

["A história de Mané e Zézito", por Filipe Luís, na Visão de 27 de Agosto]
domingo, 9 de agosto de 2009
TVI e as notícias que favorecem o Governo
O Jornal Nacional da TVI é aquele que, [de] entre os espaços de informação dos canais generalistas que vão para o ar às 20h, apresenta uma maior incidência de notícias favoráveis [ao] Governo, sendo também a informação com um maior peso de notícias desfavoráveis sobre o PSD. As conclusões são do relatório de regulação de 2008 da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). (...) "Os membros do Governo são apresentados com tom/valência mais favorável em 32,3% na TVI, 30,3% na RTP1 e 28% na SIC", lê-se no relatório ontem publicado pela ERC e que analisou 1377 peças da RTP, 1492 da SIC e 1220 emitidas pela TVI.domingo, 26 de julho de 2009
Confirma-se
"De fora estão por enquanto questões consideradas fracturantes, como, por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo - um assunto que José Sócrates prometeu há seis meses avançar na próxima legislatura - e o testamento vital, há dias adiado para o próximo ano.(...) O programa eleitoral do PS será apresentado na próxima quarta-feira, em mais uma sessão do Fórum Novas Fronteiras."
domingo, 5 de julho de 2009
Discreta erotização
"Figurar Sócrates literalmente entre as mulheres não visa apenas a 'outra metade' que pode decidir uma eleição. Trata-se também de fazer perpassar uma discreta erotização que se demarca, ponto por ponto, dos processos de difamação pessoal a que o primeiro-ministro tem sido sujeito".segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Danos colaterais
"O caso Dreyfus, como muitos outros antes e depois dele, mostra o ladro negro do poder do sistema judicial. Quando um sistema criado para certificar a procura e o triunfo da verdade despreza a verdade e funciona como se estivesse acima das leis por cujo cumprimento lhe cumpre zelar, instrumentalizando o extraordinário poder que lhe é conferido, não há Estado de Direito."
Fernanda Câncio, DN, 30 de Janeiro
"Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus."
Mário Crespo, JN, hoje
“É o autor desta amálgama um jornalista? e ainda por cima visto como um alegado expoente desse mister? que tristeza -- que máxima tristeza.”
Fernanda Câncio, Jugular, hoje
"Quem e o que é que representa ou julga representar a jornalista Câncio no PS? E representa o que representa enquanto 'jornalista'? É procuradora-geral dessa agremiação para calar jornalistas dissonantes? Quem é que esta espécie de pidezeca julga que é para querer silenciar os seus colegas?"
Carlos Vidal, “5Dias”, hoje
E mais esta pérola:
"Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal."
Mário Crespo, JN, hoje
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
O 'timing' inglês
Hoje, Baptista-Bastos diz na mesma tribuna que o 'timing' é assassino:"Estou-me bem nas tintas para o timing das notícias. Comove-me muito pouco que estejamos em ano de eleições. O que eu quero mesmo saber é se as notícias são verdadeiras ou se são falsas. O que eu quero é saber se o primeiro-ministro deste país esteve envolvido em trafulhices imperdoáveis."
"Não gosto daquilo que o eng.º José Sócrates representa, dos caminhos ínvios para os quais conduziu a pátria e nos compeliu. (...) Porém, este caso do Freeport fez-me reflectir sobre a natureza da indignidade e os fundamentos da sordidez. Nos últimos três anos, o homem foi acusado de forjar uma licenciatura, de ser homossexual (uma acusação abjecta, com remetente conhecido) e, agora, de estar envolvido numa tecelagem de corrupção. A história escora-se numa trama obscura, mas o estilo caracteriza a procedência. Não pertenço à matilha. As desprezíveis fugas de informação parecem obedecer a um calendário político. Seria Sócrates muito tolo, e não o é, acaso se se deixasse enredar numa teia tão rudimentar e insensata quanto os noticiários no-lo revelam."E eis que ao fim do dia aparece isto:
"As autoridades inglesas consideram o primeiro-ministro José Sócrates suspeito no caso Freeport, de acordo com a próxima edição da revista "Visão" que sairá para as bancas amanhã. Por seu lado, a revista "Sábado" afirma que "os investigadores ingleses querem ver as contas bancárias do primeiro-ministro" (Público online).
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Lançar o debate
José Sócrates quer lançar o debate sobre o casamento gay (aqui). Quer lançar o debate, não disse que quer mudar o Código Civil. O que não quer (não disse, mas mandou dizer) é a adopção de crianças por casais do mesmo sexo (aqui), o que só faz sentido se a lei da adopção for entretanto alterada.
Será bom, a propósito, recordar compromissos que ficam por cumprir: o programa do actual Governo dizia que “é preciso um amplo debate nacional sobre igualdade e orientação sexual” (aqui).
Reacções à proposta do PS:
- associação ILGA - aqui (Lusa/Expresso)
- associação Panteras Rosa - aqui (Lusa)
- associação Opus Gay - aqui (Sol/Lusa)
- Juventude Socialista - aqui (Público)
- Igreja Católica - aqui (Correio da Manhã)
- Partido da Nova Democracia - aqui (IOL)
- Grupo Rumos Novos - aqui (Lusa/Expresso)
sábado, 17 de janeiro de 2009
Explícito ou implícito?
"O documento [moção ao congresso do PS, a 27 de Fevereiro] entregue ontem ao fim da tarde, foi preparado por uma equipa coordenada por António Costa e composta por Pedro Silva Pereira, Edite Estrela, Helena André, Alberto Martins, Augusto Santos Silva, Vieira da Silva, Jorge Lacão, Osvaldo Castro, Vera Jardim e Pedro Adão e Silva.
A versão entregue não era, porém, um texto fechado. Havia casos e situações em que foram preparadas várias formulações escritas que davam a Sócrates a decisão final. Neste caso estava, por exemplo, o que a moção de estratégia dirá sobre o casamento entre homossexuais. Ainda que a expressão casamento civil não apareça na versão final, a ideia é que fique bem explícito o reconhecimento do princípio, mas a decisão sobre como fazê-lo foi deixada ao veredicto do secretário-geral.
"Público", hoje, aqui
"A moção global que José Sócrates apresentará no próximo congresso do PS deverá conter um compromisso claro do partido no sentido de legalizar os direitos conjugais iguais entre hetero e homossexuais. A proposta estará amanhã em cima da mesa, na última reunião do grupo redactor da moção, presidido por António Costa. Caberá a José Sócrates a palavra final. Membros deste grupo admitiram ao DN que dificilmente haverá margem para o líder recusar um discurso clarificador na matéria."
"Diário de Notícias" de 14 de Janeiro, aqui
sábado, 27 de dezembro de 2008
Casamento não desenguiça
Consideram que o partido deve ultrapassar o que consideram uma imagem que resultou da posição contra a legalização dos casamentos homossexuais, quando esta questão foi debatida no Parlamento, a 10 de Outubro, por proposta do Bloco de Esquerda. Uma imagem de conservadorismo que, dizem, prejudica o PS.
A solução a defender por estes dirigentes - e que esperam ver aceite por José Sócrates como sinal de pacificação interna - poderá passar pela inclusão no programa eleitoral do partido da promessa explícita de que, se forem de novo Governo, reconhecerão o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas também há quem considere, dentro deste grupo de dirigentes, que ainda há um caminho a fazer no reconhecimento de direitos aos homossexuais através da lei que já reconhece as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo, pelo que esta deve ser ampliada, nomeadamente com o reconhecimento do direito de herança, e regulamentada.
[excerta da notícia "Benefícios fiscais para mais desfavorecidos são exigência da esquerda do PS", por São José Almeida, Público, hoje]
sábado, 15 de novembro de 2008
Uma esquerda aniquilada
"Os factos têm vindo a falar por si: ao longo dos últimos anos, as peças-chave dessa esquerda que nunca se identificou com Sócrates têm vindo a ser paulatinamente ‘aniquiladas’. Tudo começou ainda em 2004, com Vieira da Silva, braço-direito de Ferro Rodrigues, a aceitar integrar a direcção do então recém-eleito líder socialista José Sócrates. Prosseguiu com a sua inclusão (e a de Augusto Santos Silva, que apoiara Alegre no Congresso de Guimarães) no Governo; e com a chamada de Alberto Martins (outro alegrista) à liderança do grupo parlamentar. Ferro foi ‘exilado’ para a OCDE, seguiu-se-lhe João Cravinho, ‘convidado’ para um lugar na administração do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento,
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Seca
Uma pergunta sobre Alegre? Nada. Perguntas sobre a Sonangol? Várias. Introdução à pergunta sobre os projectos de arquitectura que Sócrates assinou nos anos 80 e não eram dele: "Sei que não vai gostar da pergunta, mas tenho mesmo de a fazer".
A entrevista, ontem à noite, na SIC, foi boa para ele e uma tragédia para o jornalismo.
Entrevista, na íntegra, aqui.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
O défice
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Fumar é uma liberdade
Fui encontrar no meio de revistas velhas, uma "Grande Reportagem" de há três anos. Praticamente três anos. Foi publicada a 15 de Janeiro de 2005. Entretanto, a revista, que era publicada ao sábado com o "Diário de Notícias" e "Jornal de Notícias" morreu e deu lugar à "Notícias Sábado".Naquela altura, ainda a tragédia José Sócrates não existia, embora a tragédia Santana Lopes, que estava a terminar, não fizesse adivinhar outra coisa.
O interessante neste número da "Grande Reportagem" (então dirigida por Joaquim Vieira, que esta semana se tornou Provedor do Leitor do "Público") talvez não seja o tema de capa. Além de uma reportagem de Felícia Cabrita sobre o embaixador Jorge Ritto, propósito do caso Casa Pia ("O Pequeno Embaixador", com o relato de um jovem de 24 anos que terá vivido com Ritto na embaixada de Portugal em Paris), o que chama a atenção é a crónica de Pedro Mexia sobre a proibição de fumar em bares e locais nocturnos. Agora que a proibição já não é hipótese, mas facto consumado (por enquanto), vale a pena recordar o que escreveu Mexia:
"Não fumar em bares e locais nocturnos? Que espécie de idiotice é essa? A polícia dos costumes mascarada, mais nada. Acho que as pessoa são livres de fumar ou não, se se estiverem a matar apenas a si mesmas com a nicotina e o vício. Não tenho nada contra o vício. Robespierre é que não tinha vícios. Eu não fumo, nem pretendo fumar, mas defendo convictamente os fumadores. Na sociedade puritana em que vivemos, nesse puritanismo pútrido que se disfarça de progressismo, fumar é, como na adolescência, uma afirmação. (...) Fumar ganha foros de afirmação individual. De reivindicação de uma liberdade. Bogart aprovaria. Eu também."
domingo, 30 de dezembro de 2007
"Sócrates não tem princípios"
Pacheco Pereira e António Barreto analisaram o ano de 2007 e fizeram conjecturas para 2008 no "Expresso" de ontem. Muito interessante. Só é pena que sejam sempre os mesmos, nos mesmos sítios, com as mesmas opiniões. Excerto:
Pacheco Pereira:
"Sócrates é muito dominado pelo sentido de eficácia e utilidade, não tem princípios, é um homem característico dos tempos modernos."
"2008 vai ser sobretudo um ano de muita propaganda, uma actividade em que ao lado deste Governo os homens do SNI fariam figura de meninos de coro."
António Barreto:
"A lógica do Governo é dar nas vistas, comprar votos e tornar as pessoas dependentes, gratas e reverentes. Isto é detestável, isto é uma sociedade detestável."
"A comunicação social tem vindo nos últimos anos a perder o que eu chamo o trinómio brio, dignidade e independência. Esta situação resulta, em primeiro lugar, da precariedade do emprego, o recurso crescente a jovens estagiários mal formados, mal preparados. Essas pessoas não têm dignidade profissional e brio deontológico porque são dependentes."
Estes chefes não são verdadeiros democratas
Portugal anda cheio de chefes narcísicos. Querem dominar tudo e todos e não mostram qualquer empatia pelos problemas dos que os rodeiam. A principal característica destas pessoas é um sentimento grandioso da sua importância.(...)
Rodeiam-se de gente submissa que, para os servir, decretou para si mesma o silêncio e o elogio fácil ao chefe: podem ser sobrecarregados com trabalho e críticas ferozes que jamais abrirão a boca contra quem manda.
(...)
Na sua ânsia de poder, não é raro serem capazes de usurpar recursos extra e privilégios especiais, que acreditam ser inteiramente justos e só ao alcance de quem é verdadeiramente glorioso.
(...)
Estes chefes não são verdadeiros democratas: falta-Ihes o sentido do reconhecimento do outro, a partilha e a capacidade de amar que caracteriza os verdadeiros líderes: podem mandar, mas não serão amados, apenas tolerados, mais tarde ou mais cedo cairão do pedestal que construíram para si próprios.
Excerto de "Os Narcísicos", crónica de Daniel Sampaio; revista "Pública", 23.12.2007

