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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Herberto evoca Cesariny

Chegou hoje às lojas o novo livro de Herberto Helder. Este é um dos inéditos incluídos:


na morte de Mário Cesariny


corpos visíveis,

nobilíssimos,
inseparável luz que move as coisas,
ter um inferno à mão seja qual for a língua,
toda a água é inocente e escoa-se entre as unhas,
à porta do forno crematório alguém lhe toca,
vai lá, vai que te acolham, brilha, brilha muito, brilha tanto quanto não possas, brilha acima,
faz brilhar a mão que melhor redemoinha,
a mão mais inundada,
e ele entra sem esperança nenhuma,
só na última linha quando o coração rebenta,
reconhece quem o olha

Herberto Helder
"A Faca Não Corta o Fogo (súmula & inédita)", 2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Mais um fim-de-semana na Feira do Livro

Não se encontra nada de extraordinário na Feira do Livro de Lisboa. Nem quanto a títulos disponíveis, nem quanto aos preços praticados.

Deste fim-de-semana sobram apenas duas compras: "As Mãos na Água, A Cabeça no Mar", de Mário Cesariny; e "Fotografia e Narciscismo", de Margarida Medeiros.

O livro de Cesariny é uma primeira edição, de 1985, da Assírio e Alvim. Cheira a mofo e tudo. São 328 páginas de ensaios, artigos de imprensa, textos para catálogos, entrevistas, prefácios, etc. A maior parte pertence próprio, outras coisas são traduções feitas por ele.

O livro de Margarida Medeiro, publicado há oito anos, é um ensaio, baseado na tese de mestrado da autora, sobre a auto-representação na fotografia contemporânea. Em anexo, tem três entrevistas interessantes: com Cindy Sherman, Duane Michals e Florence Chevallier (no índice, o apelido deste último aparece um um "L" apenas, mas no interior vem a forma correcta, com dois "LL").

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Reveladas cartas de Cesariny e Vieira da Silva

Um livro com correspondência inédita trocada entre Mário Cesariny e Maria Helena Vieira da Silva vai ser editado em Setembro no âmbito das comemorações do centenário do nascimento da artista plástica, que se assinala a 13 de Junho.
Em declarações à Agência Lusa, Marina Ruivo, conservadora da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva indicou que excertos de algumas destas cartas já poderão ser vistos pelo público a partir de 05 de Junho, data da inauguração de uma exposição sobre a relação entre os artistas, intitulada "Correspondências".
Notícia completa aqui.

domingo, 9 de março de 2008

Livros novos

"Teatro e Sociedade (ler/ver teatro)", da professora universitária Yvette Centeno (ou Yvette K. Centeno, como também costuma assinar) é um conjunto de 13 ensaios publicado em Dezembro do ano passado pelas Edições Universitárias Lusófonas, da Universidade Lusófona.
Excerto:

"Cria-se, hoje em dia, reagindo a associações de lógica não-cartesiana, suportadas por uma estrutura menos visível, menos objectiva, mas que se pressente e cujos efeitos (como no caso dos quarks) se podem emocionalmente avaliar. Está de há muito ultrapassada a questão dos 'géneros'; mas não estará tão cedo ultrapassada a questão da 'substância' artística que os actuais não-géneros propõem ao nosso gosto, à nossa sensibilidade cultural." (a propósito da peça As Migalhas dos Dias, 1999, de Bob Wilson, p. 147)

A colecção "Biblioteca de Editores Independentes" (que reúne, em formato de bolso, títulos das editoras Relógio d'Água, Cotovia e Assírio & Alvim) reeditou agora "Manual de Prestidigitação", de Mário Cesariny. A primeira edição tem 26 anos.
É este o livro onde consta o célebre poema:
"queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti o mar de uma rosa de espuma"

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Abusar da morte

Porque é que "Uma Grande Razão", antologia póstuma da poesia de Mário Cesariny, publicada este ano pela Assírio & Alvim, foi eleito o melhor livro do ano por um grupo de críticos e jornalistas do "Público"?

O jornalista Luís Miguel Queirós explica no Ípsilon de hoje (suplemento do "Público" onde vem feita aquela eleição), que "não são nada evidentes os motivos" da escolha e que só pode haver uma razão: "quiseram sublinhar o talento de Cesariny" e a "qualidade e originalidade" da antologia.

Como sempre me fez confusão o que se pode fazer com os mortos, faz-me confusão que a editora de Cesariny tenha feito depois da morte dele o que ele, em vida, nunca deixou que se fizesse: justamente, uma antologia.

É, por isso, incompreensível a escolha do painel do "Público". Porquê eleger como melhor obra do ano um objecto que o autor, estando vivo, certamente rejeitaria? Quis o painel dizer que a
obra artística de alguém é sempre superior aos formatos? Se foi isso, talvez tenha errado a forma. Porque não conseguiu mais do que ratificar uma decisão comercial que mandou às urtigas a convicção do poeta.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O nosso querer falar

Uma nota à edição de "Poemas de Mário Cesariny ditos por Mário Cesariny", livro e disco publicado hoje pela Assírio & Alvim, esclarece que a transcrição apresentada é fiel à versão dita pelo autor na gravação, não à versão anteriormente publicada dos poemas. Uma das discrepâncias mais interessantes está no poema "you are welcome to elsinore". Em vez de "e entre nós e as palavras, o nosso dever falar", Cesariny diz "o nosso querer falar". E a seguir acrescenta: "Aqui está 'dever', mas é 'querer' ".
O que já não é interessante é haver erros como este: logo no primeiro poema, Cesariny diz "E quando um deles ala o corpo" e aparece escrito "E quando um deles ala e o corpo".
De resto, o som é bom e a voz do poeta, apesar de rouca e desgastada, tem muita expressividade.
Mau, muito mau, é o preço (28 euros) e o facto de a Assírio & Alvim não ter tido o cuidado de escrever algures as datas de nascimento e de morte do autor tanto mais que o livro/disco resulta de uma gravação de três dias, feita poucos meses antes de ele morrer (26 de Novembro de 2006).

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Cesariny "pop star"

Duas notícias do fim-de-semana, que demonstram, uma vez mais, o estatuto de estrela popular que o poeta Mário Cesariny ganhou nos últimos tempos:

1 - O foyer do Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) vai passar a chamar-se
Galeria Mário Cesariny, revelou Mega Ferreira, director do CCB, no "Expresso" de 30 de Junho. "Na próxima temporada, que o presidente do CCB apresenta no dia 11, haverá nesse espaço a que chamou Galeria Mário Cesariny, lugar para duas pequenas mostras de homenagem a escritores, uma em Novembro e outra em Fevereiro", escreve o jornal.

2 -
Há três poemas de Cesariny na compilação de música "Lisboa", de uma nova editora portuguesa, a Lisboa Records. "Disco de músicos, este é também um disco de poetas e, sobretudo, de um poeta em particular, Mário Cesariny, de que figuram aqui três textos estupendos: Passagem a Limpo, Poema e You Are Welcome to Elsinore, assinado por um colectivo intitulado BCN, que junta Abelho, Eleutério, Ruben Costa e Hugo Leitão", lê-se no suplemento "Actual", do "Expresso".

domingo, 17 de junho de 2007

"É errado celebrar a vida devassa de Cesariny"

Excerto da entrevista de Alexandra Lucas Coelho com o escritor Luís Amorim de Sousa, na "Pública", hoje:


Disse que o seu tio Paco era poeta. Publicou?

Um livro de sonetos. O nome que usava era Mário Ermo. Um escandaloso, homossexual numa altura em que era impensável um homossexual manifestar-se...

Mas assumido?
Assumidissíssimo! Mas de uma forma teatral. Era um fazedor de "happenings".

Como Mário Cesariny?
Não. Uma espécie de Rainha-mãe do Mário Cesariny. Nada o mesmo género. O Mário Cesa­riny era um homem da noite, o meu tio Paço tinha um comportamento de fidalgo. Gostava imenso de soirés, e tinha um sentido do ridículo atroz.

Mas isso onde?
Nas várias casas onde morava. Estava proibido de entrar na Junqueira por causa dos escândalos. E tinha sido criado lá, mas a Junqueira era uma casa victoriana. O tio Paco era um actor prodigioso. Tinha uma belíssima voz, cantava maravilhosamente, falava todas as línguas incluindo francês, um espanhol impecável, escrevia versos em espanhol, e era um grande fazedor de acontecimentos totalmente inesperados. Saía à rua, e havia o burro do homem das hor­taliças que andava por Lisboa, ele dirigia-se ao burro, sugeria que eu lhe fizesse uma vénia pro­funda porque era nosso parente, ele era muito amigo de animais, e o homem desbarretava-se todo, e ele: "Não é consigo, é com o nosso primo, da nobre família dos equídeos." Está a ver o que isto é na Lisboa daquela época, 1940 e tal. O tio Paco alegrou imenso a minha vida, porque era um excêntrico extraordinário. Gostava imenso da gente do povo, e deve ter tido variadíssimos casos com a gente do povo. Mas o mundo do tio Paco era muitíssimo mais amplo que o de Mário Cesariny. Não quero falar muito do Mário, por­que se está a celebrar o lado errado dele, que é um poeta admirabilíssimo, a quem todos nós devemos imenso, mas o que se celebra nele é a vida devassa que terá levado.

Não acha que se celebra tudo?
Espero que sim, o extraordinaríssimo poeta que ele foi e pintor muito interessante. Tenho uma coisa dele muito bonita aí atrás de si, que ele me deu. Mas o tio Paco vivia num espaço físico mais amplo. Era um homem de sociedade, que ao mesmo tempo tinha uma noite sabe-se lá por onde, que andava nas redacções de jornais, também. E um dia, apareceu-me lá em casa com o António Botto. O António Botto começou a dizer poesia e percebi que a poesia tinha um efeito mágico encantatório. Ouvir o Antó­nio Botto a dizer versos é uma coisa que não se esquece. Eu estava vagamente a brincar e fiquei extasiado com as palavras que ele dizia e eu nem percebia muito bem. A magia abso­luta das palavras da língua portuguesa, magia indizível, sensação para mim eterna.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Texto inédito de Cesariny publicado pela Assírio & Alvim

Um texto e várias imagens inéditos da autoria de Mário Cesariny são a principal novidade da revista literária "A Phala". A publicação foi editada pela Assírio & Alvim durante anos, mas estava suspensa. Regressa agora. Tem novo formato. É uma revista. A cores.
O número é quase todo dedicado a Mário Cesariny. Inclui, a propósito, um texto de Herberto Helder.
A parte final de "A Phala" é sobre a tradução, com depoimentos de nomes grandes do ofício: Pedro Tamen, José Bento, João Barrento e Frederico Lourenço, entre muitos outros.
Excerto do texto inédito de Cesariny, intitulado "Passagem dos Sonhos":
(...)
Desde o alto da rua Barata Salgueiro recomeço a voar. Digo «recomeço» porque no meu sonho há lembrança nítida de incursões semelhantes, iniciadas sempre nesta rua. Quando começo a correr para «levantar», a habitual sensação de não estar certo de poder fazê-lo ainda uma vez mais. Lançado no espaço, voo a baixa altura, quase entre o trânsito das ruas. Depois ganho altura, entro no espaço abstracto, sem imagens, que será para o homem o voo puro. Os meus braços abertos são os reguladores da direcção. Desço, quase a rasar o solo, sobre a avenida da República, em direcção ao Saldanha, que oferece o seu aspecto habitual num fim de tarde de verão. Vinda da avenida Fontes Pereira de Melo e voando baixo como eu, surge uma mulher magnífica, solene, com um longo fato de renda negra cujo ondear a continua no espaço. Reunimo-nos sem trocar palavra, fitando-nos apenas, e, sem desvio na direcção comum, lado a lado traçamos lentamente dois círculos concêntricos à estátua de bronze, em baixo, afligida de grande circulação automóvel. Depois tomamos pela avenida Duque de Ávila, em direcção ao Arco do Cego, e sonho que acordo em casa do José Cardoso Pires, no Largo de Arroios. O dono da casa saúda-me jovialmente, não estranhando a minha súbita presença no seu quarto de estudante.
(...)

sábado, 31 de março de 2007

Cesariny deu um milhão de euros à Casa Pia

Mário Cesariny deixou em testamento um milhão de euros à Casa Pia. A intenção remonta a 2004, quando rebentou o escândalo na instituição, mas só agora a provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, soube da doação proposta pelo escritor. Catalina Pestana realçou, à RTP, o efeito positivo desta doação para a "auto-estima" da instituição e lembrou que Cesariny foi "um poeta mal-amado", que quis ajudar outros"mal-amados". O dinheiro de Mário Cesariny será aplicado na construção de um centro de artes para os alunos da Casa Pia, a instalar em Xabregas, Lisboa. ("Público", hoje)


A propósito disto, é interessante recordar o que disse Cesariny sobre a Casa Pia numa entrevista ao Público, em 1 de Dezembro de 2004:

Tem acompanhado o chamado “caso Casa Pia”?
O escândalo de pedofilia é a exploração de um estado deplorável. Quando se começou
a falar disso, tive um pensamento fúnebre. Lembrei-me de que há países onde se descobrem escândalos nas universidades e outros países onde se descobrem escândalos de pedofilia. Mas, que eu saiba, não há nenhum país que junte as duas coisas, como o nosso. Temos um escândalo na Casa Pia e outro na Universidade Moderna. O podre está muito disseminado. Às vezes também penso: se tanta gente quer isso, porque é que não os deixam em paz…

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Dois filmes inéditos sobre Cesariny em Madrid

Cento e doze quadros de Mário Cesariny e dois filmes inéditos sobre a sua vida e obra vão ser apresentados na ArtMadrid, numa homenagem ao pintor e surrealista promovida pela Perve Galeria, que naquela feira de arte disporá de um pavilhão. (Diário Digital/Lusa, ontem)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Entrevista literária?

O "Expresso" publicou na última edição uma entrevista com Mário Cesariny. A entrevistadora, Maria Bochicchio (não sei quem é), diz que a entrevista foi feita em Junho deste ano e que na altura estava longe de saber que esta seria "a última entrevista literária concedida por Cesariny".
Não sei o que é uma entrevista literária. Nunca encontrei tal termo em nenhum manual de jornalismo e nunca ouvi alguém do meio usar essa designação. Salvo opinião mais esclarecida, isso não existe.

Encontro numa página da universidade Nova de Lisboa a seguinte explicação: "entrevista literária pode colocar ênfase nos processos de produção artística do entrevistado, em aspectos biográficos, em histórias particulares de interesse cultural, em ideias formadas pelo autor que se quer conhecer melhor". Quem o diz é Carlos Ceia, professor de literatura inglesa naquela universidade.

Pergunto:
- porquê "literária" se não é, segundo a definição de Ceia, termo aplicável a entrevistas exclusivamente com escritores?
- porquê "literária" se a definição não diz que tal entrevista tem necessariamente de sair sob a forma de livro?
- porquê "literária" se o que a definição diz que ela compreende é exactamente o mesmo que compreende uma entrevista feita por um jornalista a um artista?
- porquê "literária" se a definição não estabelece que tal entrevista tem sempre que ser feita por académicos ou literatos, nem diz que não pode ser feita por jornalistas?

Não estaremos perante um termo desnecessário, que, em última análise, desvaloriza a entrevista jornalística?

Entrevista é entrevista. Ou é de emprego ou é entrevista. Longa, curta, bem feita ou mal feita, feita por jornalistas ou não jornalistas. A artistas ou não. Para ser publicada sob qualquer forma.

aqui se disse que a última entrevista concedida por Cesariny foi publicada no "El País" uma semana antes de ele morrer. Nada o desmente. Esta do "Expresso" não foi a última concedida, foi, o que em nada a desmerece, claro, a última publicada . Até ver.

Excertos:

"A poesia é um segredo dos deuses. Não é trabalho, embora às vezes se possa morrer de trabalho. Creio que sou um poeta inspirado, no sentido romântico de «daimon» - génio. Até ao momento em que o poeta se fecha e parte, voa. E depois fica igual aos outros".

"A poesia nasce do contacto com o mundo na solidão em que nos encontramos. E às vezes confrontados com uma ditadura em cima, como a que recusámos violentamente".

"Eu sempre desejei ir além [do 'real quotidiano'], ir para dentro. O que presta é o amor, a liberdade e a poesia. A poesia é esse real absoluto que quanto mais poético mais verdadeiro. Era Novalis quem o dizia. A poesia vale como uma liberdade mágica".

"A poesia não se dirige a um leitor, dirige-se a mim próprio".

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Democracia, Cesariny?

Não dá votos ir ao enterro de um homossexual?
O triste funeral de Mário Cesariny é bem o país que somos (o "Público" de hoje fala disso). Nem presidente da Câmara, nem ministra da Cultura, nem presidente da República, nem primeiro-ministro, nem, felizmente aqui, oportunistas para o prantear.
Lembro-me da entrevista em que ele dizia assim: "não sei o que seria se tivesse nascido numa democracia". E achas, Cesariny, que morreste numa?

domingo, 26 de novembro de 2006

A última entrevista de Cesariny

Salvo coisa que esteja inédita, esta foi a última entrevista do poeta.

Mário Cesariny 1923-2006

Morreu um poeta à solta. Chorem-no ou façam que o choram, só não o atravanquem como ele não quereria nunca ser atravancado.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

"Nos hace falta un poco más de locura"

Mário Cesariny foi entrevistado pelo correspondente do El País em Lisboa. A entrevista saiu no domingo. "Nos hace falta un poco más de locura. Los surrealistas se están haciendo demasiado racionalistas", diz o poeta-pintor. Novidade: a publicação pelo diário espanhol de um dos desenhos ("cadáveres esquisitos") que Cesariny tem expostos na galeria Perve em Lisboa. Este:
O texto que resulta da entrevista só podia ser bom, porque é de Cesariny que se trata. E é bom. Só foi pena que o jornalista se tivesse enganado na grafia de vários nomes: Teixiera de Pascoaes, Cruzeiro Eixas, João Penharanda.