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sexta-feira, 27 de julho de 2007

Não se conheceram, mas enfrentaram os mesmos monstros

Francesca Woodman; sem título, Boulder, Colorado, 1976; cortesia George and Betty Woodman



No "Público" de 24 de Julho:

Francesca Woodman viveu atormentada pela dúvida. Parecia uma adolescente normal, deslumbrada pela fotografia, mas aos 22 anos quis acabar com tudo. Atirou-se da janela do loft onde vivia, no bairro nova-iorquino de East Village. "Ela andava à procura da normalidade e da segurança das rotinas, mas só tinha a arte, a dúvida constante, a solidão, a insegurança e a obsessão próprias de quem quer superar a própria vida", escreve a amiga Betsy Berne, no livro Francesca Woodman, da autoria de um professor da Universidade de Londres, Chris Townsend, recentemente publicado pela editora Phaidon e com 130 fotografias inéditas de Woodman.
Diane Arbus viveu aprisionada pelas convenções. E pelos fantasmas interiores. "Penso sobre o que quero fazer e o entusiasmo tira-me o fôlego. Mas, de repente, a energia desaparece, deixando-me incomodada, afundada, enlouquecida e assustada pelas mesmas coisas de que julgava estar desejosa", escreveu ela, numa carta a uma amiga, em 1968. Três anos depois, aos 48, deixaria que a fragilidade a arrastasse. Em casa, em Greenwich Village, Nova Iorque, engoliu vários comprimidos para dormir, entrou vestida na banheira e cortou os pulsos. Parte da sua vida está no filme Fur - Um Retrato Imaginário de Diane Arbus, de Steven Shainberg, com Nicole Kidman como actriz principal. A estreia no cinema foi em Março e o DVD chega hoje a Portugal.
Comparadas as biografias, não foi só na tragédia que coincidiram as duas mulheres. Apesar de nunca se teram conhecido, Woodman (1958-1981) e Arbus (1923-1971) disparavam a máquina fotográfica da mesma forma - para captar a tormenta, delas e do mundo. Além disso, unem-nas várias coincidências: Woodman começou a fotografar em 1971, ano em que Arbus se suicidou. Arbus teve a primeira filha (Doom; terá uma segunda, Amy) aos 22 anos, idade com que Woodman pôs termo à vida.
Os temas que escolheram são diferentes, tal como as máquinas que usaram a maior parte do tempo: uma Yashica Reflex, no caso de Woodman, e uma Rolleiflex de lente dupla, no de Arbus. Woodman autoretratou-se. "Não tem frio nos olhos, está despida como ninguém, decidiu perturbar o sonambolismo humano", diz dela o escritor e ensaísta francês Philippe Sollers. Arbus andou na rua atrás da diferença. "Mudou a forma como os americanos se viam durante os muito repressivos anos 50, elevando anões e travestis a temas fotográficos respeitáveis", explica ao P2 Shelley Rice, professora de Estética da Fotografia na Universidade de Nova Iorque.
Ainda assim, uma e outra deixaram uma obra onde "não há complacências face ao disforme, à monstruosidade ou à doença", conclui Sollers num texto do catálogo da única exposição de Francesca Woodman em Portugal, organizada em 1999 pela Fundação Cartier no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Cesariny "pop star"

Duas notícias do fim-de-semana, que demonstram, uma vez mais, o estatuto de estrela popular que o poeta Mário Cesariny ganhou nos últimos tempos:

1 - O foyer do Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) vai passar a chamar-se
Galeria Mário Cesariny, revelou Mega Ferreira, director do CCB, no "Expresso" de 30 de Junho. "Na próxima temporada, que o presidente do CCB apresenta no dia 11, haverá nesse espaço a que chamou Galeria Mário Cesariny, lugar para duas pequenas mostras de homenagem a escritores, uma em Novembro e outra em Fevereiro", escreve o jornal.

2 -
Há três poemas de Cesariny na compilação de música "Lisboa", de uma nova editora portuguesa, a Lisboa Records. "Disco de músicos, este é também um disco de poetas e, sobretudo, de um poeta em particular, Mário Cesariny, de que figuram aqui três textos estupendos: Passagem a Limpo, Poema e You Are Welcome to Elsinore, assinado por um colectivo intitulado BCN, que junta Abelho, Eleutério, Ruben Costa e Hugo Leitão", lê-se no suplemento "Actual", do "Expresso".

sexta-feira, 29 de junho de 2007

"A oralidade é um traço rude, de fortes tintas, em áspera tela"

Crónica de Fernando Alves, lida na terça-feira na TSF:

O gramaticida arteiro

É por vezes terrível o fosso entre a frase escarrapachada em papel de jornal e a sua oralidade – quando a prosódia não é grande espingarda. Sabendo-se o que a casa gasta, e estando o gramaticida de rédea solta gramaticando, crescem as possibilidades de novas fronteiras. Assim, boquiabrimos o espanto, seguindo as incessantes farpas que o comendador vai lançando ao presidente do conselho de fundadores. De prima-dona a menino mimado, vai o verbo emoldurando a sua iconoclastia.

Comendadoria comenda, não se detém em comenos. A oralidade é um traço rude, de fortes tintas, em áspera tela. Ocorre que, lida no jornal, a frase com que o comendador dá na televisão a estocada ao já semi-retirado presidente do conselho de fundadores, deixa lavrado em acta: “se ele está com problemas de saúde, ou com problemas mentais, que se vá é curar”. Mas, ouvida, uma e outra, e ainda outra, vez ouvida, ganha a frase outra patine ensalivada: “se ele está com problemas de saúde, ou com problemas mentais, que se vaia curar”. Teríamos neste caso o verbo ir, chamando à sua própria concha de sonoridade a vaia que a frase merece, por ir mal conjugado – assim pedindo zombaria e motejo.

O gramaticida foragido às regras, do verbo ir perdido, errátil; assim se vai, por mais fortuna e humor errante, criando um estilo, sujeito à vaia, é claro, pois se vai a margem condescendente dissipando. Da arte possuindo vasto arsenal, e o artifício, e a artimanha, da arte arteiro, e do fino gosto, em lavor próprio ou por requintado conselho aprimorado, é chegado, talvez, o momento de o comendador investir em porta-voz ou em gramáticas. O resto, a mais funda substância da frase, pede outro prontuário e, porventura, outra vaia. Fernando Alves

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Acordo Berardo/Estado é "negócio ruinoso"

O deputado do PSD Pedro Duarte qualificou hoje de "negócio ruinoso" para o país o protocolo firmado entre o Estado e a Fundação Berardo relativamente à colecção de arte contemporânea do comendador.
O deputado, que falava na sessão parlamentar de perguntas ao Governo no âmbito sectorial da Cultura, referiu-se ao acordo feito como tendo "contornos poucos claros".
Por seu turno, a deputada do CDS-PP Teresa Caeiro descreveu este mesmo acordo como "uma questão nebulosa".
A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, contrapôs, afirmando que "este não foi um mau negócio para o país".

Dirigindo-se à bancada do PSD, afirmou: "Tirámos a colecção dos depósitos do Centro Cultural de Belém para ser vista".

Isabel Pires de Lima acentuou ainda que o protocolo assinado permite ao Estado a opção de compra em 2017 aos preços estabelecidos em 2006, isto é, 316 milhões de euros, de acordo com a avaliação feita pela leiloeira Christie`s.

Sustentando esta opção, a ministra lembrou aos deputados "que o mercado da arte está em constante valorização".

Pires de Lima lembrou ainda aos deputados que, no final do comodato da colecção, caso o Estado a compre, o comendador Joe Berardo entregará ao Estado dez por cento dos 316 milhões de euros "para reforço da colecção".

No final da sessão, fonte do gabinete da ministra assinalou à agência Lusa que este é "um acordo muito confortável" e que, dentro de dez anos, a colecção poderá ter um valor muito próximo dos 500 milhões de euros.
Lusa

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Conversa da treta

A colecção de arte de Joe Berardo está avaliada, segundo a Christie's, em 316 milhões de euros, anunciou hoje a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, numa cerimónia pública no Centro Cultural de Belém. O valor é suficiente para construir três Casas da Música ou dois Centros Culturais de Belém, disse a ministra. Para ela, albergar a colecção no CCB constituía um "dever patriótico".

A avaliação foi feita peça a peça. Só um dos quadros de Picasso vale 18 milhões de euros, outro, de Bacon, vale 15 milhões, disse há minutos Isabel Pires de Lima no Jornal das 9, na SIC Notícias.

A abertura do Museu só acontece no segundo semestre de 2007, o que contradiz os prazos inicialmente avançados (fim de 2006). Em Julho, haverá um espectáculo "nunca visto" de apresentação da colecção, disse Berardo na cerimónia de hoje.

O Estado vai dar a Berardo 500 mil euros por ano para a compra de novas obras. E o funcionamento do museu custará ao Estado 1,5 milhões de euros em 2007, anunciou a ministra na SIC Notícias.

O fim da Festa da Música do CCB, diz Pires de Lima, não se fica a dever à abertura do museu Berardo.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Afinal?

O Museu Berardo vai receber dos contribuintes 500 mil euros por ano para comprar espólio que fica nas mãos do empresário. O CCB acaba com a Festa da Música porque não tem 850 mil euros (custo da do ano passado) para a fazer (só mais 350 mil do que aquilo que vai parar aos bolsos de Berardo). E Mega Ferreira diz que a Festa acaba porque o Ministério da Cultura retirou 600 mil euros do orçamento do CCB (pouco mais ou menos aquilo que vai parar aos bolsos de Berardo).
Já agora: Mega Ferreira e Carmona Rodrigues não tinham dito em público que a Câmara de Lisboa e o CCB iam colaborar até 2008 para que a Festa da Música não acabasse?
É tudo sinistro. E, no entanto, tudo encaixa.